
MOSTRA DISCENTE
02 DE OUTUBRO, SÁBADO, 20H
AGLOMERAÇÃO
O trabalho foi idealizado inicialmente a partir de uma provocação para improvisação em uma disciplina no Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas desta universidade. A proposta foi criar um vídeo a partir das obras de Maria Lídia Magliani. Ela foi escolhida por sua trajetória como artista gaúcha, influenciada por temas feministas, primeira mulher negra formada pela Escola de Artes da UFRGS, e que no ano de 2022 fará dez anos do seu falecimento. Da observação das suas obras Acumulações, de 2001, e leitura de textos de/sobre Maria Lídia Magliani, foram surgindo as composições de imagens e sons. Um dos textos de referência apresenta a conexão da trajetória de Maria Lídia com a artista Nina Simone em relação a suas vidas de preconceito, violência e ativismo, por isso a menção ao jazz. Na colagem sonora foram inseridas algumas falas e sons dos objetos que compõem o vídeo, criando uma paisagem sonora. O vídeo inicia com uma colagem de fotos tipo stop motion (animação feita a partir de fotografias, quadro a quadro) na tentativa de trazer concretude para a obra escolhida de Maria Lídia. A partir daí, a ideia foi dançar com esses objetos de uma forma caótica e sem sentido, com uma pitada de humor.
FICHA TÉCNICA
Concepção e produção por Gabriella Clavijo, colagem sonora por Poliana Lima, edição por Rodrigo Teixeira.
E TUDO VIROU BRASA BRASIL
O vídeo é o fruto de um trabalho colaborativo, composto pela união de performance, animação e música. O curta-metragem busca denunciar a crise climática e o atual cenário do desmatamento no Brasil. A performance coloca em cena a relação do ser humano com a natureza, a animação representa o declínio da natureza em si, e a trilha sonora acompanha o panorama da relação entre os dois.
FICHA TÉCNICA
Concepção e Direção – Kelvin Machado e Laura Mallmann
Performance – Laura Mallmann
Animações – Céu Isatto
Trilha Sonora, Câmera e Edição – Kelvin Machado
JOÃO DE BARRO
Essa é uma canção escrita em três etapas: letra no campus da reitoria pré-pandemia, melodia em período de isolamento e harmonia pensada mais tarde, já com o objetivo da mostra discente. Nós (Cauê Zinn e Sofia Sol) somos um casal de artistas que sempre quis produzir algo juntos, e essa foi a primeira de uma pequena série de canções compostas na pandemia. Esperamos poder desenvolver o nosso material e compor cada vez mais, porém foi a oportunidade da mostra que nos deu o incentivo para finalizar a ideia dessa música que tinha surgido lá em 2019. Convidamos o colega André Bocchese, que além de amigo é grande violonista, pra completar o som.
FICHA TÉCNICA
Composição: Cauê Zinn Farias e Sofia Furtado Esteves.
Arranjo, piano, teclados, ukulele e controlador MIDI: Cauê Zinn Farias.
Violão: André Bocchese.
Edição de áudio: Cauê Zinn Farias.
Edição de vídeo: Sofia Furtado Esteves.
ÉPICO LAMENTO
O trabalho nasce de uma ânsia protetora de tudo o que nos faz seres vivos. Seres humanos inteligentes se colocam numa postura predadora com o único lugar que podem chamar de lar, buscando até o último recurso, insatisfeitos. Após atividades abusivas e excessos gananciosos em nome de um tipo de progresso, há uma parcela pensante que lança avisos, em todas as formas, para que nos tornemos melhores no relacionamento com o planeta, porém a resposta deste não tarda. Nosso último bem sagrado coletivo pede socorro. Uma canção-vídeo que busca ser mais uma gota somando na consciência ética com o meio ambiente.
FICHA TÉCNICA
Cris Corrêa – Composição, gravação, arranjo, voz, mixagem e masterização.
