Tag: Organização econômica

Aduke Alakija (1921–2016)

Pertenceu a uma família influente na Nigéria durante o período colonial. Iniciou seus estudos na Claxton House School, em Lagos, e se mudou para o norte do País de Gales em 1930, onde estudou na escola secundária no Penrhos College. Queria cursar medicina na Universidade de Glasgow, mas foi transferida para a London School of Economics para estudar Ciências Sociais. 

Ao retornar à Nigéria, trabalhou como oficial de assistência social no aparelho judiciário de Lagos, onde iniciou a criação de um tribunal juvenil. Ela estimulou o surgimento de um número de clubes femininos em Lagos, e também ajudou na criação de uma associação de apoio à hanseníase.

Em 1949, deixou a Nigéria para estudar Direito, e depois de se formar advogada, em 1953, criou um escritório de advocacia em sociedade com Gloria Rhodes e trabalhou. Anos depois abandonou a advocacia para trabalhar como Oficial de Bem-Estar Social, tornando-se a primeira mulher africana a ocupar este cargo na Nigéria. 

Nos anos 1950-1960 trabalhou como gerente geral da Mobil Oil, consultora jurídica e diretora da Mobil Oil Nigeria (1957) e Secretária Executiva da Câmara de Comércio de Lagos (1967). Paralelamente, participou como membro da delegação da Nigéria nas Nações Unidas e embaixadora nigeriana na Suécia (1984-1987). Também foi co-fundadora da New Era Girls College (Colégio para Meninas Nova Era) e membro e presidente da International Federation of Female Lawyers (Federação Internacional de Mulheres Advogadas) (1975-1977).

BIBLIOGRAFIA

OGUMANAN, Chidi; Wesley Pue, W..  Lawyers’ professionalism, colonialism, state formation, and national life in Nigeria, 1900–1960: “the Fighting Brigade of the People”.  Social Identities, v.13, n. 6, p. 769-785, 2007.

OYEWESO, Siyan. Breaking the yoke of patriarchy: nigerian women in the various professions, politics and governance, 1914-2014. In: Text of the Lecture Delivered at the 2014 National Conference of Association of Women Judges of Nigeria (NAWJN), 2014: https://www.researchgate.net/profile/Siyan_Oyeweso/publication/286457836_BREAKING_THE_YOKE_OF_PATRIARCHY_NIGERIAN_WOMEN_IN_THE_VARIOUS_PROFESSIONS_POLITICS_AND_GOVERNANCE_1914-2014/links/566b0cb808ae430ab4f94b0f

Aissatou Yaou (1951)

Nascida em Tcheboa, ao Norte da República dos Camarões, estudou na escola secundária em Garoua e em Douala. Estudou economia na Universidade de Rouen, na França, onde obteve o título de bacharelado em 1975, e nas universidades de Georgetown e Claremont Graduate School, nos Estados Unidos, onde obteve em 1979 o título de MBA (Master’s degree in Business Administration).

De retorno ao seu país, atuou com sucesso na Société Nationale des Investissements – SNI (Sociedade Nacional de Investimentos), organização paraestatal de promoção do desenvolvimento econômico. Em 1988 assumiu o Ministério dos Assuntos das Mulheres, durante o governo de Paul Biya, mantendo-se no cargo até o ano 2000. 

Neste tempo, adotou medidas de incentivo à educação das mulheres, aboliu o direito reservado aos maridos de autorizar suas esposas a procurar emprego e promoveu uma reforma do código de família camaronês que garantia maior emancipação feminina. Representou o país na Conferência Internacional das Mulheres em Beijing e, com o apoio financeiro e material da Fundação Chantal Biya, criou duas associações femininas para o desenvolvimento, a CFR e a Professional Women Association (Associação Profissional das Mulheres), tendo organizado seminários, conferências e cursos de formação para a promoção das mulheres.

BIBLIOGRAFIA

KONDE, Emmanuel. African woman in politics: knowledge, gender, and power in male-dominated Cameronn. Lewiston: Edwin Mellen, 2005.

RICH, Jeremy. “Aissatou Yaou”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 6, p. 198-199.

TCHOUAKEU, Mesmin Kanguelieu. Histoire des femmes célèbres du Cameroun. Yaoundé: Cognito, 2008.

Albina Africano (1945)

Albina Faria de Assis Pereira Africano é uma química e mulher pública angolana. Nasceu em Luanda, no período da colonização portuguesa e se formou em ensino técnico secundário  no Instituto Industrial de Luanda (1967).

Albina Africano deu início ao estudo de química em 1972 na então Universidade de Luanda (atual Universidade Agostinho Neto), concluindo os estudos apenas em 1982 devido às turbulências da guerra civil que assolou o país após a declaração de independência em 1975.  Especializou-se em ciências da produção de petróleo, incluindo intercâmbios e estágios em Antuérpia (1984), no Instituto Francês do Petróleo – Novas Energias (1987) e no Instituto para Estudos de Energia da  Universidade de Oxford (1989).

Integrante das fileiras do Movimento Popular de Libertação de Angola – MPLA, tornou-se em 1976 diretora do departamento de análises no Laboratório Nacional de Análises Químicas em Angola, onde permaneceu até 1983, quando entrou para a empresa privada Fina Petróleos de Angola (Petrangol), primeiro como química e depois como diretora-adjunta do Departamento de Refinaria (1985-1991).

Nos anos 1990 foi membro do conselho e integrou a diretoria-executiva da empresa  petroleira estatal Sonangol, chefiando-a até 1999. Foi Ministra do Petróleo e Ministra da Indústria, antes de se tornar Assessora Especial da Presidência para Assuntos Regionais e, no período de 2004-2012, presidenta da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

BIBLIOGRAFIA

MANGUEIRA, José Pereira da Costa Barroso. Políticas de formação e endogeneização de capital humano em países em desenvolvimento: o caso da indústria petrolífera em Angola. Dissertação (Mestrado- Engenharia e Gestão de Tecnologia), Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2004.

Anna Kajumulo Tibaijuka (1950)

Nascida na comunidadE de Muleba, na Tanzânia, filha de camponeses plantadores de café e de banana, estudou na Universidade de Ciências Agrícolas de Uppsala, na Suécia.

No retorno ao país, trabalhou como professora de Economia na Universidade de Dar es Salaam, na Tanzânia. É autora de diversos livros e trabalhos de investigação sobre agricultura e desenvolvimento rural, sistemas de cultivo, política alimentar e comercialização agrícola. Em 1994 fundou o Conselho Nacional de Mulheres da Tanzânia, BAWATA, organização que luta pelos direitos econômicos e sociais femininos; em 1996 fundou um centro educativo que prima pela qualidade da educação de meninas na Tanzânia e em toda a África, baseando-se num modelo de escola secundária para jovens pobres, que na sua maioria são órfãs.

