Histórico
O grupo de pesquisa Ciências na Vida tem sua origem no interesse na temática da ciência e tecnologia, compartilhado pelas professoras do PPGAS/UFRGS Fabíola Rohden e Cláudia Fonseca. Desta parceria, nasceram em meados de 2011 algumas disciplinas, ofertadas tanto no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social quanto no curso de graduação em Ciências Sociais. Na graduação, foram criadas as disciplinas de Gênero e Sexualidade e Antropologia da Ciência, ministradas pela professora Fabíola. A segunda, em especial, foi uma das primeiras dedicadas à temática no Brasil. A pós-graduação, que já contava com o curso de Antropologia da Ciência, ministrado pela professora Cláudia, também passou a contar com as disciplinas de Ciência, Política e Sociedade e Gênero e Sexualidade, ministradas pela professora Fabíola.
Dado o interesse de alunos e alunas na temática, ambas compreenderam que era um momento oportuno para promover um evento sobre Antropologia da Ciência no Brasil. É assim que nasce o Seminário Ciências na Vida: Antropologia da ciência em perspectiva (2011), organizado em colaboração com a professora Paula Sandrine Machado (PPGPSI e PPGAS/UFRGS). O evento, financiado pela CAPES e pelo CNPq, contou com a participação de importantes pesquisadores/as. O objetivo era de recuperar a história da antropologia da ciência no Brasil e promover pontes entre pesquisadores/as nacionais e internacionais. Através do financiamento das agências de fomento, foi possível publicar os resultados do seminário em um livro, intitulado Ciências na vida: Antropologia da ciência em perspectiva.
Em 2012, o grupo de pesquisa Ciências na Vida foi formalizado no CNPq. Era um momento importante de efervescência da área não só na UFRGS, mas no Brasil de maneira mais geral. A grande circularidade de estudantes, característica de grupos de pesquisa, marca importantes momentos do Ciências na Vida. Nesse sentido, entendemos que nossa história é atravessada pela formação dos/as alunos/as, em um movimento dinâmico de renovação dos interesses. Para além das reuniões mensais, onde são realizadas leituras coletivas de trabalhos, capítulos e artigos dos/as alunos/as e do debate de importantes referências teóricas, esta formação é marcada por uma série de eventos de extensão, que se iniciaram com o Seminário Ciências na Vida.
Visando privilegiar a participação de estudantes, a partir de então membros/as do grupo, organizou-se um segundo evento, Jornadas Ciências em Perspectiva, que contou com a participação de discentes do PPGAS e de outros/as pesquisadores/as da UFRGS que também trabalhavam a temática. A segunda versão do evento ocorreu nos mesmos moldes no ano seguinte. Em 2014 ocorreu a Oficina Ciência em Perspectiva, em um formato experimental e diferente dos eventos anteriores. Os pesquisadores convidados compartilharam com os/as participantes material etnográfico mais bruto, que foi debatido coletivamente a partir de um conjunto de referências teóricas. As atividades foram mediadas por professores/as convidados/as. No mesmo ano, com o intuito de se preparar para a realização da V Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia (ReACT), o grupo promoveu o evento Debates Ciências em Perspectiva, que contou com organizadores/as das edições anteriores, realizadas na UnB e na Unicamp. Para além do debate das pesquisas dos/as convidados/as, o evento contou com um workshop com sugestões para a organização do encontro da ReACT.
O ano de 2015 iniciou com o curso de formação Teoria Feminista da Ciência, que contou com grande participação dos/as estudantes da UFRGS. O momento foi muito relevante na formação dos/as alunos/as que compunham o grupo, que se colocaram pela primeira vez na posição de ministrantes. É também neste ano que o grupo foi responsável por organizar e promover a V ReACT, em um grande esforço de logística que só foi possível graças ao trabalho voluntário de alunos/as de graduação e pós-graduação. As coordenadoras, Fabíola e Cláudia, buscaram promover uma abordagem mais afeita às discussões do grupo organizador para o evento, enfatiizando debates relacionados ao feminismo, à saúde e à cidadania.
O ano de 2016 foi dedicado à organização do livro Antropologia da ciência e da tecnologia: dobras reflexivas, no qual são relatadas as discussões realizadas na V ReAct e publicados os trabalhos apresentados nas mesas redondas do evento. Nos anos seguintes, as reuniões do grupo continuaram, com debates de textos de referência e trabalhos dos/as alunos integrantes. A partir de 2019 retomamos a realização das atividades de extensão, com a primeira edição do curso Oficinas antropológicas: Escrita criativa aplicada à Prática Etnográfica. Em 2020, durante a pandemia, foram promovidos diversos cursos de extensão online, entre eles: a segunda edição das Oficinas antropológicas, o Literando a Antropologia e o Hormonizando a diferença. Em 2022, com a retomada das atividades presenciais, promoveu-se a terceira edição das Oficinas antropológicas: Obsidian e caderno de campo virtual. Em 2024, o grupo dedicou-se à preparação do curso de extensão intitulado Medicalização da vida: saúde e mídias digitais.
