Nascida em Túnis, capital da Tunísia. O pai era enfermeiro e chefe de serviço no Hospital Ernest Couteil e a mãe permaneceu até o fim da vida no serviço doméstico do lar. Estudou o primário e o secundário em escolas na capital, e desde aquele momento recusou-se a usar o véu. No início dos anos 1970 cursou Economia na Universidade de Paris, onde também completou o mestrado (1975) e desenvolveu estudos de doutorado.
Nos anos 1980 Souad Triki ingressou na vida universitária tunisiana, vindo a atuar como pesquisadora no Centre National d’Études Industrielles (Centro Nacional de Estudos Industriais) e foi professora assistente na Universidade de Túnis, antes de prestar concurso no Departamento de Economia do Institut National Agronomique de Tunisie – INAT (Instituto Nacional Agronômico da Tunísia).
Paralelamente, ingressou na vida política, com militância no Partido Comunista e na União Geral dos Trabalhadores, mas aos poucos se alinhou aos movimentos feministas, primeiro no Club Tarar Haddad (1979-1980), depois na criação da Revista “Nissa” (Mulher) (1983-1986) e na fundação da Association Tunisienne des Femmes Démocratiques –ATFD (Associação Tunisiana das Mulheres Democratas) (1989) e a Association des Femmes Tunisiennes Pour la Recherche sur le Développement – AFTURD (Associação das Mulheres Tunisianas para a Pesquisa e o Desenvolvimento) (1989), que ela presidiu de 1999 a 2006.
Em sua trajetória como militante e como pesquisadora, destaca-se pelas pesquisas em economia e estatística que permitiram um mapeamento das condições de trabalho e salário das mulheres na Tunísia, em particular o trabalho doméstico e o trabalho não assalariado. Também participou dos debates sobre as reformas do código de família e sobre a aquisição de direitos civis no âmbito de uma sociedade como a tunisiana, marcada pelos preceitos corânicos.
Participou ativamente da Revolução de Jasmin, o conjunto de manifestações ocorridas entre 2010-2011 que levaram à queda do regime de Zine el-Abidine Ben Ali, que governava o país desde 1987. Na ocasião ela foi eleita vice-presidente da comissão que preparou as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte.
BIBLIOGRAFIA
LOCH, Thérèse; MERON, Monique. Souad Triki, une feministe pour la démocratie en Tunisie. Travail, Genre et Sociétés, n. 38, p. 5-25, 2015.
Última atualização em: 22/01/2021
