Trabalhou como membro da Comissão para África, criada pelo Primeiro-Ministro Tony Blair, tendo como resultado o cancelamento da dívida multilateral de vários países africanos no grupo dos G8 em 2005.

Anna Kajumulo foi a primeira mulher africana eleita pela Assembleia Geral das Nações Unidas como subsecretária geral. Em 2009 completou o seu segundo mandato de quatro anos como diretora executiva da UN-HABITAT devido ao êxito dela na criação de alianças estratégicas com instituições financeiras para o acompanhamento do investimento em habitação e infra-estruturas urbanas, como o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Asiático de Desenvolvimento.

Atualmente, faz parte da Comissão da Organização Mundial de Saúde e do Conselho Consultivo da Comissão para os Direitos Jurídico dos Pobres.

BIBLIOGRAFIA

TIBAIJUKA, Anna Kajumulo. Building prosperity: housing and economic development.  Abington; Nova Iorque: Taylor & Francis, 2009.

Antoinette Batumubwira (1956)

Diplomata e política do Burundi. Nasceu na cidade de Ngozi e pertence a uma proeminente família Tutsi. Entre 1979-1981, realizou curso de graduação e a seguir obteve Mestrado em Comunicação.

No início da carreira, trabalhou no jornal La Voix de la Révolution du Burundi (A Voz da revolução do Burundi), e a seguir tornou-se coordenadora das Relações Públicas para a ONU em Bujumbura (1981-1995). Casou-se com Jean-Marie Ngendahayo, um político que trabalhou como Ministro das relações exteriores do Burundi de 1993 a 1995.

Antoinette participou do Conseil National Pour la Défense de la Démocratie – Forces de Défense de la Démocratie – CNDD-FDD (Conselho Nacional para Defesa da Democracia – Força de Defesa da Democracia), um movimento rebelde que se opunha ao líder Pierre Buyoya, que ela considerava autocrata.

Na carreira pública, ela assumiu a chefia das Comunicações para o escritório da ONU nas Ilhas Comores (1999-2000) e trabalhou como consultora na Conferência das Nações Unidas Regional Africana (2002). A guerra sangrenta que devastou o Burundi em 2003-2004 a obrigou a deixar o país e se estabelecer na África do Sul. Na sequência, aceitou participar como Ministra das Relações Exteriores (2005-2009), com importante atuação internacional na Europa e na África para angariar apoio ao restabelecimento da democracia no país.

Como diplomata, Antoinette apoiou a presença Econômica crescente da República popular da China na África, e pleiteou uma aproximação de seu país com a comunidade britânica. Em 2007 seu nome foi indicado para a Comissão da União Africana nas eleições de 2008, mas ao final o governo do Burundi retirou apoio da candidatura dela e votou no nome de Jean Ping, do Gabão.   Em 25 de Fevereiro de 2009, ao fim de seu mandato como ministra, ela encerrou sua carreira pública.

BIBLIOGRAFIA

REYNTJENS, Filip. Brefing: Burundi – a peaceful transition after a decade of war? African Affairs, v. 105, p. 117-135, 2006.

RICH, Jeremy. “Antoinette Batumubwira”.  In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1,  p. 405-406.

Dambisa Moyo (1969)

Nascida em Lusaka, capital da Zâmbia, formada em química pela American University (1991) e com Mestrado em Finanças na Universidade de Harvard (1997) e Doutorado em Macroeconomia pela Universidade de Oxford (2002).

Dambisa Moyo concentrou os seus estudos em assuntos globais e nas políticas econômicas internacionais e seu impacto na África, prestando assessoria a bancos e conglomerados internacionais. Trabalhou dois anos no Banco Mundial e no conglomerado Goldman Sachs, antes de seguir carreira como conferencista e escritora.

A sua primeira obra, Dead aid: why aid is not working and how there is a better way for Africa  (Ajuda morta: Por que a ajuda não está funcionando e qual a melhor maneira para ajudar a África) (2009), sobre o fracasso da ajuda internacional ao continente, logo se tornou um bestseller nos Estados Unidos.

Em suas obras seguines alarga o ângulo da interpretação para o cenário extra-africano. Nos livros intitulados How the west was lost: fifty years of economic folly – and the stark choices that lie ahead (Como o Ocidente se perdeu: cinquenta anos de insensatez econômica – e as fortes escolhas que temos pela frente) (2011) e Winner take all: China’s race for resources and what It means for the world  (O vencedor leva tudo: a corrida da China por recursos e o que isso significa para o mundo) (2012), a análise diz respeito à política econômica dos Estados Unidos e outras economias ocidentais que contribuíram para a crise financeira de 2008, e como políticas de países emergentes como a China, Rússia ou os países do Leste poderiam alterar as regras do jogo como agentes econômicos.

VÍDEO

MOYO, Dambisa.Is China the new idol for emerging economies? In: TED – Ideas worth spreading: https://www.ted.com/talks/dambisa_moyo_is_china_the_new_idol_for_emerging_economies#t-12917

Ellen Johnson Sirleaf (1938)

Presidenta liberiana e primeira presidenta eleita de um país africano, filha de pai de etnia Gola e mãe de etnia Kru. Nasceu na cidade de Monróvia com o nome de nascimento de Ellen Johnson, alterado quando aos dezessete anos se casou com James Sirleaf, com quem teve quatro filhos que ficaram com o pai após um divórcio motivado por violência e abusos. Obteve formação superior nos Estados Unidos (1962),  na Faculdade de Negócios de Madison e na Universidade de Harvard, onde realizou o Mestrado em Administração Pública.

Na Libéria, trabalhou no Departamento do Tesouro e chegou a ser Ministra das Finanças (1979) sob o governo de William Tolbert. Durante o golpe militar que depôs este presidente, em 1980, Ellen foi uma das únicas pessoas do gabinete a não ser executada. Foi nomeada pelo novo presidente, Samuel Doe, presidenta do Banco Liberiano para Desenvolvimento e Investimento, o que não impediu que fosse presa duas vezes e, finalmente, exilada. Em quinze anos de exílio, trabalhou para o Citibank no Quênia e no Banco Mundial para o Programa de Desenvolvimento da ONU.

