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Centro Cultural da UFRGS promove conversa com Carusto Camargo

Por 20 de maio de 2025Sem comentários

No próximo dia 26 de maio, segunda-feira, às 19h, o Centro Cultural da UFRGS promove conversa com o artista visual e ceramista Carusto Camargo, que fala sobre a exposição “No vazio do passo“. O encontro ocorre na Sala Nogueira e tem mediação do curador da mostra, o jornalista, professor e crítico de arte Eduardo Veras. A entrada é franca.

“No vazio do passo” reúne 18 fotocerâmicas materializando a sensibilidade de uma caminhada — física, emocional e existencial — por paisagens, cidades, afetos e memórias. O projeto é mais uma das ações selecionadas no Edital de Ocupação 2024 do Centro Cultural da UFRGS.

Observar, desvelar e tornar palpável esse vazio que confronta seus deslocamentos espaciais, sensitivos e temporais tem sido o destino de Carusto Camargo, sua respiração, nos últimos 17 anos. “Por desejo/necessidade de conferir uma materialidade caldosa e existencial, transpasso as fotografias para a fotocerâmica, uma técnica complexa que me tomou cinco anos até dominá-la e mais outras vários, que ainda se vão para transgredi-la poeticamente”, confessa.

A exposição ocupa duas salas e reúne obras criadas a partir de fotografias autorais. Na primeira, estão os trabalhos ligados à paisagem e ao processo técnico da fotocerâmica, como uma mesa de luz com acetatos e painéis sobre o Guaíba, Cabo Polônio e Santa Maria do Herval. Há, também, a foto “Os náufragos”, feita a partir de objetos coletados em Itapirubá (SC). No centro, esculturas que remetem à paisagem de Morro Alto, em Maquiné (RS).

Na segunda sala, estão imagens de 2008, sobre coletores urbanos, e a série “De andar por aí”, feita durante caminhadas e que marca um ponto de virada na trajetória de Carusto, quando a fotografia passou a ser compreendida não apenas como registro, mas como processo artístico completo. Também há naturezas mortas criadas na pandemia com objetos afetivos ou encontrados em feiras, revelando o cuidado do artista em transformar o cotidiano em poesia visual, além de um acervo de imagens que transitam entre o documental e o lírico.

Transgressão

A curadoria da própria trajetória do artista é o fio que une as peças. “Comecei a transgredir tecnicamente, a aceitar imperfeições, e descobri que a poética nasce quando abandono o controle”, revela. Com forte carga poética, o artista trabalha temas como pertencimento, perdas, espiritualidade e cotidianos aparentemente banais. “Minha arte foi, por muito tempo, uma forma de ressignificar o vazio, de lidar com a ausência, com memórias familiares e com a busca por sentido”, reflete.

Ao longo de mais de três décadas, a busca pelo vazio tem sido uma constante na trajetória artística de Carusto Camargo. Mas, diferentemente da ideia de preenchê-lo, o artista compreendeu que sua missão era revelá-lo poeticamente. “Com o tempo, entendi que não se trata de ocupar o vazio, mas de iluminá-lo, torná-lo visível e sensível através da arte”, ressalta.

Sobre Carusto Camargo:

Carusto Camargo, Carlos Augusto Nunes Camargo, brasileiro, nascido em 1962, na cidade de São Paulo, reside em Porto Alegre. Artista visual, ceramista e professor titular do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS, com pós-doutorado pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL, 2015), doutorado e mestrado em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade de Campinas (Unicamp, 2003 e 2008). A partir de 2015, desenvolve padronagens e painéis cerâmicos utilizando a fotocerâmica e as técnicas tradicionais da azulejaria portuguesa. Em Portugal, é representado pela Galeria Ratton. 

Texto: Silvia Abreu
Foto: Bruna Fraga