Jaque Demcz – Montagem, animações, intervenções, edição e finalização de vídeo.
André Bocchese – Guitarras
EM BUSCA DA RAIZ
Cada um de nós é uma semente cujo potencial brota e floresce com o apoio coletivo. Somos frutos de plantações passadas vivendo o presente imerso no horizonte infinito: o futuro, expansão desse exato instante. Condições climáticas instáveis e pouco propícias podem ser superadas com um pensar e agir movimentados pelo coletivo, como árvores que se comunicam, apoiando-se nos galhos umas das outras e há, para baixo do solo, a mesma grandiosidade. As raízes, muitas vezes submersas, fincam, firmam e sentem o pulsar da dança do balanço do vento, brilham com o raio do sol, da lua e das estrelas; caminham para as profundezas da terra, guardando a essência.
A busca pela raiz é pela coletividade, pela diversidade, pela inclusão, pela troca, pelo sentir, pelo desfrutar e pelo encarar tudo o que é (im)possível. Nessa busca, percebemos que é impossível sermos e estarmos indiferentes, deixar passar e sermos despercebidos. A raiz é a extensão da semente que brota e expande, firma na terra, comunica e cresce, dá frutos. É símbolo ancestral, é presença, é disponibilidade, é verdade, é o agora e suas diversas manifestações e movimentos. É ser, é transcender, é renascer.
“Em Busca da Raiz” é impulsionada pelo inenarrável, é a vivência íntima/história/memória; é o agora de cada um entrelaçado com o todo. Inspirados pelo tema proposto “Uni 40 – música da presença”, nos conectamos com o Sincronário Maia: “Tempo é Arte”, especialmente, nesse ano, que o kin é a Semente Elétrica Amarela. As sementes são representadas pelo milho e por nós, como símbolos desse agora e de novas possibilidades mais integradas; a cor amarela simbolizando a luz da vida, a beleza e a prosperidade.
Instigados a sentirmos e a nos envolvermos com o agora, mapeamos o roteiro e deixamos o encontro com o espaço, com os elementos, com a temática e entre nós, nos motivarem a criar e a fazer brotar as imagens, os sons e as músicas que expressamos e registramos.
Viver o presente aqui e agora, agora.
FICHA TÉCNICA
Elenco
Chico Cordeiro,
Gabriel Wortmann
Giulia Nakata
João Pinheiro Brod
Mariana Stedele
Monise Serpa
Rafa Marques
Direção e Roteiro
Giulia Nakata
Mariana Stedele
Captação de Imagem
Giulia Nakata
Mariana Stedele
Monise Serpa
Montagem do Vídeo
Giulia Nakata
Mariana Stedele
Edição do vídeo
João Pinheiro Brod
Discentes Proponentes
Bacharelado em Música do Instituto de Artes da UFRGS
Giulia Nakata
Mariana Stedele
Trilha sonora
Música Em Busca da Raiz
Voz, letra e composição: Mariana Stedele
Guitarra, mix, master e engenheiro de som: João Pinheiro Brod
Piano: Gabriel Wortmann
Arranjo: Rafa Marques
Letra:
Em Busca da Raiz – Mariana Stedele
Dançar, cantar, mover
O corpo
Na espiral
Jogo
Cartas ao vento
Queimo
Cascas quebradas
Levam palavras
Na brasa
Vão renascer
Em busca
A lembrança anuncia
Quem
Encontra a verdade
Cresce árvore
Torna-se raiz
Música Faxina
Voz, letra e composição: Chico Cordeiro
Letra:
Faxina – Chico Cordeiro
Vou varrendo, vou varrendo
Vou varrendo pra bem longe
Tudo aquilo que não quero
Não me serve passo longe
Paisagem sonora
Chico Cordeiro
Gabriel Wortmann
Giulia Nakata
João Pinheiro Brod
Mariana Stedele
Monise Serpa
Rafa Marques
Captação, mix, master e engenheiro de som
João Pinheiro Brod
Poemas Almoço da Família Tradicional Brasileira e Denúncia
Autoria: Giulia Nakata
Vozes: Giulia Nakata e Mariana Stedele
Almoço da Família Tradicional Brasileira – Giulia Nakata
Te contenta com o que tu pode
Agradece por passar da porta
Filha minha não vive na rua
Eu te criei pra ser dondoca
Denúncia – Giulia Nakata
Andando às espreitas, procuro sossego
Mas as vivências me levaram a fechar os olhos
A perturbação é em qualquer idade
E em todas somos privadas da tranquilidade
Poema Presença
Autoria e Voz: Mariana Stedele
Presença – Mariana Stedele
No fim
Estamos em busca da raiz
Sem fim
Inexistente, inenarrável
Viver o presente aqui e agora, agora.