Nas eleições presidenciais de 1997 foi derrotada por Charles Taylor numa disputa desigual, uma vez que seu adversário tinha uma estação de rádio privada e o exército mobilizado a seu favor. Voltou a disputar a presidência em 2005. Impulsionada por movimentos de mulheres pela paz capitaneados por Roberta Leymah Gbowee, que conferiram a ela legitimidade moral e política, foi eleita entre 22 candidatos, derrotando a estrela do futebol, George Weah, no segundo turno, em janeiro de 2006. Herdou um país devastado pela guerra e com desemprego em torno de 85%. Suas principais realizações como presidenta foram o perdão da dívida externa da Libéria, um programa para a redução da extrema pobreza e uma reforma completa do sistema legal do país.

BIBLIOGRAFIA

FUEST, Veronika. This is the time to get in front: changing roles and opportunities for women in Liberia.  African Affairs,  n.  107, p. 201-224, 2008.

HARRIS, David. Liberia 2005: An unusual african post-conflict election.  Journal of Modern African Studies, v. 44, p. 375-395, 2006.

JOHNSON SIRLEAF, Ellen. This child will be great: memoir of a remarkable life by Africa’s first woman President. Nova Iorque: Harper, 2009.

MORAN, Mary. “Ellen Johnson Sirleaf”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 215-217.

Esther Afua Ocloo (1919-2002)

Nascida como Esther Afua Nkulenu, era filha de um casal de camponeses pobres (o pai era ferreiro, a mãe, oleira e agricultora) da região do Rio Volta, ao norte da atual República de Gana, que arcaram com os gastos de seus estudos primários, em uma escola presbiteriana, e depois, com o apoio financeiro da empresa Cadbbury Chocolate Company realizou os estudos na prestigiosa Achimota School, onde obteve certificado, o Cambridge School Certificate,  em 1941.

Ainda na Achimota School, aprendeu nas aulas de ciências sobre o fabrico de marmelada, e em 1943, com o apoio de um tia, que vendeu nas ruas de Accra aos oficiais da adminisração colonial inglesa. Com o lucro inicial, investiu na venda de suco de laranjas, inicialmente aos estudantes e professores da Achimota School e depois nos estabelecimentos militares, mediante contrato comercial. 

Com o patrocinio da administração do colégio , Esther viajou para a Inglaterra entre 1949-1951, sendo a primeira pessoa negra a obter um diploma de cozinheira do Good Housekeeping Institute, em Londres, e a obter  uma pós-graduação no curso de Conservação de Alimentos de Long Ashton Research Station, no Departamento de Horticultura da Universidade de Bristol em 1951.  Em  Ghana, obteve financiamento bancário com o qual montou a Nkulenu Indutries,  a primeira fábrica de processamento de alimentos, com foco na preparação e distribuição de suco de laranja e marmelada.

O sucesso como empreendedora garantiu a ela posição de liderança nos negócios de seu país que, na época, estava em luta pela independência da Inglaterra. Esther fundou e atuou em diversas associações, inclusive a Federation of Ghanaian Industries (Federação das Indústrias de Ghana) em 1956, mas com o tempo dispendeu esforços para estimular artesãos e pessoas das camadas populares, em particular as mulheres. Em 1976, na Conferência das Nações Unidas da Década das Mulheres, propôs, junto com Michaela Walsh e Ela Bhatt a criação do Women’s World Banking (Banco Mundial das Mulheres), instituição com linhas de micro-crédito para mulheres, que ela presidiu no período de 1976-1985.

Por sua capacidade de iniciativa e liderança, Esther Ocloo recebeu diversos prêmios e honrarias locais, nacionais e internacionais. Ela foi a primeira mulher a receber o prêmio internacional  Africa Prize for Leadership (Prémio Africano para a Liderança) devido às suas iniciativas para a criação de alternativas sustentáveis para a erradicação da fome no continente.

BIBLIOGRAFIA

DARKWAH, Akosua. “Esther Afua Occlo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 541-542.

OCLOO, Esher. Woman power. Canadian Speeches, v. 16, n. 3, p.  64, 2002.

Folayegbe Akintunde-Ighodalo (1923-2005)

Pioneira do movimento feminista na Nigéria, funcionária pública, e democrata, nasceu em Okeigbo, hoje uma pequena cidade no Estado de Ondo. Seu nome completo era Felicia Folayegbe Mosunmola Idowu Akintunde-Ighodalo, e sua família pertencia ao grupo étnico yoruba, sendo a mãe dela descendente do Ooni (rei-sacerdote) Derin Ologbenla – da linhagem governante de Ile-Ifé. Embora os pais tivessem adotado o cristianismo como religião, ela foi criada pela comunidade familiar em que alguns membros continuavam as práticas religiosas tradicionais.

Começou o estudo primário em escola missionária e ganhou uma bolsa para o Queen’s College, escola secundária do governo de elite para garotas em Lagos. A seguir, estudou na Cambridge School (1941) e entrou para o United Missionary College, em Ibadan, onde se formou para o Magistério em 1943. Nos primeiros cinco anos de vida profissional, trabalhou em diversas escolas secundárias em Lagos, Sapele e Ile-Ifé, e a seguir ganhou uma bolsa de estudos que lhe permitiu estudar na Universidade de Londres. 

Durante sua formação universitária, participou de organizações estudantis e ingressou no movimento anticolonial, adotando as premissas do pan-africanismo. Quando estudou Economia na Escola de Comércio Politécnica Regent Street (1954), trabalhou em meio período nos correios. Ao abraçar mais diretamente a causa e os valores nacionalistas, rejeitou o nome cristão, Felicia, em favor de seu nome yoruba, Folayegbe, ou sua forma abreviada, Fola. Ela foi então contratada para trabalhar no governo nigeriano, em Ibadan, casou-se com Jeremiah Ighodalo e deu à luz ao seu primeiro filho.

Nas atividades desenvolvidas junto ao Ministério do Desenvolvimento, sentiu a discriminação dos superiores britânicos pelo fato dela ser mulher, mas conquistou espaço e respeito por sua determinação e qualificação. Atuou em diversos ministérios, incluindo comércio e indústria; educação; trabalho e transporte; agricultura e recursos naturais; e assuntos internos e informação.

Em 1958 ela preparou os novos quadros de secretários que assumiriam o trabalho administrativo após a independência, e ajudou a projetar a política industrial e agrícola que modelaram os planos de desenvolvimento regional antes da primeira tomada de controle militar em 1966. Em 1968, foi promovida ao posto de secretária permanente do governo, tornando-se a primeira mulher nigeriana a ocupar esta função até 1976, quando se aposentou. É vista como um modelo de servidora pública de carreira para jovens mulheres que almejam alcançar o ensino superior e ingressar na vida profissional e na vida pública.

