UFRGS e a Covid-19

A UFRGS que se cuida e não para

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Sumário

Atividades que não podem esperar – Foto: Divulgação

Em trabalho remoto ou presencialmente, um contingente de pessoas faz o dia a dia de uma grande Universidade. Em uma série de matérias semanais, serão mostradas atividades que não podem parar mesmo durante o período de isolamento social. A Estação Experimental Agronômica abre a série

Os espaços da UFRGS, movimentados diariamente por estudantes, técnico-administrativos, professores e também por pessoas da comunidade, estão quase vazios. O colorido e o som típicos da Universidade estão ausentes enquanto permanecem vigentes as medidas de distanciamento social e de suspensão das aulas. Mas isso não significa que a UFRGS esteja parada: muitos trabalham em casa em atividades administrativas e acadêmicas que podem ser realizadas a distância (veja a matéria publicada pelo Jornal da Universidade que mostra exemplos de servidores em home office); outros tantos estão atuando em ações especiais voltadas ao enfrentamento à pandemia, como na realização de testes de diagnóstico da Covid-19 no Instituto de Ciências Básicas da Saúde; e um grupo grande, que contempla docentes, técnico-administrativos e alunos de pós-graduação envolvidos com pesquisas, continua indo até a Universidade para dar andamento a atividades que não podem ser descontinuadas. Um dos locais que mantém uma extensa lista de afazeres mesmo durante o período de distanciamento social é a Estação Experimental Agronômica da UFRGS (EEA), em Eldorado do Sul.

Local com mais de 1,5 mil hectares onde são realizadas atividades de ensino, pesquisa e extensão ligadas às unidades acadêmicas da Agronomia, Zootecnia, Veterinária, Biociências e Pesquisas Hidráulicas, a EEA conta com cerca de 60 profissionais, entre terceirizados e do quadro da UFRGS. O diretor da EEA, Rafael Dionello, responsável por adaptar as rotinas de trabalho durante a pandemia, explica como tem sido o dia a dia na Estação: “estamos tomando todos os cuidados para evitar a transmissão do novo coronavírus, conforme as orientações do Departamento de Atenção à Saúde (DAS), sem deixar de dar andamento ao que não pode parar”, diz ele. Entre as medidas adotadas, além da recomendação de higienização constante das mãos e do uso de máscaras, Dionello salienta que foi implementado um rodízio entre os trabalhadores para reduzir a circulação de pessoas e a quantidade de usuários do transporte que faz o deslocamento até a EEA. “Também não estamos assumindo novas tarefas, apenas mantendo, com o menor número possível de profissionais, tudo o que tem que ser feito agora, que não pode esperar”, afirma. Estão entre os casos o manejo dos rebanhos, a colheita de grãos e de pomares, as silagens e a semeadura de pastagens, entre outros. (Veja ao final da matéria a lista de atividades que foram realizadas entre 16 de março e 24 de abril).

A veterinária da EEA Verônica Machado Rolim explica que muitas tarefas em uma fazenda têm de ser feitas no tempo certo e em determinada estação do ano, por isso não há como parar totalmente. “É preciso acompanhar a gestação e o parto do rebanho de búfalas, por exemplo; fazer o desmame de terneiros; aplicar as vacinas nos animais conforme o calendário obrigatório do Governo do Estado”, exemplifica Verônica. A veterinária informa que os estagiários que ajudam nessas tarefas estão dispensados, da mesma forma que os alunos que acompanham as rotinas também não estão indo à Estação. “Gosto muito do que faço na EEA, então não está sendo fácil. É duro ter de parar o que não é essencial e fazer apenas o indispensável, com menos gente. Mas estamos todos nos esforçando e, principalmente, cuidando um dos outros, para que ninguém adoeça. O mais importante é valorizar a vida”, diz ela.

A priorização da saúde e da vida motivou Verônica a pedir ajuda de sua mãe, que costurou voluntariamente as máscaras reutilizáveis que foram distribuídas aos trabalhadores da Estação. A mãe de Verônica é a servidora aposentada da UFRGS, Berenice Rolim, que não mediu esforços para contribuir. O diretor Rafael disse que a situação é inédita, mas que os funcionários entendem a dificuldade do momento e cooperam. “Todos sabem que temos que cuidar prioritariamente da vida das pessoas e seguem as orientações para trabalhar em segurança”, afirma ele.

Atividades realizadas

1. Colheita de 30 hectares de grãos soja, sendo 13 hectares de áreas experimentais, após coleta de dados de campo.

2. Colheita de 16 hectares de milho para silagem e confecção de 4 silos.

3. Colheita de grãos de milho para produção de ração (fase inicial).

4. Secagem e armazenamento de grãos de soja e milho.

5. Finalização da coleta de dados de campo da pastagem de milheto (convênio EEA e Empresa Spraytec).

6. Elaboração de rações e sua distribuição para lote de 19 touros da raça Brangus (convênio UFRGS e Associação Brasileira de Brangus).

7. Semeadura de 22 ha de pastagens de inverno de um total programado de 180 hectares.

8. Recorrimento diário na área de campo nativo e pastagens (900 hectares) para cuidados do rebanho de bovinos (800 animais) e ovinos (110 animais).

9. Manejo de colmeias, extração de mel, apoio a apicultores da região

10. Colheita de bergamota e caqui para doação à comunidade (Arroio dos Ratos) e arredores (Ilha das Flores e Viamão)

11. Vistoria periódica dos pomares e controle fitossanitário de pragas, doenças e plantas invasoras dos pomares e nas estufas.

12. Controle de plantas invasoras nas estufas

13. Irrigação, quando necessário, das plantas suscetíveis ao déficit hídrico.

14. Acompanhamento do nascimento de 10 bezerros de búfalos

15. Apoio a experimentos de avicultura (aves poedeiras).

16. Acompanhamento do período de monta (encarneiramento) das ovelhas.

17. Diagnóstico de gestação dos bovinos de cria: 400 matrizes.

18. Vacinação do rebanho bovino contra a febre aftosa: 730 animais.

19. Manutenção de cercas, do abastecimento de água e da rede elétrica.

20. Manutenção corretiva e preventiva de máquinas e equipamentos.

21. Apoio logístico a estudantes e professores que estão com experimentos em andamento na EEA e que precisam coletar dados nesse período.

22. Amostragem de solo e plantas em experimentos de longa duração, cujos dados fazem parte de trabalhos de mestrado e doutorado em desenvolvimento nas áreas de Manejo, Química e Fertilidade do Solo e Relação Solo-Máquina.

23. Dessecação e implantação das culturas de inverno nos experimentos de longa duração.

Confira também a matéria do Jornal da Universidade: Laboratórios vinculados à UFRGS continuam prestando serviços durante isolamento social

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