Locação
Terreira da Tribo, Porto Alegre – RS
Parque Marinha do Brasil, Porto Alegre – RS
Apoio
Terreira da Tribo, Ói Nóis Aqui Traveiz, Porto Alegre – RS;
Brota
Agradecimentos
A profa. Ana Fridman pela indicação e a Ana Laura Freitas pelo contato e disponibilidade;
A todos os discentes que embarcaram junto;
A Universidade pública. Viva!
Ao Ói Nóis Aqui Traveiz por abrir a Terreira da Tribo como cenário;
A ancestralidade, as nossas mães que nos gestaram e nos colocaram no mundo;
A vida, a presença, ao agora, ao encontro, as trocas de saberes, a todos os seres.
HERANÇA LONGÍNQUA
Os pés protagonizam a interpretação da música. Partindo de clichês de passos de dança que o estilo da música sugere, vai-se além dessa perspectiva em direção a uma autonomia dos pés que tornam-se personagens da história e criam uma narrativa própria. A trilha aborda a permanência de uma forma no tempo, uma herança que perdura até a modernidade. Propõe a junção da música de concerto com o folclore, explorando seus parentescos e diferenças e expondo as mudanças desta forma ao longo da história. O preto e branco da imagem dialoga com o anacronismo da música. As meias rasgadas apontam para a realidade social latino-americana.
FICHA TÉCNICA
Performance e vídeo: Nina Eick – Mestranda em Poéticas da Arte
Música: Antonio Achutti Olivé – Graduando do Bacharelado em Música Popular
SERTÃO: INTIMIDADE E IMENSIDÃO
Uma releitura do livro “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa, com o narrador-personagem Riobaldo relembrando sua história através de vozes jovens, velhas, masculinas e femininas, tendo como pano de fundo sons que compõem a paisagem sonora do interior rural de Minas Gerais.
FICHA TÉCNICA
DIREÇÃO: Poliana Lima
PRODUÇÃO: Bruno Soares e Poliana Lima
GÊNERO: Drama
EQUIPE DE PRODUÇÃO: Bruno Soares e Poliana Lima
MONTAGEM: Bruno Soares e Poliana Lima
ROTEIRO: Poliana Lima
BASEADO EM: “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa
ELENCO: Bruno Soares, Juan Jaques, Maria Ferreira, Maria Marly,
Otalício Soares, Poliana Lima.
MÚSICA: Bruno Soares e Poliana Lima
FOTOGRAFIA: Poliana Lima
SOM: Bruno Soares e Poliana Lima
FEDORA: ASÍ MI LUNA LLEGA A VOS
O trabalho é resultado da parceria entre alunes do Departamento de Música e das Artes Visuais, ambos alocados no mesmo prédio da Senhor dos Passos, Centro Histórico de PoA. Porto Alegre é a capital mais ao extremo sul do país, estando imersa e/ou fortemente influenciada por “sus vecinos”. E o tango que tocamos, enquanto manifestação cultural, poética, sonora, pode expressar essa tensão de uma localidade que se identifica com o restante do país Brasil, pela unificação política e territorial, mas se avizinha de suas fronteiras pelas repercussões históricas da própria disputa entre os “conquistadores”. Entre aspas, pois é a própria matéria desse sul do continente que revela e vai compondo os sujeitos que aqui estavam e os que, por suposto, adentravam.
