Nanny (1685-1741?)

Nanny em nota de 500 dólares jamaicanos
Fonte da imagem: Numista. Disponível em: https://en.numista.com/catalogue/note207008.html. Acesso em: 23 de dez. de 2020.

Também referenciada como Rainha Nanny ou Granny Nanny, o seu nome provavelmente não é pessoal, mas deriva de Nana, um título de respeito e autoridade empregado em referência às rarinhas-mães nas sociedades akans da África ocidental. Ela nasceu em uma comunidade do povo Koromantee (Koromandê), na Costa do Ouro, atual República de Gana.

 Foi capturada ainda criança e vendida a traficantes ingleses que a transportaram em um navio negreiro até a Jamaica, no Caribe, América Central, onde durante algum tempo ela trabalhou em uma plantation (fazenda) de cana-de-açúcar situada em Saint Thomas Parish, nas circunvizinhanças de Port Royal. Junto com outros(as) cativos(as), envolveu-se em rebeliões lideradas por chefes de escravos marrons, como Cudjoe (Cuffy), Johny e Quao, que conduziram grupos de rebeldes fugitivos para o interior da ilha. 

Em 1720 Nanny fundou e liderou uma comunidade na região das Montanhas Azuis, perto do Rio Stony. Segundo a tradição oral, ali ela se casou com um guerreiro chamado Adou, e fixou as bases da vida comunitária e do sistema de defesa, com barricadas e armadilhas espalhadas na mata. Certa quantidade de guerreiros ficava de prontidão e transmitia mensagens de alarme através do toque de uma espécie de buzina denominada Abeng. Empregando táticas de guerrilha, os marrons atacavam plantations, o que levou ao abandono de 27 delas em 1734.

Além da autoridade política, Nanny era reverenciada e temida, acumulando carisma espiritual. Ela detinha conhecimento de plantas e ervas medicinais. Além disso, a ela era atribuída a capacidade de se comunicar com os espíritos ancestrais, e a capacidade de vidência, elementos que integravam o sistema de crenças africanas conhecidas como obeah ou myal, que posteriormente se difundiu entre os afro-jamaicanos.

A comunidade desenvolveu uma agricultura de subsistência e parte de seus ocupantes se miscigenou com populações indígenas aruaques. O excedente era trocado em mercados próximos por vestimentas e armas.   Em 1739, após diversos ataques o governo britânico firmou um tratado de paz, reservando cerca de 2.500 hectares para a comunidade maroon na área em que estão localizadas na atualidade as cidades de Accompong, Treelawny, Mountain Top e Nanny Town.  Sua morte ocorreu em data incerta, após o ano de 1741.

A Rainha Nanny foi declarada heroína nacional pelo governo da Jamaica em 1976.  Ela tem sua memória preservada por diversos meios, nas tradições orais e também em símbolos e monumentos nacionais. Seu retrato idealizado aparece nas notas de 500 dólares jamaicano, que é popularmente conhecida como “Nanny”. Um monumento em sua homenagem foi edificado na cidade de Moore Town.

BIBLIOGRAFIA

ZIPS, Werner. Nanny: Nana ofthe marrons? Some comparativethoughtsof Queen Mothers in akanandjamaicanmaroonsocieties. In: NIEWAAL, Emile A. B. R.;DIJK,  Rijk van (Eds.). AfricanChieftaincy in a New Socio-politicalLandscape. Hamburg: LitVerlag, 1998, p. 191-227.

RISNER, lacy. Archaeology of memory: a case study of Queen Nanny. In: Scholars week – Programpanel, 2019:

https://digitalcommons.murraystate.edu/scholarsweek/Fall2019/LBA/2/

AIKINS, Joshua Kwesi. Queen Nanny and maroon resistance. In: NESSE, Immanuel (Ed). The internationalencyclopediaofrevolutionand protest. Londres: John Wiley& Sons, 2009: https://doi.org/10.1002/9781405198073.wbierp1227

Última atualização em: 22/01/2021

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