Segundo o Estatuto da UFRGS, “Os Órgãos Auxiliares destinam-se ao apoio das atividades de ensino, de pesquisa e de extensão que exijam organização especial”. (Título III, Cap. III, Seção VIII, Art. 59). A legislação específica sobre os Órgãos Auxiliares da UFRGS encontra-se nos Artigos 92 a 96 do Regimento Geral da Universidade (Título III, Capítulo III, Seção VIII).  A criação do CIESS foi aprovada por unanimidade na Reunião do Conselho da Unidade (Ata nº 382 do CONFACED/UFRGS) em 26 de outubro de 2016, e aprovada pela Resolução nº 12/2017 do Conselho Universitário (CONSUN/UFRGS).

Para além do amparo legal que garante a implantação do CIESS, a história do CIESS começou, ainda de forma embrionária, há duas décadas, nomeadamente com a criação do Programa de Prestação de Serviços à Comunidade – PPSC. Este Programa de extensão da FACED assumiu um trabalho inédito desde sua criação, atuando como unidade de execução da medida socioeducativa de Prestação de Serviços à Comunidade da UFRGS. A ideia de uma “pedagogia das medidas socioeducativas” defendida pela professora Carmem Maria Craidy, idealizadora e coordenadora do Programa por mais de quinze anos, foi se desenvolvendo no âmbito da FACED, tornando-se referência nos estudos desta área.


A proposta de criação do CIESS é uma iniciativa importante no sentido de garantir as atividades do PPSC em caráter contínuo; criar e integrar outros programas, considerando as frentes de trabalho já existentes no PPSC; dar ênfase à metodologia interdisciplinar e interdepartamental de ensino e extensão consolidada na prática do PPSC e seus parceiros; contribuir na formação de estudantes na perspectiva de trabalho interdisciplinar e em rede; garantir a oferta de um programa de formação permanente para profissionais e estudantes; manter e ampliar o campo de estágio e o cenário de prática da residência em saúde mental coletiva; agregar projetos e programas afins desenvolvidos na FACED e Unidades parceiras; responder a demandas do trabalho ainda não atendidas através da criação de novos programas e projetos; dar organicidade às várias frentes de trabalho assumidas pelo PPSC que extrapolam o âmbito da execução da medida; articular a Socioeducação à Educação em Direitos Humanos e à Educação Social.

Já a discussão sobre Educação Social no Brasil ainda é incipiente. Há poucas décadas as universidades brasileiras começaram a se voltar para o estudo dos segmentos historicamente excluídos. Embora os documentos das Políticas Educacionais brasileiras contemplem a democratização da educação e a qualidade de ensino para todos os cidadãos, ainda existem distanciamentos significativos entre o universo das leis e das práticas realizadas. A Educação Social surge como uma área da educação não-formal que procura responder às necessidades de construção de processos educativos com características, metodologias e estratégias específicas, e se dedica à produção e sistematização de conhecimentos no campo de ação interdisciplinar de atenção a grupos populacionais estigmatizados pela exclusão social.

A educação em direitos humanos é uma área de estudo e de intervenção social emergente nas Universidades brasileiras, e se desenvolve por meio de ações de formação, pesquisa e extensão, na aproximação entre a academia e a comunidade, especialmente junto às comunidades em situação de vulnerabilidade social; é uma área que no campo da Educação focaliza a humanização do ser humano, em sociedades marcadas por violências e violações aos direitos fundamentais, sociais, econômicos e culturais, e atua em um movimento constante de promoção, defesa e efetivação dos direitos humanos e de justiça social.

O CIESS/FACED pretende, mediante o investimento na pesquisa, produção e difusão de conhecimento tornar-se referência nacional e internacional na formação, pesquisa e extensão nas áreas da Educação Social, Educação em Direitos Humanos e Socioeducação, conferindo maior visibilidade institucional aos serviços prestado pela FACED/UFRGS à sua comunidade.

Confira a norma de decisão do CONSUN de 2017, onde se aprova a criação do CIESS