Leila Sebbar (1941)
Escritora e crítica cultural, nasceu em Aflou, na Argélia, filha de mãe francesa e de pai argelino, ambos(as) professores(as) durante o período colonial e a guerra de libertação nacional. Esta situação ambígua é parte do projeto intelectual geral que dá sentido à sua obra, que pretende em última instância responder à pergunta: quais as implicações da descendência heterossexual, de lidar com híbridos ou estar entre culturas?
De 1979 a 1981 Leila foi uma importante colaboradora da revista Immigration and the Third World: Whitout Borders (Imigração e Terceiro Mundo: Sem Fronteiras). Sua coluna “Memória da Imigração” era popular entre os imigrantes. Com seu amplo conhecimento sobre identidade cultural e imigração, ela passou a ser frequentemente consultada para falar ou escrever sobre esses tópicos. É uma das debatedoras mais articuladas sobre os dilemas de culturas minoritárias e literaturas franco-magrebinas. Quase todos os seus livros discutem o passado colonial bem como a juventude marginalizada dos antigos territórios coloniais da França.
Leila relê meticulosamente o discurso oriental reinventando a linguagem e restituindo agência a um sujeito pós-colonial para resistir às categorias fixas criadas a partir do século XVIII. Isso é claramente visto em sua conhecida e muito celebrada trilogia em que ela repensa o orientalismo: Shérazade: 17 ans, brune, frisée e les yeux verts (Sherazade: 17 anos, loira, cabelos encaracolados e olhos verdes (1984); Les carnets de Shérazade (Cadernos de Sherazade) (1985) e Le fou de Shérazade (O louco de Sherazade) (1991). A personagem Sherazade, como sujeito pós-colonial, revisita pinturas orientalistas, desconstruindo-as e redefinindo-se através de um estudo detalhado de sua história e memória cultural, bem como desenvolve as múltiplas conexões e ressonâncias entre elas para criar uma nova imagem de outra Sherazade.
Seu trabalho trata das estratégias da memória social e os dilemas da identidade em conexão com a herança colonial, tema desenvolvido no Parle mon fils, parle à ta mere (Fale me filho, fale com sua mãe) (1984), onde ela explora a frustração de duas gerações que não compartilham uma língua comum. Outra linha mestra de seu pensamento diz respeito ao exílio, que ela concebe como um espaço de criação, produção e reinvenção. Em seu romance Le Chinois vert d’Afrique (O chinês verde da África) (1984), o protagonista, chamado Mohamed Mehmet ou “Momo”, é originário da Argélia e tem uma avó vietnamita, o que lhe permite explorar a identidade em situações de hibridismo cultural.
Sebbar editou três grandes coletâneas de histórias sobre a infância, o colonialismo e a condição pós-colonial. Estas coletâneas representam o seu desejo de descobrir memórias históricas e culturais. São elas: Une enfance d’ailleurs avec Nancy Huston (Uma Infância estrangeira com Nancy Huston (1993), Une enfance algérienne (Uma Infância Argelina (1997), e Une enfance outremer (Uma Infância além-mar) (2001). Nesses livros, a produção literária se concentra na tensão do que significa pertencer a diferentes espaços, examinando tecnologias íntimas de exclusão, nas quais os sujeitos pós-coloniais estão constantemente recuperando suas identidades.
BIBLIOGRAFIA
EKOTTO, Frieda. “Leila Sebbar”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 313-314.
MORTIMER, Mildred P. Coming home: exile and the memory in Sebbar’s Le silence des rives. Research inAfrican Literature, v. 30, n. 3, p.125-134, 1999.
NUNLEY, Charles. From Shéherazade to Sherazade: self-fashioning in the Works of Leila Shebar. In: BISHOP, Michael (Ed.). Thirty voices in the feminine. Amsterdam: Ed. Rodopi, 1996, p. 238-248.
































