Cinema

Sala Redenção realiza primeira mostra online de sua história com o cinema do cotidiano de Lufe Bollini

Por 18 de junho de 2020julho 22nd, 2020Sem comentários

Desde o início da pandemia, a Sala Redenção – Cinema Universitário da UFRGS realizou diversas atividades com o público. Dentre elas, a sugestão de filmes por diferentes personalidades ligadas ao cinema gaúcho e a referência a mostras online gratuitas realizadas no Brasil inteiro. Desta vez, realizamos a nossa própria. A primeira mostra online da Sala Redenção em sua história traz o cinema punk de Lufe Bollini, com cinco curtas disponíveis nas plataformas Vimeo e YouTube de 18 a 25 de junho.

Natural de Porto Alegre, Lufe é um multiartista: músico e cineasta, transita pelas artes trazendo histórias ficcionais baseadas no seu círculo de amizade e familiar. Segundo o curador da mostra, Nicolas Medeiros Collar (bolsista da Sala Redenção), a obra de Lufe Bollini tem referências à poesia de Roberto Piva e à Rogério Sganzerla, lembrado pelos clássicos do cinema nacional O Bandido da Luz Vermelha, de 1968 e Copacabana Mon Amour (1970).

A partir desta mostra, a Sala Redenção lançará nas próximas semanas outros dois ciclos. Acompanhe nas nossas redes sociais no Facebook e Instagram.

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O cinema vida de um antimaldito*

A Sala Redenção inicia sua programação virtual com a mostra O Cinema Vida de um Antimaldito, com filmes de Lufe Bollini. Originário de Porto Alegre, Lufe é músico e cineasta. Graduou-se em Realização Audiovisual na Unisinos entre os anos de 2004-2009, especializando-se em direção e montagem. Seu curta universitário Os Boçais, foi selecionado em diversos festivais pelo brasil como o Festival Internacional de Curtas De São Paulo (2010) e premiado no Gramado Cine Video (2010), como melhor curta universitário gaúcho de ficção. Entre 2011 e 2013 dirigiu e montou diversos videoclipes e curtas para a televisão (RBSTV). A partir de 2012 começa a desenvolver uma narrativa documental que transita para uma ficção autobiográfica com os curtas.

Clique nos títulos para assistir:

CONFISSÕES DE UM EX-ASTRO MIRIM

Curta-metragem filmado em Porto Alegre, pelas ruas e vielas do centro, narra um momento importate da vida de Joca, interpretado por Bruno Bazzo, um jovem ator cansado de sua vida em Porto Alegre, um sentimento recorrente dentro dos pequenos núcleos criativos nas capitais mais afastadas do eixo cultural do país. Ele procura ascender na sua carreira e para isso precisa sair de sua zona de conforto. Numa narrativa experimental-documental, Lufe vive, filma e expressa as inquietações de sua geração, criando um imaginário cinematográfico povoado por amigos e parceiros que dividem as mesmas apreensões. Um filme com identidade, traduzido em preto e branco.

TODA LA PUTA VIDA IGUAL

Filmado durante uma viagem ao Uruguai, retrata diversos momentos de metamorfoses pessoais e coletivas, através de um forte simbolismo poético, político e social em seus cortes e diálogos. Com uma linguagem simples e criativa, é um filme que ilustra como a linguagem do ‘’faça você mesmo’’ pode ser explorada nos momentos genuínos de nossas vidas. Filmado por uma câmera de celular, Lufe junto de uma turma de alunos do Instituto de Artes da UFRGS, narra uma história divertida e cheia de pequenos recortes do cotidiano. São detalhes de suas experiências pessoais que constróem essa identidade experimental da sua obra. O viver é seu experimento social e pessoal.

FANTASMA NA SAUDADE NO VALE DA MORTE

Fantasma da Saudade no Vale da Morte é um filme documental-poético, filosófico e, acima de tudo, emocionante. Parte da ocupação do prédio abandonado do Ouvidor, em São Paulo, na busca por um espaço de moradia e criação artística. Essa ocupação acabou se tornando a maior da América Latina. Para além de um diretor, produtor, criador, ator, Lufe compartilha com os demais ocupantes a mesma experiência de viver e observar o mundo, uma busca por uma liberdade artística no meio da selva de concreto. Cria uma relação entre o folclore tupi nativo e a situação daquelas pessoas que vêm de diversas partes do brasil, com inúmeras origens e histórias. Um dos links mais importantes, que também diz muito sobre a identidade do cineasta, é a conexão que ele faz com um antigo documentário sobre o mesmo prédio, que anos antes havia sido ocupado por outro grupo, para moradia de pessoas sem amparo social . Vivências, relatos, motivos, razões e situações criam as identificações entre esses dois momentos de ocupação. O Fantasma da Saudade é um representante visual da região onde passava o rio Anhangabaú, os nativos da época pré-colonial através de seu folclore espiritual podem criar reflexos com a descobertas da vivência artística nesse prédio. A ocupação da rua do Ouvidor, nas margens do vale do Anhangabaú, de maneira artística e de manifestação, ocupou o coração da cidade de São Paulo.

YOMARED

Yomared é um filme sensitivo, sensorial, uma narrativa documental de vídeo performance. Um retrato da artista Mariana Yomared, é um filme que provoca sensações misturadas acerca do cotidiano, das aventuras, das poesias e das visões políticas e feministas da protagonista. Mariana, uma mulher forte e com uma história de vida inspiradora, não se limita apenas em atuar e viver a história do curta, também narra e co-dirige a produção, ocupando papéis na criação da trilha sonora e protagonizando a história. O filme Yomared ganhou prêmios no Festival de Gramado e adquire um grande salto na produção criativa do diretor Lufe Bollini que cada vez mais segue explorando o que acontece na sua vida e ao redor dela. O curta metragem Yomared é um filme que mexe com os sentimentos e explora um imaginário genuíno.

LA DANZA INVISIBLE

La Danza Invisible é um documento do processo de deslocamento realizado por quatro amigos, artistas visuais brasileiros, que viajaram por terra, pela Argentina, Bolívia e Peru. Carrega consigo a linguagem visual da câmera analógica em contraste a câmera digital. La Danza visita as diferentes sensações que existem dentro dessa experiência visual. Além de contemplativo ele conecta a performance, a viagem, com a vida de cada um das diretoras e diretores, Lufe Bollini, Chana De Moura, Daniel Eizirik e Tuane Eggers. A identidade de cada um se desdobra em diversas faces de uma única obra, falada numa mistura de sotaques que é o portunhol. Cada história é contada como uma só, vividas entre as montanhas da América Latina, em contato com os moradores das regiões pelas quais passam, conservando tradições e criando novas sensações. Visualmente incrível, potente e cheio de texturas.

* Texto: Nicolas Medeiros Collar, bolsista da Sala Redenção e curador da mostra