Diversas vezes foi convidada a falar como porta-voz das mulheres em questões relativas ao desenvolvimento, em discursos, conferências e matérias jornalísticas. Embora não pudesse tomar parte em atividades políticas devido a sua posição no serviço público civil, ela teve papel em diversas organizações de mulheres, com participação no Council of Women’s Societies (Conselho das Sociedades de Mulheres) (1957) e na fundação da Associação Nigeriana das Mulheres Universitárias – NAUW, da qual veio a ser presidenta (1980-1984).

Depois da aposentadoria, gerenciou negócios agrícolas, participou de conselhos, prestou serviços de consultoria e integrou comissões de inquérito. Intensificou a participação no movimento de mulheres e participou de vários programas de valorização comunitária, além de manter profundo interesse por ações ligadas a cultura tradicional yoruba.

Em 1972 ela recebeu dois títulos tradicionais, o primeiro, como Otun Iyalode de Ifetedo, e o segundo, como Wabodu de Okeigbo. Este último título lhe conferia as responsabilidades como princesa principal da casa de governo Giesi de Ile-Ife. Em reconhecimento ao serviço prestado à Nigéria, o presidente Olusegun Obasanjo a investiu como Oficial da Ordem do Níger em 1977.

Fonte da imagem: Blog Emotan. 04 jan. 2012. Disponível em:  https://emotan.wordpress.com/2012/01/04/nigerian-womens-empowerment-the-voice-of-folayegbe-akintunde-ighodalo/. Acesso em: 11 dez. 2020.

BIBLIOGRAFIA

DENZER, LaRay. Folayegbe M. Akintunde-Ighodalo: a public life. Ibadan: Sam Bookman Publishers, 2002.

DENZER, Laray. “Folayegbe Mosunmola Akintunde-Ighodalo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 145-147.

MCINTSH, Marjorie Keniston. Yoruba women, work, and social change. Bloomington: Indiana University Press, 2009. 

Françoise Foning (1949-2015)

Empresária e líder política da República dos Camarões.  Nasceu na região oeste de Menoua, de uma família popular do grupo étnico-linguístico bamileké. Ela se casou e teve seis filhos.

 Com o apoio familiar, entrou no negócio do turismo na Cidade de Douala, no sul do Camarões, quando tinha doze anos. Em 1967 Françoise deu início a sua longa carreira como empreendedora em Douala ao criar um restaurante chamado New Style. Logo ela ampliou o negócio para o ramo dos táxis, passando dentro de algum tempo da ter mais de 150 deles; a atuar em uma empresa de cascalho chamada Les Graviers Unis. Depois, foi proprietária da companhia de importação-exportação de alimentos SOCAMAC; da firma de comércio exterior Ovicam e do negócio de móveis Anflo, cujos negócios foram estendidos para os Estados Unidos e a Europa.

Nos anos 1970 ela atuou no Ministério do Turismo de Camarões, mas logo deixou o serviço público. Comprou uma clínica médica e fundou uma escola em sua cidade natal, Deschang, o Collège de la Fraternité.  Recebeu diversos planos do governo camaronês e recebeu do sultão de Bamun o respeitado título de njih, enquanto a comunidade Bafou a coroou como sua rainha. Para os pobres do país, ela passou a ser sinônimo de riqueza.

O prestígio e influência de Françoise levaram a que se aproximasse do presidente, Paul Biya, passando a fazer negócios com diversos ministérios do governo. Era ativa apoiadora do partido do governo, o Movimento Democrático Popular do Camarões – CPDM, onde passou a controlar a seção das mulheres em 1997 junto com Chantal Biya,  a primeira dama do país, com quem também dividiu a direção da organização de caridade Fondation Chantal Biya.

Em 2002 Françoise assumiu o cargo de vice-prefeita de Douala; também serviu na Assembleia Nacional de 2002 a 2007 e foi reeleita em 2009, apesar das acusações de desvio de dinheiro público. Sua grande habilidade pessoal e empresarial e sua capacidade de liderança a levaram a se tornar líder de várias associações de mulheres e grupos empresariais,  a assumir e se manter como presidenta da Associação de Mulheres Empresárias dos Camarões e a chefiar a Rede Africana para o Apoio de Empreendedoras Mulheres.

Reconhecida líder pelo Banco mundial, Banco de Desenvolvimento Africano e várias outras agências internacionais, participou de numerosas conferências, consultorias e encontros internacionais, inclusive no Summit EUA/África,  em Washington, a convite do presidente George W. Bush.

Sofreu um acidente de carro em 2003 e outro em 2015, sendo este fatal.  Foi a empresária mais notável na história  do seu país.

BIBLIOGRAFIA

BABENI. Leontine. Femmes d’impact. Yaoundé;  Éditions Tropiques, 2011

FONGUIENG, Dieudonné Tahafo. Histoire des femmes célèbres du Cameroun, Yaounde:  Editions Portraits, 2008.

RICH, Jeremy. “Françoise Foning”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 381-382.

SOSSO, Ginette P. N. A.. Les femmes entrepreneures dans la société politique camerounaise. These (Doctorat) Université de Bourdeaux, 2015.

Josephine Ouédrago (1949)

Josephine Ouédrago nasceu em koudougou, na então colônia francesa de Alto Volta, atual Burkina Faso. Seu pai foi membro no Parlamento francês como representante da África Ocidental Francesa, e sua mãe era analfabeta. Ela foi criada na tradição cultural dos povos Mossi, de onde descendia. Fez os primeiros estudos em Koudougou, e completou o curso secundário em Paris, no Institut de la Tour (1968). Em seguida aprofundou os estudos como assistente de desenvolvimento social e de Serviço Social, sendo diplomada em 1969. 

Participante de uma família da elite política da jovem república de Burkina Faso, Josephine teve participação direta em postos de decisão. Foi Ministra do Desenvolvimento Familiar e Solidariedade durante o governo de Thomas Sankara (1984-1987).  Neste momento, implementou políticas de emancipação e igualdade para as mulheres. 

Em 1987, com a queda de Sankara e a instalação do governo de Blaise Compaoré ela buscou exílio voluntário na República dos Camarões, onde se tornou consultora independente do Instituto Pan-Africano de Desenvolvimento (IPD), em Douala. Foi também Diretora do setor reservado às questões de Gênero e Desenvolvimento e, em seguida, Secretária Executiva Adjunta da Comissão Econômica para a África (ECA).

