A penúltima edição do ano do Tela Virtual, no dia 25 de novembro, apresenta “Rua Augusta, 1029” (2019), que narra a ocupação de 18 prédios sem função social em São Paulo, em 2015. Depois da sessão, a diretora do curta, Mirrah Iañez, e Daniel Vicente Santiago, historiador e ex-ocupante do prédio da Rua Augusta, conversam com os bolsistas da Sala Redenção, Vitor Cunha e Louise Ayang, sobre a importância e a produção da obra. A live acontece às 19h, no canal do YouTube do DDC-UFRGS. 

O ato ocupacional, chamado de Abril Vermelho, serviu para atentar o governo sobre a falta de vontade política para sanar os problemas de habitação, retratando a dura realidade de centenas de famílias sem moradia em uma cidade tão grande como São Paulo. A obra põe em pauta, também, a violência policial sofrida no processo de desocupação dos prédios, inclusive por crianças. 

Vencedor do Troféu Samburá de Melhor Direção no 29º Cine Ceará e de Melhor Filme Sessão Adentro no 13o Festival Entretodos, o curta coloca o espectador no meio de corredores movimentados e diante da perspectiva de corte de luz forçado pela polícia, sob a pressão de ataques violentos das autoridades. Desta forma, a diretora aborda não somente o direito à moradia, mas revela como o governo trata como criminosos aqueles que o Estado não consegue contemplar. 

Rua Augusta, 1029

(dir. Mirrah Iañez | Brasil | 2019 | 11 min)

Em São Paulo, na madrugada de 13 de abril de 2015, seis mil famílias ocuparam 18 prédios sem função social. O ato, chamado de Abril Vermelho, serviu para atentar o governo sobre a falta de vontade política para sanar os problemas de habitação.

Convidados

  • Mirrah da Silva é documentarista, fotógrafa e arte educadora. Entre 2013 e 2014 dirigiu, produziu e roteirizou os curtas-metragens ESTÁTUAS VIVAS (Melhor filme dirigido por uma mulher – 2º Festival Internacional de Cortometrajes de la Diversidad Social, México) e BUMBA BUMBA COM A MINHA PRÓPRIA MACUMBA (Prêmio Retrato da Realidade Nacional, 19 FBCU). Em 2015, Mirrah lança o webdocumentário MOBILIÁRIO URBANO (moburb.org) com Eduardo Liron, obra interativa e híbrida de direção e fotografia coletiva. Entre 2015 2017, fotografou e dirigiu os curtas documentais DERRUBADA (LONA Mostra, Cinema e Territórios, pelo MLB Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) e RUA AUGUSTA, 1029 (Troféu Samburá de Melhor Direção no 29º Cine Ceará ,e, Melhor Filme Sessão Adentro no 13o Festival Entretodos), ambos sobre a luta por moradia em São Paulo. Também realizou microfilmes experimentais, entre eles METAMORFOSES DO JORNAL e PARA BELO MONTE.
  • Daniel Vicente Santiago é ex-morador da Ocupação São João 588 e ex-ocupante do prédio da Rua Augusta. Defende os diversos direitos dos seres nesse plano de existir. Historiador, educador em museus e produtor cultural, defende os diversos direitos dos seres no plano de existir.

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