Bernardo, Rafael e zarra, três artistas residentes dessa capital, vivem essas afetações de forma singular, cada qual à sua maneira, e se reúnem para desenvolver um trabalho que os conecta e revela sua natureza compartilhada. Imersos nessa cultura politicamente entendida enquanto Cone Sul, viajam melodicamente à vizinhança sempre à espreita, sopradora de ares, e reguladora de temperaturas.
Sendo assim e, tendo em vista a concepção do arranjo musical de duo harmônica e piano, propusemos uma nova concepção estética em relação à gravação de estúdio do compositor argentino Fito Paez, aproximando um pouco mais das referências musicais do “Novo Tango” de Astor Piazzolla e amalgamando vertentes do tango, do jazz e da música erudita, somada à performance de uma sombra/silhueta, promovedora dum mergulho numa atmosfera peculiar criada pelos artistas e por quem os antecede nesse continente.
FICHA TÉCNICA
“Fedora: así mi luna llega a vos”
Música: “Giros”
Compositor: Fito Paez
Artista visual da vídeo performance: zarra
Interpretação e arranjo musical:
Bernardo Zubaran (Harmônica)
Rafael Petrucci (Piano)
OUTONA
Sentindo o mover, desde as raízes sob os pés e os fluxos do corpo em direção as mensagens do universo, dançamos e tocamos. A terra pulsa, vibra e nos nutre. E nós? O que fazemos por ela? Ela soa… Tempos do agora: dançar com o que o corpo diz hoje. Expresso o que é possível em meio ao isolamento. Danço a mãe e mulher que consigo ser entre as muitas que somos maternando em quarentena. Desde os ciclos naturais internos, buscar a conexão, as estações; revolver a dança e música que pulsa em nós e reforça esta comunicação. Intento homenagear mulheres mães. Dedico às mestras das danças afro: Vera Passos, Vânia Oliveira, Aldelice Braga, Edileusa Santos, Rosângela Silvestre.
FICHA TÉCNICA
Coreografia e interpretação: Roberta Campos
Trilha sonora: Duda Cunha
Texto e locução 1: Roberta Campos
Texto e locução 2: Gabriela Santos Cavalcante Santana
Captação e edição de imagem: Duda Cunha e Roberta Campos
O FUTURO É ANCESTRAL
Em tempos de discussões acerca do marco temporal para demarcação de terras indígenas, o grupo com suas mistas manifestações artísticas concebeu “o futuro é ancestral”. A exaltação do circular, daquilo que se repete, que sabe e respeita da onde veio.
Usamos como motivador da discussão o vídeo “FLECHA 1 – A SERPENTE E A CANOA”, disponível no youtube “SELVAGEM ciclo de estudos sobre a vida”. O trabalho conta com, entre outros, Direção artística, roteiro e pesquisa Anna Dantes e Orientação e narração de Ailton Krenak. De forma didática eles viajam entre os saberes indígenas e hipóteses científicas.
Já em “o futuro é ancestral”, vemos a reverberação que as palavras de Krenak produziram em cada diverso corpo, das bailarinas aéreas, da musicista, do editor. Como em um transe, as mentes se alinham, se atravessam, se sobrepõem, fecham o círculo e começam novamente.
FICHA TÉCNICA
Interpretes criadoras: Ellen Hiromi Kambara; Ana Maria da Costa Greff
Trilha sonora original/ música e voz: Ana Paula Posada
Edição: Nicolas dos Santos Medeiros Collar
Agradecimentos especiais: Pelo cenário, ambientação e acomodação da filmagem à Terreira da Tribo, sede do grupo de teatro Ói Nóis Aqui Traveiz. E à Clélio Cardoso, Yulan Cardoso e Lucas Chando Nunes Soares.