BIBLIOGRAFIA

RUPLEY, Lawrence; Bangali, Lamissa; Diamitani, Boureima. Historical dictionary of Burkina Faso. Lanham; Toronto;  Plymouth: Scarecrow Pres, 2013.

MURRAY, Amber. The revolution cannot triumph without the emancipation of women: a reflection on Sankara speech, 25 years later.  International Journal of Socialist Renewal, 2012: http://links.org.au/node/2969

Luisa Dias Diogo (1958)

Nascida na Província de Tete, em Moçambique colonial. Frequentou a escola secundária em Maouto realizou o curso superior na Universidade Eduardo Mondlane, formando-se em 1983, e obteve o título de mestra em Economia e Finanças na Universidade de Londres em 1992.

Começou a atuar no Ministério da Economia em 1980, vindo a ocupar postos de direção no período de 1989-1993. Trabalhou temporariamente no Banco Mundial em Moçambique (1993-1994), e retornou ao governo em 1994, nomeada Ministra de Planejamento e Finanças em 1999-2005, e assumiu também o cargo de Primeira-Ministra (2004-2010), sendo a primeira chefe de estado mulher da África austral contemporânea.

Durante a sua atuação como Primeira Ministra, Luisa Diogo elegeu como uma das prioridades de seu governo a questão da paridade de gênero e do empoderamento das mulheres. Criou a Rede das Mulheres Ministras e Parlamentares de Moçambique, rede essa que luta pela defesa e promoção das mulheres a cargos de liderança.

Em 2012 tornou-se presidenta do Barclays Bank de Moçambique e é também participante da African Union Foundation e do Clube de Roma.

BIBLIOGRAFIA

HENDERSON, Frances. Luísa Dias Diogo: gender and political leadership in Mozambique. In: Montecinos, V. (Eds). Women presidents and prime ministers in post-transition democracies. Londres: Palgrave MacMillan – Studies in Political Leadership, 2017.

HENDERSON, Frances. “Luisa Dias Diogo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 208.

HUGHES, M. M.;  Tripp, A. M.. Civil war and trajectories of change in women’s political representation in Africa, 1985–2010. Social Forces, v. 93, n. 4, p. 1513–1540, 2015.

JACOBSON, R.. Women’s political participation: Mozambique’s democratic transition. Gender & Development, v. 3, n. 3, 29–35, 1995.

NZEGWU, N. (2007). The indomitable Luisa Dias Diogo.  JENDA: A Journal of Culture and African Women Studies, v. 10, p. 2-8, 2007.

Marie-Angélique Savané (1947)

Socióloga e ativista senegalesa, nasceu na cidade de Dakar, em uma família católica. Frequentou a escola primária e secundária no Senegal e cursou sociologia na França.

Depois de completar os estudos tornou-se jornalista, editora-chefe da revista Famille et Développement de 1974 à 1978.  A seguir, atuou como pesquisadora do Instituto de Pesquisa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social, tornando-se em 1990 assessora especial do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados e permaneceu nessa posição até assumir a direção da agência na África Ocidental (1992).  Mais tarde ela se tornou diretora dos projetos da agência em todo o continente africano (1994-1997).

Ao mesmo tempo em que Savané se engajou no desenvolvimento econômico, ela também direcionou o foco de suas propostas para as questões que afetam a condição legal e social das mulheres, em particular das mulheres senegalesas. Em 1987 ela foi uma das fundadoras do Yewwu Yewwi, uma associação feminista senegalesa. O título vem de uma expressão wolof que significa “acordar e depois acordar outra pessoa”. O grupo reivindicou igualdade de direitos econômicos, sociais e políticos para homens e mulheres e desenvolveu programas destinados a erradicar a mutilação genital feminina, bem como promover projetos econômicos rurais.

Ela também foi uma das fundadoras da Associação de Mulheres Africanas para Pesquisa e Desenvolvimento (1977) e do Fórum das Organizações Voluntárias Africanas de Desenvolvimento, além de participar do Conselho para o Desenvolvimento das Ciências Sociais na África – CODESRIA. Seu trabalho chamou a atenção de numerosas estudiosas feministas e ativistas em outras partes da África, Europa e América do Norte.

Ela também se envolveu em questões da vida política senegalesa. Seu marido, Lansing Savané, era um líder da oposição. Ela entrou em conflito com Mamadou Diouf Decroix, figura de proa da esquerda e  membro do Partido Democrático Senegalês, e criticou abertamente o presidente Abdoulaye Wade (2000-2012) por seu governo não fazer o suficiente para melhorar a situação das mulheres.

 Entre suas controvérsias pessoais, destaca-se em 1998 o processo movido por sua empregada, Elizabeth Senghor, que reivindicava o pagamento de horas extras quando prestou serviços a ela em Nova Iorque. Quando atuou como representante do NEPAD (Nouveau Partenariat pour le Développement de l’Afrique), foi acusada pela imprensa beninense de receber favorecimentos e benefícios ilegais do governo do Benin, e embora a acusação de corrupção não tenha sido provada ela foi demitida do cargo em 2009.

Em que pese tais problemas ou controvérsias, seu nome permanece influente entre as feministas do Senegal. 

BIBLIOGRAFIA

MORGAN, Robin (Ed.). Sisterhood is global: the international women’s movement anthology. New York: Peminist Press, 1996.

RICH, Jeremy. “Marie-Angelique Savané”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 290-291.

SAVANÉ, Marie-Angélique. Les projets pour les femmes en milieu rural au Sénegal. Genebra: Bureau International du Travail, 1983.

Ngozi Okonjo-Iweala (1957)

Nascida em uma família de alta linhagem no atual Estado do Delta, ao sul da República da Nigéria, recebeu na infância sólida formação escolar. Seu pai, Chukwuka Okonjo, era professor de Economia e detinha o título de Obi (rei), na linhagem real do reino de Ogwashi-Ukwu;  e sua mãe, Kamene Okonjo, foi destacada médica e professora de sociologia na Universidade da Nigéria, em Nsukka.

Na infância, Ngozi estudou na Queen’s School, em Enugu, na St. Anne’s School, em Molete, e na International School, em Ibadan. No início da década de 1970 foi encaminhada para realizar estudos universitários nos Estados Unidos, tendo estudado na Universidade de Harvard no período de 1973-1976, onde se formou com máxima distinção em Economia. Alguns anos mais tarde completou o Doutorado em Economia Regional e Desenvolvimento no Massachusetts Institute of Technology, com tese  intitulada  Credit policy, rural financial markets, and Nigeria’s agricultural development ( Política de crédito, mercados financeiros rurais e desenvolvimento agrícola na Nigéria (1981).

