Pioneira do movimento feminista na Nigéria, funcionária pública, e democrata, nasceu em Okeigbo, hoje uma pequena cidade no Estado de Ondo. Seu nome completo era Felicia Folayegbe Mosunmola Idowu Akintunde-Ighodalo, e sua família pertencia ao grupo étnico yoruba, sendo a mãe dela descendente do Ooni (rei-sacerdote) Derin Ologbenla – da linhagem governante de Ile-Ifé. Embora os pais tivessem adotado o cristianismo como religião, ela foi criada pela comunidade familiar em que alguns membros continuavam as práticas religiosas tradicionais.
Começou o estudo primário em escola missionária e ganhou uma bolsa para o Queen’s College, escola secundária do governo de elite para garotas em Lagos. A seguir, estudou na Cambridge School (1941) e entrou para o United Missionary College, em Ibadan, onde se formou para o Magistério em 1943. Nos primeiros cinco anos de vida profissional, trabalhou em diversas escolas secundárias em Lagos, Sapele e Ile-Ifé, e a seguir ganhou uma bolsa de estudos que lhe permitiu estudar na Universidade de Londres.
Durante sua formação universitária, participou de organizações estudantis e ingressou no movimento anticolonial, adotando as premissas do pan-africanismo. Quando estudou Economia na Escola de Comércio Politécnica Regent Street (1954), trabalhou em meio período nos correios. Ao abraçar mais diretamente a causa e os valores nacionalistas, rejeitou o nome cristão, Felicia, em favor de seu nome yoruba, Folayegbe, ou sua forma abreviada, Fola. Ela foi então contratada para trabalhar no governo nigeriano, em Ibadan, casou-se com Jeremiah Ighodalo e deu à luz ao seu primeiro filho.
Nas atividades desenvolvidas junto ao Ministério do Desenvolvimento, sentiu a discriminação dos superiores britânicos pelo fato dela ser mulher, mas conquistou espaço e respeito por sua determinação e qualificação. Atuou em diversos ministérios, incluindo comércio e indústria; educação; trabalho e transporte; agricultura e recursos naturais; e assuntos internos e informação.
Em 1958 ela preparou os novos quadros de secretários que assumiriam o trabalho administrativo após a independência, e ajudou a projetar a política industrial e agrícola que modelaram os planos de desenvolvimento regional antes da primeira tomada de controle militar em 1966. Em 1968, foi promovida ao posto de secretária permanente do governo, tornando-se a primeira mulher nigeriana a ocupar esta função até 1976, quando se aposentou. É vista como um modelo de servidora pública de carreira para jovens mulheres que almejam alcançar o ensino superior e ingressar na vida profissional e na vida pública.
Diversas vezes foi convidada a falar como porta-voz das mulheres em questões relativas ao desenvolvimento, em discursos, conferências e matérias jornalísticas. Embora não pudesse tomar parte em atividades políticas devido a sua posição no serviço público civil, ela teve papel em diversas organizações de mulheres, com participação no Council of Women’s Societies (Conselho das Sociedades de Mulheres) (1957) e na fundação da Associação Nigeriana das Mulheres Universitárias – NAUW, da qual veio a ser presidenta (1980-1984).
Depois da aposentadoria, gerenciou negócios agrícolas, participou de conselhos, prestou serviços de consultoria e integrou comissões de inquérito. Intensificou a participação no movimento de mulheres e participou de vários programas de valorização comunitária, além de manter profundo interesse por ações ligadas a cultura tradicional yoruba.
Em 1972 ela recebeu dois títulos tradicionais, o primeiro, como Otun Iyalode de Ifetedo, e o segundo, como Wabodu de Okeigbo. Este último título lhe conferia as responsabilidades como princesa principal da casa de governo Giesi de Ile-Ife. Em reconhecimento ao serviço prestado à Nigéria, o presidente Olusegun Obasanjo a investiu como Oficial da Ordem do Níger em 1977.
Fonte da imagem: Blog Emotan. 04 jan. 2012. Disponível em: https://emotan.wordpress.com/2012/01/04/nigerian-womens-empowerment-the-voice-of-folayegbe-akintunde-ighodalo/. Acesso em: 11 dez. 2020.
BIBLIOGRAFIA
DENZER, LaRay. Folayegbe M. Akintunde-Ighodalo: a public life. Ibadan: Sam Bookman Publishers, 2002.
DENZER, Laray. “Folayegbe Mosunmola Akintunde-Ighodalo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 145-147.
MCINTSH, Marjorie Keniston. Yoruba women, work, and social change. Bloomington: Indiana University Press, 2009.