
Ao longo do tempo, inúmeros tipos de galvanômetros, com as mais variadas especificações, foram criados. Atualmente, um dos mais populares é o Galvanômetro de Quadro Móvel (ou Bobina Móvel), também chamado de Galvanômetro de D’Arsonval. Um exemplar desse tipo de galvanômetro está presente no acervo do AMLEF e pode ser observado na imagem ao lado ou acessando a página do item AMLEF120.
Essa última denominação é uma homenagem à Jacques-Arsène D’Arsonval (1851–1940) e Marcel Deprez (1843–1918), que em 1882 apresentaram este novo galvanômetro. A grande novidade era uma inversão dos papéis de duas peças, a bobina e o ímã. Caso você volte para as publicações anteriores de nossa exposição “De Galvani à Ampère”, vai perceber que algo em comum entre os galvanômetros os quais precederam este era que a bobina pela qual passa a corrente elétrica permanecia sempre parada. A peça que se movia em frente à escala e era utilizada para realizar a medida era o ímã, seja uma agulha de bússola ou uma peça de ferro que adquire propriedades de ímã, como no caso do Galvanômetro de Ferro Móvel. No Galvanômetro de Bobina Móvel, obviamente, quem se move é a bobina, possuindo ao seu redor um ímã que permanece estático.

Fonte: Dodd, Mead & Co., Public domain, via Wikimedia Commons
Embora ainda seja comum chamar este tipo de galvanômetro pelo nome de D’Arsonval, os instrumentos de quadro móvel que temos hoje são bastante diferentes daquele projetado em 1882. Algumas das diferenças mais claras são o eixo de rotação da bobina, o qual está na vertical, ao contrário do modelo mais comum atualmente, na horizontal; e o uso de um ímã em formato de ferradura, sendo que hoje utiliza-se dois ímãs os quais deixam uma abertura em formato circular, criando um campo magnético radial dentro do qual a bobina se movimentar.
Uma vantagem do galvanômetro construído por D’Arsonval e Deprez é que ele não depende de um alinhamento como campo magnético da Terra para produzir uma medida confiável, já que o ímã instalado no equipamento produz um campo com uma magnitude muito maior que o terrestre. Outra vantagem, é que o torque na bobina é linearmente proporcional à corrente que a percorre, logo a escala utilizada para medição também será linear, contanto que o torque restaurador que o fio aplica na bobina seja linearmente proporcional ao seu ângulo de rotação.
É mais provável que você nunca tenha visto um galvanômetro como o da figura 2, isso porque o Galvanômetro de Bobina Móvel evoluiu com o tempo. Na verdade, na mesma década em que foi criado por D’Arsonval e Deprez, recebeu modificações de Edward Weston (1850–1936), ficando bem mais parecido com o que temos hoje.

Fonte: Fred the Oyster, CC BY-SA 3.0, via
Wikimedia Commons
A primeira modificação de Weston veio em 1884, quando ele decidiu trocar os fios que suspendiam a bobina por um eixo rígido que girasse com ela, e para oferecer o torque que o antigo fio oferecia, ele acrescentou molas de formato espiral nas extremidades do eixo. Os materiais de que eram feitos a bobina e as molas mudaram com o tempo, buscando uma maior condução elétrica, menor suscetibilidade à magnetização e menor aquecimento gerado por efeito Joule. (De fato Weston ficou bastante conhecido pelos seus trabalhos criando novas ligas metálicas.) A seguinte modificação foi no acréscimo de um ponteiro e de uma escala sobre a qual o ponteiro iria girar e indicar a medida, o que substituiu o espelho e deixou o visual bem mais parecido com os galvanômetros atuais. Logo em seguida veio o espelho que ficava junto da escala, atrás do ponteiro, e seria usado para diminuir o efeito paralaxe, aumentando a confiabilidade da medida.

Weston também utilizou, no lugar de um simples ímã de ferradura, um ímã com as extremidades num formato que criasse uma abertura circular (aquela que está citada no 3º parágrafo), dentro da qual a bobina poderia girar. Com esse formato circular, o ímã permanente magnetiza o núcleo de metal cilíndrico da bobina, e a interação desses dois corpos gera um campo magnético radial, ou seja as linhas do campo apontam na direção do centro do círculo. Isso é muito importante pois a corrente elétrica na bobina será sempre perpendicular ao campo dos ímãs, fazendo com que o torque da bobina seja linearmente proporcional à corrente elétrica e independente da posição da bobina, sendo assim o ângulo de rotação também será proporcional à corrente aplicada.
Pablo Enrique J. Silvestrin / Equipe AMLEF 2020
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Referências
- KEITHLEY, J. F. The Story of Electrical and Magnetic Measurements: From 500 BC to the 1940s. 1ª ed. IEEE Press, Nova Yorque, 1999.
- MATSUMOTO, E. Edward Weston made his mark on the history of instrumentation. IEEE Instrumentation & Measurement Magazine, v.6, n.2, p. 46–50. 2003.
- LEKULE BLOG. D’Arsonval Galvanometer. 20/09/2015. Disponível em: <https://sosteneslekule.blogspot.com/2015/09/darsonval-galvanometr.html> . Acesso em 23/11/2020.