Ojonjo-Iweala atuou em importantes postos de governo do seu país, tendo atuado como Ministra das Finanças da Nigéria durante o governo do presidente Olusegun Obasanjo (1999-2007), e depois como Ministra de Relações Exteriores. Por sua alta qualificação e sua grande capacidade de negociação,  liderou os acordo econômicos com o Clube de Paris que permitiram a renegociação da Divida Externa do seu país e em 2003 assumiu a liderança na gestão macroeconômica nigeriana e no desenvolvimento de práticas visando a transparência na governança e a eficiência na gestão financeira mediante sistemas eletrônicos e lançando as bases da criação de um  Sistema Integrado de Gestão Financeira e Informação do Governo (GIFMIS) – o que ajudou a coibir ações de corrupção na esfera pública. Suas ações contra a corrupção endêmica, sobretudo na área de exploração do petróleo, levou a que sofresse sucessivas ameaças pessoais, e motivou o sequestro de sua mãe, mantida em cativeiro durante seis dias no ano de 2012, episódio relatado na abertura do seu livro Fighting corruption is dangerous: the story behind the headlines (Lutar contra a corrupção é perigoso: a história por trás da manchetes) (2018)

Por sua formação e sua vivência nos Estados Unidos, ela desenvolveu longa experiência como executiva junto ao Banco Mundial durante cerca de vinte e cinco anos, ocupando duas vezes o cargo de diretora-executiva, diretora-gerente e supervisora da carteira operacional do Banco Mundial na África, Sul da Áia, Europa e Ásia Central. Liderou várias iniciativas dirigidas a promover as economias de países pobres ou emergentes, com projetos de cooperação. Desde 2015 preside iniciativas internacionais de promoção e oportunidades de financiamento de educação em nível global e participa de uma Comissão Global para a Economia e o Clima. Em 2020 foi nomeada pela União Africana para obter apoio internacional no combate aos efeitos da Pandemia de Covid 19.

Em junho de 2020 Ngozi Okonjo-Iweala foi indicada pela presidência da Nigéria para o cargo de Diretora-Geral da Organização Mundial do Comércio, obtendo apoio da União Européia e sofrendo restrição por parte do Governo norte-americano do Presidente Donald Trump. No início de 2021, com a ascensão da administração Joe Biden, o veto norte-americano foi retirado, o que levou à confirmação de sua candidatura. Primeira mulher a ocupar a posição máxima da mais importante instituição do sistema multilateral do comércio mundial, Ngozi alcança posição privilegiada e estratégica nas mais altas esferas de decisão da economia mundial.

Na vida pessoal, ela é casada com o neurocirurgião Ikemba Iweala, com que teve três filhos e uma filha, todos(as) coom formação universitária nos Estados Unidos, nas Universidades de Harvard e de Columbia. Formalmente, Ngozi recebeu cidadania nos Estados Unidos em 2019.  

BIBLIOGRAFIA

GILLARD, Julia; OKONJO-IWEALA, Ngozi. Women and leadership: real lives, real lessons. Midland (Australia): Penguim Handom House Austalia, 2020.

OKONJO-IWEALA, Ngozi; SOLUDO, Charles Chukwuma; MUHTAR, Mansur (eds.). The debt trap in Nigeria: towards a sustainable debt strategy. Trenton, NJ: Africa World Press, 2003.

VALLELY, Paul. Ngozi Okonjo Iweala: The woman who has the power to change Africa. JENDA: Journal of Culture and African Woman Studies, n. 9, 2006.

Pascaline Bongo (1956)

Política e Ministra das Relações Exteriores do Gabão. É uma das filhas do presidente Omar Bongo Ondimba, que governou o país de 1967 a 2009, e Louise Mouyabi Moukala. Nasceu em Franceville, capital da província de Haut -Ogooué.  Por sua condição privilegiada, frequentou o ensino primário e secundário no país e mudou-se com a irmã mais nova para Los Angeles, Estados Unidos, onde passou a frequentar a Universidade da Califórnia (1979). Pouco antes de sair do país, manteve um breve romance com o cantor Bob Marley.

Depois de formada, foi nomeada pelo pai como Ministra das Relações Exteriores (1991-1994), não mediu esforços para organizar a visita de Michael Jackson ao Gabão em 1992, e teve papel fundamental no resultado das eleições presidenciais de 1993, que garantiram, segundo muitos, por meios fraudulentos, a continuidade de Omar Bongo, em disputa contra o adversário Paul Mba Abessolé.

Pascaline participou do conselho do Banque Gabonaise et Française Internationale – BGFI (Banco Internacional Gabonês e Francês), uma das mais importantes instituições financeiras nacionais na passagem do século XX para o XXI e também integrava o conselho executivo do Total Gabon, o ramo gabonês da corporação multinacional Elf/Total. Suas atividades na França chamaram por vezes a atenção das cortes e deram origem a investigações. Tendo sido condenada em um processo movido por corrupção envolvendo a Elf/Total, foi multada em 2 milhões de euros pela corte francesa em 2007.

Em julho de 2008 Pascaline foi indicada como Diretora da Gabon Mining Logistics (GML), principal responsável pela parceria entre o governo gabonês e as empresas chinesas que pretendiam construir um complexo gigante de exploração de minério de ferro em Belinga, uma região remota no nordeste da Província de Ogooué-Ivindo. Também trabalhou ativamente para gerenciar o lobby nos Estados Unidos em favor do Gabão.

Mesmo com influência limitada nos rumos do governo gabonês, sua presença e participação no regime da dinastia dos Bongos vem se consolidando desde a década de 1980. Após a morte do pai, em 2009, ela continuou a ser a principal conselheira do irmão, Ali Ben Bongo, que venceu a eleição presidencial naquele mesmo ano.

BIBLIOGRAFIA

NJOYA, Jean. Parenté et politique em imbrication: la construction politico-juridique de la succession héréditaire. Polis, v. 16, n. 102, 2009: http://polis.sciencespobordeaux.fr/vol16n1-2/njoya.pdf

RICH, Jeremy. “Pascaline Bongo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1,  p. 487-488.

YATES, David. Neo-“Petro-monialism” and the rentier state in Gabon. In: BASEDAU, Matthias; MEHLER, Andreas (Eds.). Resource politics in Sub-saharan Africa. Hamburg:  Hamburg African Studies, 2005,  p. 173-190.

