Os Pioneiros da Arte e Tecnologia do Brasil: Abraham Palatnik, Waldemar Cordeiro e Julio Plaza

Meu trabalho de conclusão de curso em Artes Visuais – Bacharelado, pela UFSM apresenta os pioneiros da arte e tecnologia no Brasil, abordando três grandes artistas: Abraham Palatnik, Waldemar Cordeiro e Julio Plaza, observando o que cada um deles desenvolveu em diferentes momentos, fazendo a análise de suas obras em momentos da criação, produção, visualização, disponibilização e manutenção. Para compreender melhor todo o processo lembro que vivemos hoje, baseando-se no entusiasmo da contemporaneidade do século XXI., entretanto, por muito tempo vários artistas não acreditaram na veracidade do fato de que a (r)evolução da tecnologia chegaria tão rapidamente. Para aos que acreditaram na inserção desses artefatos nas artes como algo inovador, o título de pioneiro faz jus à percepção sensível a partir da qual produzem suas obras.

 

Figura 1 – Abraham Palatnik – Artista. Disponível em: https://casacor.abril.com.br/arte/abraham-palatnik-ganha-exposicao-no-ccbb-do-rio-de-janeiro/. Acesso em: 25 jun 2018.

Figura 2 – Waldemar Cordeiro – Artista. Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/atracao/waldemar-cordeiro/. Acesso em 23 abr 2018.

Figura 3 – Julio Plaza – Artista. Disponível em: http://www.oexplorador.com.br/julio-plaza/. Acesso em: 14 novembro 2017.

A tecnologia, juntamente com o pensamento criativo desses artistas, tomou formas e proporções diferentes, condicionada a viver harmoniosamente com a arte de cada um. A união da tecnologia com a arte pode ser potencialmente tumultuosa, uma vez que investigações nesse campo conduzem a possíveis soluções capazes de alterar aquilo que se entende por arte ou o que se define até então sobre arte. Nesse sentido, embora tais artistas tenham encontrado problemas para inserir novas ideias nos circuitos de divulgação no Brasil, não desistiram dos seus projetos: após algum tempo e várias tentativas, conquistaram espaço e o devido reconhecimento pela coragem assumida ao quebrar paradigmas estéticos. Ser pioneiro é introduzir uma nova ideia, uma nova estética, uma nova pesquisa e, consequentemente, um novo pensamento; é proporcionar caminhos distintos para futuros artistas e para a arte como um todo, fornecendo e sugerindo novas pesquisas e outros meios de informação e de apreciação.

A Arte e Tecnologia no Brasil passou a ser reconhecida como uma linguagem artística desde os anos 1950, dilatando-se nos espaços em meio às exposições e à crítica. Nesse cenário, provocar e instigar constituíram um exercício cotidiano dos três artistas pioneiros, responsáveis por unir algo sensível com algo exato e criar delicadeza e robustez em sua uma produção artística, unindo máquina/computador/motores e arte.

Diante disso, o presente estudo, na área da história, teoria e crítica da Arte, visa reconhecer e analisar a produção desses três pioneiros da Arte e Tecnologia no Brasil e as suas contribuições para pensar a arte contemporânea. Palatnik, que inova com a arte cinética; Cordeiro, que foi o responsável pela introdução da arteônica e da arte computadorista; e Plaza, que atuou com tradução intersemiótica e videotexto. As
linguagens utilizadas pelos três apresentam-se de maneiras distintas. Enquanto Palatnik sugere pesquisas com luz e movimento e é o primeiro a trabalhar diretamente com isso, Cordeiro trabalha a arte voltada a investigações com um programa numérico vinculado ao computador, e Plaza insere a pesquisa dentro do videotexto, da gráfica computacional, da holografia, da telemática, do vídeo, do cinema, da fotografia e das
artes gráficas, misturando todas as possibilidades com o intuito de criar, assim, um sistema único de comunicação com o expectador.

ABRAHAM PALATNIK

Figura 4 – Obra: Aparelho Cinecromático. Exposição: Abraham Palatnik – pintura dinâmica. Centro Cultural Banco do Brasil, Brasilia-DF, 2013. Reprodução Revista DASARTES. Disponível em: http://dasartes.com/materias/abraham-palatnik-pintura-dinamica/. Acesso em: 17 maio 2018.
Figura 5 – Obra: Aparelho Cinecromático. Disponível em: https://www.sopacultural.com/abraham-palatnik-reivencao-da-pintura/. Acesso em: 14 novembro 2017.
Figura 6 – Aparelhos Cinecromáticos SF-4, (1954-2004). Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/atracao/abraham-palatnik-a-reinvencao-da-pintura/. Acesso em 17 jun 2018.

WALDEMAR CORDEIRO

Figura 7 – BEABÁ, Waldemar Cordeiro. Ilustração Digital. GIF. Crédito da Imagem: Autor Desconhecido. In: ELMCIP. Disponível em: https://elmcip.net/creative-work/beaba. Acesso em: 30 novembro 2017.

JULIO PLAZA

Figura 8 – Videografia em Videotexto, 2011. Frame extraído de vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JBl_3P3D3Hw. Acesso em: 14 novembro 2017.

Figura 9 – Videografia em Videotexto, 2011. Frame extraído de vídeo Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gQj5a8OBES0. Acesso em: 14 novembro 2017.

