Líder sindical e ativista pelos direitos das mulheres da África do Sul. Nasceu na Letônia com o nome de Rachel Esther Alexandrowitch, aos quinze anos foi estudar em Riga e ingressou no movimento comunista clandestino. Perseguida pela polícia, foi enviada pela mãe aos dezesseis anos para a África do Sul, onde ela fez parte de uma comunidade de ativistas judeus que trouxeram da Europa um forte compromisso com o socialismo e o comunismo.
Militante desde muito jovem no movimento sindical, na década de 1940 ela participou de organizações operárias no Cabo Ocidental e na região da Namaqualândia, na atual Namíbia. Articulou uma série de ações para unificar os trabalhadores sazonais, e na época da instauração do regime do Apartheid conseguiu formar um sindicato não-racial e ativo, a Food and Canning Workers Union – FCWU (União dos Trabalhadores em Alimentos e Conservas), que promoveu mulheres e homens a cargos de liderança. Além disso, ela desempenhou papel importante na organização do Conselho dos Sindicatos Não Europeus (CNETU).
Na década de 1950, lutou contra a organização sindical oficialmente sancionada (TUCSA) pois seus sindicatos eram racialmente segregados e negava a adesão de trabalhadores negro-africanos. Por tudo isso ela se tornou um alvo da repressão governamental. Em 1954, foi banida pela Lei de Supressão do Comunismo (1950). Milhares de trabalhadores entraram em greve em resposta ao ataque de sua líder, chamada de “mãe” por alguns.
Em sua campanha por um assento no parlamento, em 1954, sua plataforma eleitoral previa direitos de voto aos negros, porém, embora eleita por uma maioria esmagadora de votos ela não teve permissão tomar posse. Como uma das iniciadoras da Federação de Mulheres Sul-Africanas – FSAW (agora conhecida como Fedsaw), ajudou a organizar uma das mais importantes lutas da década, onde milhares de mulheres protestaram contra a as leis de passe, e ajudou a redigir a “Carta das Mulheres”, que culminou na marcha de 20.000 mulheres para Pretória (1956) para apresentar ao Primeiro-Ministro, Johannes Strijdom, milhares de petições contra o uso do passe para a circulação de mulheres – acontecimento que deu origem ao Dia da Mulher Sul-Africana e ao famoso slogan político: “Atingiu uma mulher, atingiu uma rocha”.
Seu marido, Harold Jack Simons, professor de Estudos Africanos na Universidade da Cidade do Cabo, também comunista, foi proibido de ensinar, e ambos deixaram a África do Sul para viver em exílio na cidade de Lusaka, na Zâmbia, onde permaneceram até 1990. Ela continuou a ser membro influente da seção feminina do African National Congress (Congresso Nacional Africano) e ambos escreveram em co-autoria o livro Class and colour in the South Africa, 1850-1950 (Classe e Cor na África do Sul, 1850-1950) (1969), além de diversos artigos e relatórios em jornais do sindicato e periódicos.
No mês de janeiro de 2004, oito meses antes da sua morte, o ANC concedeu a Ray Simons sua maior honra, o Isithwalandwe, uma distinção tradicionalmente conferida aos guerreiros – cujo nome faz referência às penas da cauda do pássaro que é o símbolo nacional da África do Sul. Na ocasião o presidente Thabo Mbeki qualificou-a como uma “excelente líder de nossos trabalhadores, que passou toda a sua vida adulta lutando pela liberdade de nosso povo”.
BIBLIOGRAFIA
BERGER, Iris. Threads of solidarity: women in South African industry, 1900-1980. Bloomington: Indiana University Press, 1992.
BERGER, Iris. “Ray Simons”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 390-391.
SIMONS, Ray Alexander. All my life and all my strength. Johanesburgo: STE Publishers, 2004.
WALKER, Cherryl. Women and resistance in South Africa. Nova Iorque: Monthly Review Press, 1991.
Última atualização em: 22/01/2021
































