Nabawiyya Musa (1886-1951)

Nabawiyya Musa
Fonte da imagem: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:%D8%A7%D9%84%D9%83%D8%A7%D8%AA%D8%A8%D8%A9_%D9%86%D8%A8%D9%88%D9%8A%D8%A9_%D9%85%D9%88%D8%B3%D9%89.jpg. Acesso em: 14 de dez. de 2020.

Educadora, nacionalista e feminista egípcia, nasceu em al-Zaqaziq, no Delta do Nilo. Ela não conheceu seu pai, soldado do exército; sua mãe, cujo nome e origens são desconhecidos, cuidou dela e de seu irmão no Cairo, onde ela estudou para ser professora.

Nabawiyya fundou o jornal Majallat al-Fatat (A Revista da Mulher Jovem) que circulou entre 1937 e 1942 e contava com a seção Dhikrayati (Minhas memórias), onde publicou memórias da infância e da luta pelo acesso à educação. Ela descreveu sua vida como uma constelação de lutas para conquistar igualdade e reconhecimento em meio à masculinidade hegemônica; ela narra situações de ridicularização por conta de sua dedicação aos estudos, e um momento em que se sentiu “mais anormal que os outros”; e também fala de outras escolhas não-convencionais, como a de optar por não casar e não ter filhos. Para Margot Badran, Nabawiyya representou um modelo para as mulheres da nova classe média determinadas a encontrar espaços fora da esfera doméstica.

            Nabawiyya foi a primeira mulher egípcia a obter o bacharelado (1907) e a ser diretora de uma escola; também fundou as escolas para meninas Tarqiyat al-Fatah Primary School e Banat al-Ashraf Secondary School. Impedida de estudar na Universidade do Cairo quando jovem, lecionou lá entre 1909 e 1912, e, crítica do governo britânico, Nabawiyya chegou a ser presa.

Ela favoreceu o avanço do feminismo no país como integrante da al-Ittihad al-nisa’i al-misri (União Feminista Egípcia), fundada por Huda Sha’rawi, e esteve na conferência da Aliança Internacional das Mulheres pelo Sufrágio Feminino – IWSA. Suas obras reúnem poemas, coletados em Diwan al-Fatat (Poesia de uma jovem mulher) (1937), o romance Riwayat al-Nabhutub, um livro didático e outros, como al-Mar’a wal-l’amal (A mulher e o trabalho) – marco para o feminismo nacional, por sugerir o trabalho e o patriotismo às mulheres,  e o livro al-Ayat al-bayyinat fi tarbyat al-Banat (Um modelo claro de educação para as meninas).

BIBLIOGRAFIA

BADRAN, Margot. Expressing feminism and nationalism in autobiography: the Memoirs of an egyptian educator.” In: Wmith, Sidonie; WATSON, Julia  (Eds.). De/colonizing the subject: the politics of gender in women’s autobigrapnhy. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1992, p. 270-293.  

BADRAN, Margot. Feminists, islam, and nation: gender and the making of modern Egypt. Princeton: Princeton University Press, 1995.

CIVANTOS, Christina. Reading and writing the turn-of-the-century egyptian woman intellectual: Nabawiyya Musa’s Ta’rikhi Bi-Qalami. Journal of Middle East Women’s Studies , v. 9, n. 2, p. 4–31, 2013: https://doi.org/10.2979/jmiddeastwomstud.9.2.4  

VEZZADINI, Elena. “Nabawiyya Musa”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 343-344.

Última atualização em: 28/01/2021

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