Souad Triki (1948)

Nascida em Túnis, capital da Tunísia. O pai era enfermeiro e chefe de serviço no Hospital Ernest Couteil e a mãe permaneceu até o fim da vida no serviço doméstico do lar. Estudou o primário e o secundário em escolas na capital, e desde aquele momento recusou-se a usar o véu. No início dos anos 1970 cursou Economia na Universidade de Paris, onde também completou o mestrado (1975) e desenvolveu estudos de doutorado.

Nos anos 1980 Souad Triki ingressou na vida universitária tunisiana, vindo a atuar como pesquisadora no Centre National d’Études Industrielles (Centro Nacional de Estudos Industriais) e foi professora assistente na Universidade de Túnis, antes de prestar concurso no Departamento de Economia do Institut National Agronomique de Tunisie – INAT (Instituto Nacional Agronômico da Tunísia).

Paralelamente, ingressou na vida política, com militância no Partido Comunista e na União Geral dos Trabalhadores, mas aos poucos se alinhou aos movimentos feministas, primeiro no Club Tarar Haddad (1979-1980), depois na criação da Revista “Nissa” (Mulher) (1983-1986) e na fundação da Association Tunisienne des Femmes Démocratiques –ATFD (Associação Tunisiana das Mulheres Democratas) (1989) e a Association des Femmes Tunisiennes Pour la Recherche sur le Développement – AFTURD (Associação das Mulheres Tunisianas para a Pesquisa e o Desenvolvimento) (1989), que ela presidiu de 1999 a 2006.

Em sua trajetória como militante e como pesquisadora, destaca-se pelas pesquisas em economia e estatística que permitiram um mapeamento das condições de trabalho e salário das mulheres na Tunísia, em particular o trabalho doméstico e o trabalho não assalariado. Também participou dos debates sobre as reformas do código de família e sobre a aquisição de direitos civis no âmbito de uma sociedade como a tunisiana, marcada pelos preceitos corânicos.

Participou ativamente da Revolução de Jasmin, o conjunto de manifestações ocorridas entre 2010-2011 que levaram à queda do regime de Zine el-Abidine Ben Ali, que governava o país desde 1987. Na ocasião ela foi eleita vice-presidente da comissão que preparou as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte.

BIBLIOGRAFIA

LOCH, Thérèse; MERON, Monique. Souad Triki, une feministe pour la démocratie en Tunisie. Travail, Genre et Sociétés, n. 38, p. 5-25, 2015.

Sylvie Kinigi (1953)

Primeira-ministra do Burundi de junho de 1993 a fevereiro de 1994. Nasceu com o nome de Sylvie Ntigashira, em Mugoyi, na província de Bujumbura. Depois dos estudos do primário e secundário com as irmãs da paróquia Ijenda, estudou e se formou na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Burundi (1979), com graduação direcionada a crédito bancário. A seguir, obteve DES (Diplôme d’etudes supérieures) em atividade bancária e finanças no Centro Internacional de Formação da Profissão Bancária em Paris (1990).

No mesmo ano, ao retornar ao seu país, foi contratada pelo Banco Central da República do Burundi (BRB), vinculado ao FMI, onde foi diretora do Departamento de Pesquisa e Estatísticas (1990 – 1991), o que lhe permitiu manter um programa de ajustamento estrutural ligado ao Primeiro Ministro (1991-1993).  Com a vitória da Frente pela Democracia no Burundi (Frodebu) nas eleições gerais em junho de 1993, Sylvie foi escolhida como Primeira Ministra pelo novo presidente, Melchior Ndadaye.

Como líder do governo, ela logo reconheceu as divisões que prejudicavam o partido vencedor. A escolha de uma Tutsi para liderar o governo foi, sem dúvida, parte de uma estratégia do novo presidente para construir unidade entre os dois principais constituintes do Burundi (Tutsis e Hutus). Este modelo foi inspirado em Ruanda, onde também uma mulher, Agathe Uwilingiyimana, tinha sido indicada como líder do governo de transição.

Porém, o assassinato do presidente quatro meses depois da posse, a morte do presidente em exercício da Assembléia Nacional e a escalada de violência que tomou conta do país inviabilizou sua possibilidade de governar. A reconciliação entre os grupos étnicos Hutu e Tutsi foi anunciado como prioridade antes do desenvolvimento de um plano econômico para um Burundi moderno. Seus esforços em mudar o país tiveram sucesso no início de 1994 – uma aparente ordem foi restaurada e planos foram estabelecidos para uma nova eleição presidencial.

 Passada a crise e restabelecida a normalidade, Kinigi voltou para administração bancária, dessa vez como a número 2 do Banco Comercial do Burundi (Bancobu). Ela então assumiu uma carreira internacional que a levou à UNESCO. Depois, trabalhou como representante especial da Secretaria Geral das Nações Unidas para os Grandes Lagos. Ao voltar ao Burundi em 2008, ela trabalhou como consultora independente do setor econômico e afirmou sua vontade em auxiliar mulheres do Burundi na luta pelo acesso à propriedade de terra e bens.

Sylvie se casou em 1973 com acadêmico Firmin Kinigi, falecido em 1993, com quem teve cinco filhos.

BIBLIOGRAFIA

HATUNGIMANA, Alexandre. “Sylvie Kinigi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 387-389.

KINIGI, Sylvie, Women and conflict management in Africa: an experiential perspective. In: ADERINWALE, Ayodele (Ed.). Empowering women for the 21st century: the challenges of politics, business, development and leadership. Accra: African Leadership Forum Publications, 1997.

Tejumade Alakija (1925–2013)

Educadora nigeriana, funcionária pública, ativista dos direitos das mulheres.  Nasceu em Ile-Ifé, era filha do Ooni (governante) Adesiji Aderemi, governante tradicional da cidade sagrada da comunidade yoruba. Frequentou a escola primária nas Escolas Primária e Central Aiyetoro em Ile-Ife (1933-1937) e no Internato de ensino primário Kudeti em Ibadan. Completou a formação na Inglaterra, onde se graduou em História e fez pós-graduação em Educação na Universidade de Oxford (1951).

Retornando ao seu país, atuou no serviço colonial, lecionando na Escola Pública Primária da Rainha na cidade de Ede (1950-1953). A seguir, fundou uma escola secundária para meninas com o apoio da Missão Anglicana na diocese de Ijebu-Ode, que dirgiu por quatro anos, e lecionou na escola primária de Abeokuta (1958).