O estudo da história trata de questões já solucionadas como aporte para questões ainda não resolvidas, inclusive quando estas são direcionadas de acordo com um cronograma histórico. É fundamental, desse modo, o reconhecimento do que pensam esses artistas, cujas produções não perdem as características da década em que cada obra foi realizada, mas ganham forma por meio do contexto e das novas tecnologias aplicadas.
Embora esta pesquisa considere para análise o período compreendido entre o início dos anos 1950 e os anos 1970, leva em conta também a contribuição de Plaza até o final dos anos 1980, momento em que a tecnologia passou a ser mais comum e deixou de ser vista como uma grande novidade. Nos dias atuais, a Arte e Tecnologia desenvolve-se de maneira exponencial, de modo que as pequenas articulações da metade do século XX passaram a ter autonomia no século XXI. Tal produção começa como uma arte negada pelos críticos, mas, devido à insistência também dos pioneiros mencionados neste estudo, foi inserida aos poucos dentro do sistema das artes e passou a ser aceita no contexto da arte contemporânea, modo pelo qual afirma-se como uma linguagem artística. Assim, se faz necessário entender a participação de Abraham Palatnik,
Waldemar Cordeiro e Julio Plaza no contexto da história da arte brasileira e suas contribuições para a Arte e Tecnologia no Brasil; reconhecer a vida e obra de cada artista a partir de uma biografia constituída no seu vínculo com a produção em arte tecnológica; e analisar uma obra de cada artista, abordando os momentos da criação, produção, visualização, disponibilização e manutenção (SANTOS, 2004).

Este trabalho de conclusão de curso está estruturado em três capítulos. No primeiro, abordo Abraham Palatnik como o pioneiro da arte cinética e a obra “O aparelho cinecromático”; no segundo, discuto Waldemar Cordeiro como o pioneiro da arte computadorista e a obra “BEABÁ”; e, no terceiro, apresento Julio Plaza como o pioneiro da arte e do videotexto e a obra “Videografia em videotexto”. Além de analisar
o processo de pesquisa dos artistas, seu perfil individual e as influências recebidas no decorrer de suas vidas, averigua o caminho percorrido por cada um até o momento em que a tecnologia passou a ser uma “parceira” de criação. Abordar a contribuição desses pioneiros da Arte e Tecnologia permite compreender o rumo tomado na produção das obras atuais, figurando, ainda, como maneira de resgatar o que já foi pensando e produzido com vistas ao que ainda se pode investigar. Ao fazer uma abordagem histórica de determinado período, também se conduz uma linha de raciocínio para as mais variadas investigações acerca do reconhecimento de alguns aspectos para pensar a relação ação/reação na arte contemporânea.

REFERÊNCIAS
Abraham Palatnik. 2009. 1 vídeo (9min 50s), compartilhado online no canal Itaú Cultural, Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rVd98NWSPEQ. Acesso em: 16 novembro 2017.

Arlindo Machado e Giorgio Moscati – “Waldemar Cordeiro: Fantasia Exata” – 2013. 2013, Entrevista: Duanne Ribeiro.1 vídeo (15min 23s), compartilhado online no canal Itaú Cultural, Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SICpg0-qllA. Acesso em: 13 novembro 2017.

BARCELLOS, VERA CHAVES (ORG.). Julio Plaza POETICA. Porto Alegre: Fundação Vera Chaves Barcellos, 2013.

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FREIRE, Cristina. Julio Plaza por Cristina Freire. In: BARCELLOS, VERA CHAVES (ORG.).Julio Plaza POETICA. Porto Alegre: Fundação Vera Chaves Barcellos, 2013.

MACHADO, Arlindo. Waldemar Cordeiro: o brasileiro precursor da arte mediada por computadores. Revista Eco Pós: Arte, Tecnologia e Mediação, v. 18, n. 1, p. 27-35, mar./abr., 2015. Disponível em:
https://revistas.ufrj.br/index.php/eco_pos/article/view/2392/2025. Acesso em: 26 setembro 2017.

OSORIO, Luiz Camillo. Abraham Palatnik. São Paulo: Cosac Naify, 2004.

PLAZA, Julio. Arte e Interatividade: autor-obra-recepção. Ars, São Paulo. Disponível em: http://www2.eca.usp.br/cap/ars2/arteeinteratividade.pdf . Acesso em: 12 março 2018.

PLAZA, Julio. Arte e Videotexto. In: VALENTE, Agnus (Org.). HIBRIDA Revista Eletrônica. São Paulo, Brasil, 2005.

PLAZA, Julio. V-Ideografia em Videotexto. São Paulo, 1983. Dissertação (Mestrado). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUCSP.

PLAZA, Julio. Videografia em Videotexto. São Paulo: Hucitec, 1985.

SANTOS, Nara Cristina. Arte (e) Tecnologia em Sensível emergência com o entorno digital: projetos brasileiros. Porto Alegre, 2004. Tese (Doutorado). Instituto das Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

SANTOS, Nara Cristina. Arte e Tecnologia: considerações sobre o percurso histórico. Expressão: Revista do Centro de Artes e Letras. Santa Maria: UFSM, v., n. 1, p.34-42, jan./jun., 2005.

SILVEIRA, Regina. Julio Plaza por Regina Silveira. In: BARCELLOS, VERA CHAVES (ORG.). Julio Plaza POETICA. Porto Alegre: Fundação Vera Chaves Barcellos, 2013.

WALDEMAR Cordeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa297/waldemar-cordeiro. Acesso em: 12 outubro 2017.

Acesse o TCC de Dieina Marin AQUI.

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