Com a independência (1960), Tejumade Alakija assumiu a função de secretária assistente no Ministério Público do Trabalho, e como oficial de treinamento na região da Nigéria Ocidental, no Estado de Oyó (1962), quando seu pai era o governador regional. Nos anos seguintes, foi nomeada secretária assistente do Ministério do Comércio e Indústria na Nigéria Ocidental (1964), e depois diretora de investimentos no Ministério do Comércio (1969), quando supervisionou diversos projetos industriais e de desenvolvimento. De 1976 a 1978 assumiu o cargo de secretária adjunta do Ministério da Saúde. Depois, no Ministério da Educação, simplificou o sistema de admissão para universidades de toda a Nigéria (1978-1979). Continuou a ocupar postos na administração pública até 1983, quando se aposentou.

Nos anos 1990, Tejumale Alakija teve participação importante na administração do ensino superior, como pró-chanceler e presidenta do Conselho na Universidade de Abuja (1993- 1997). Na primeira década do século 21, prestou assessoria informal a líderes políticos nigerianos e continuou a servir como iyalodê (chefe mulher) de sua cidade. Muitos líderes políticos e destacados intelectuais compareceram na festa de seu 80° aniversário em 2005, quando representava um modelo de estadista para jovens gerações de feministas nigerianas.

BIBLIOGRAFIA

FALOLA, Toyn; GENOVA, Ann. Historical dictionary of Nigeria. Lanham: Scarecrow Press, 2008.

MADICHIE, N. O.. Setting an agenda for women entrepreneurship in Nigeria: A commentary on Faseke’s journey through time for The Nigerian Woman. Gender in Management, v. 26, n. 3, p. 212-219, 2011:  https://doi.org/10.1108/17542411111130972

RICH, Jeremy. “Tejumade Alakija”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 155-156.

Victoria Fikile Chitepo (1928–2016)

Nascida em Natal, África do Sul,  com o nome de Victoria Fikile Mahamba-Sithole. Foi educadora, ativista política, membro do Parlamento, ministra de gabinete e integrante  do Zimbabwe African National Union-Patriotic Front – ZANU-PF (Frente Nacional da União Patriótica do Zimbábue). Originária de uma família emigrada da então  Rodésia do Sul, frequentou  a escola secundária  no Adams College, uma dos mais antigos estabelecimentos voltados para a educação de pessoas negras. Neste período, conheceu o futuro marido, o nacionalista  Herbert Wiltshire Tapifumanei Chitepo.  

Obteve o bacharelado na  Universidade de Birmingham, tornando-se professora e ativista política em Natal (1955), e foi a primeira advogada negra a atuar na Rodésia do Sul. Participou da liga das mulheres e jovens da Salisbury City Youth League – SCYL, movimento de resistência criado em 1956 por educadores, intelectuais e ativistas políticos anti-coloniais que depois viria a constituir o National Democratic Party – NDP (Partido Nacional Democrático), criado em 1960, antes que os partidos políticos e ativistas fossem banidos pelo governo da Rodésia do Sul.

Victoria militou junto com Herbert na resistência colonial na Rodésia do Sul e o acompanhou até a Tanzânia, onde ele trabalhou no Ministério Público a convite do presidente Julius Nyerere e ela se tornou funcionária na Universidade de Dar es-Salaam. Sua situação ficou muito precária quando Herbert foi assassinado por um atentado à bomba em Lusaka, na Zâmbia. Victoria permaneceu com os seus seis filhos na Tanzânia (1974-1980), trabalhando como professora de inglês na biblioteca da International School Moshi (ISM), onde alguns de seus filhos estudaram.

Com a emancipação política do Zimbábue ela voltou ao país, concorreu e foi eleita para o Parlamento representando a província de Manicalândia.  Foi indicada como Vice-Ministra da Educação e da Cultura e Vice-Ministra de Informação e Telecomunicações (1980-1982), e depois foi nomeada Ministra dos Recursos e do Turismo(1982-1990). Também atuou como presidenta do Conservation Trust, uma Organização Não Governamental (ONG). Foi durante o seu mandato como ministra que o Zimbábue, junto com outros países africanos, juntaram-se para reivindicar maior engajamento da comunidade internacional em assuntos como sustentabilidade, clima e meio ambiente. Após a sua aposentadoria em 1992 ela continuou a participar do ZANU-PF, onde manteve  certa influência.

BIBLIOGRAFIA

CHARUMBIRA, Ruramisai. “Victoria Fikile Chitepo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2,  p. 86-88.

MITCHELL, Diana. Makers of history: who’s who, 1981-1982: nationalist leaders in Zimbabwe. Harare: IMS Causeway Printers, 1982.

White, LUISE. The assassination of Herbert Chitepo: texts  and politics in Zimbabwe. Bloomington: Indiana University Press, 2003.

Zinha Vaz (1952)

Seu nome completo é Francisca Monteiro e Silva Vaz.  Nasceu em Bissau e foi educada em Portugal, onde obteve diploma  em Educação no Instituto Superior de Ciências Educativas (ISCE) e em Sociologia no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Foi professora primária em Portugal e na Guiné antes de trabalhar na Sociedade Distribuidora dos Combustíveis e Lubrificantes da Guiné-Bissau, atuando na importação e distribuição de gás e petróleo durante o período de instalação do governo do PAIGC. Em 1976, junto com Mauro Laurentino da Costa, Luís Badaró, Olívio Mendes e Helder Vaz, participou de um movimento de oposição ao governo, o que a levou a prisão de 1977 a 1980, durante a presidência de Luís Cabral. Algum tempo depois, fundou em Portugal a Resistência da Guiné-Bissau Movimento Bafatá (RGB-MB).

Nos anos 1990, foi uma das únicas dez mulheres a atuar na Assembleia Nacional Popular, onde assumiu oposição ao governo. Participou de diversas comissões legislativas e fez parte da Comissão de Boa Vontade, que mediou as relações entre o presidente João Bernardo Nino Vieira e o Ministro de Defesa demissionário, Ansumane Mané, que levou à Guerra Civil de 1998-1999.

Por uma década (1992-2002), Zinha Vaz fundou e presidiu a Associação das Mulheres de Atividade Econômica da Guiné-Bissau (AMAE), além de ocupar postos de administração na cidade de Bissau e na  administração central do país.

BIBLIOGRAFIA

ASSUNÇÃO, Márcia Gomes. Representação política das mulheres na Guiné-Bissau. Lisboa: ISCTE,  2018.

MENDY, Peter; LOBBAN JR., Richard. Historical dictionary of the Republic of Guinea-Bissau. Lanham; Toronto; Plymouth: The Scarecrow Press, 2013.

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