Já pensou em como divulgar o que você pesquisa é muito importante? Então, assista ao vídeo e descubra como é fácil fazer divulgação da ciência! Esse vídeo foi criado por alunos da disciplina Divulgação da Ciência do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRGS com a intenção de ajudar a esclarecer como divulgar a ciência, tanto para o público especializado como para o público leigo.
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Ciência do Solo: Pedologia, o que é?
A pedologia ao contrário do que alguns pensam ou confundem, não se trata sobre o estudo dos pés, como faz a podologia, muito menos sobre doenças de crianças e adolescentes como faz a pediatria, mas sim é a ciência que estuda o solo, sua forma,
origem, classificação e propriedade.
A palavra é formada pela união de pedon, que vem do grego e significa solo e logos que também do grego pode ser entendido como estudo.
Tudo começou em 1880 na Rússia, quando o geógrafo Vasily Dokuchaev creditado por estabelecer as bases da Ciência do Solo e da Ciência da Paisagem, observou que o solo não era um simples amontoado de materiais, mas resultado de uma complexa interação de inúmeros fatores, como o clima, organismos e topografia, que agindo por certo período de tempo sobre material de origem produziam o solo.
O solo é um recurso natural tão importante quanto a água e o ar. É ele que sustenta as florestas, ruas, construções e tudo aquilo que é necessário para a vida, além disso, o solo filtra e armazena parte da água que bebemos. É nele que os alimentos de origem vegetal crescem e se desenvolvem e onde vivem as plantas que filtram o ar e produzem parte do oxigênio que respiramos. Também é no solo que ocorrem os principais ciclos biogeoquímicos, como o da água, o do carbono e o dos nutrientes.
Pela sua importância devemos protegê-lo e para isso é necessário um diagnóstico apurado, afinal de contas os solos variam muito conforme o relevo, a rocha, a vegetação e o clima. Somente com informações precisas podemos realizar um planejamento consciente do uso das terras.
O papel do solo é ainda mais relevante em um país como o Brasil, com grande vocação agropecuária. Conhecer o solo a fundo, figurativamente e literalmente é, portanto um suposto de sustentabilidade. Assim, os estudos pedológicos são fundamentais para:
– Corrigir a fertilidade natural do solo;
– Neutralizar sua acidez;
– Identificar solos apropriados para cada cultura;
– Monitorar teores de matéria orgânica;
– Preservá-los contra os perigos da erosão.
Dessa maneira, essa ciência nos auxilia a compreender os danos causados em catástrofes ambientais, como em Mariana/MG, por exemplo, e assim buscar soluções para a recuperação do solo afetado.
Processo pedológico
O ponto de partida para uma análise pedológica é o estudo e o exame do perfil do solo em seu meio natural. Através de aberturas de trincheiras, deve-se descrever completamente o solo, levando em consideração características como transição, profundidade e espessura dos horizontes e camadas, cor, textura, raízes e classes de reação do solo.
Após coleta de diversas amostras, os solos são elencados em vários níveis categóricos de
acordo com suas características. Ao final, o solo analisado é categorizado de acordo com a classificação de solos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.
O propósito da pedologia é dar suporte a áreas da ciência como agronomia, geografia, geologia, ciências ambientais
O que são fatores humanos?
Este vídeo sobre fatores humanos mostra como eles podem contribuir para os erros que nos frustram na vida comum e no trabalho, e seu papel nos grandes acidentes industriais. O estudo dos fatores humanos é importante na história recente e é aplicado a produtos de consumo, processos industriais, serviços de saúde e tecnologia aeroespacial e militar. Sua pesquisa segue métodos científicos e é realizada por equipes multidisciplinares. São apresentadas formas de se prevenir erros humanos no dia a dia das pessoas.
6 frases que você já ouviu sobre tecnologias num almoço de domingo e o que a psicologia pode dizer a respeito
Sabemos que a tecnologia evoluiu muito nas últimas décadas! Os aparelhos que temos hoje, que cabem na palma da nossa mão são leves como isopor, são mais potentes que os computadores de 30 anos atrás. Com isso, nesse momento histórico coexistem gerações que nem sonhavam com a disseminação dos computadores, pessoas que testemunharam o avanço das tecnologias na vida doméstica e ainda aquelas que nasceram e/ou cresceram num mundo no qual se estima que 90% da população mundial possui acesso a sinal de celular.
Assim, ao conversarmos com as pessoas das nossas famílias sobre tecnologias costumamos nos deparar com aqueles que se apresentam pessimistas e otimistas sobre os efeitos das tecnologias em nosso cotidiano.
Pesquisadores ao redor do mundo tem buscado investigar questões relativas aos efeitos da tecnologia nas nossas vidas. A ciberpscologia estuda processos psicológicos, motivações, intenções e comportamentos, e seus efeitos nos mundos online e offline, associados com qualquer forma de tecnologia. Para a ciberpsicologia, o estudo sobre a influência dessas novas dimensões de interação deve abranger tanto os aspectos negativos, quanto os positivos.
Para isso, selecionamos algumas frases que talvez você já tenha escutado por aí, e vamos discutí-las à luz da psicologia e dos estudos científicos.
1) As tecnologias aproximam quem está longe e afastam quem está perto.
A qualidade das ligações via internet melhorou tanto em comparação aos telefones analógicos que aqueles que dependiam de cartas e pombos correios para se comunicarem com os amigos e parentes que foram viver mais longe acreditam que o Skype é realmente uma dádiva. Mas costumam acreditar que outras ferramentas e redes sociais captam tanto a atenção dos usuários de smartphone que acarretam num distanciamento entre as pessoas mais próximas.
Uma das principais motivações para o uso de tecnologias de comunicação relaciona-se à necessidade das pessoas de sentirem que pertencem a um grupo. Essa não é uma necessidade que surge com a tecnologia, mas está relacionada a procurarmos outras pessoas para convivermos.
Um estudo realizado com jovens universitários buscou identificar padrões de comunicação entre jovens usuários de mensagens instantâneas. Para isso, os pesquisadores avaliaram as frequências de troca de mensagens e os padrões de comunicação em universitários de 18 a 23 anos que usavam muito e os que usavam pouco. Os motivos para trocas de mensagem mais frequentes em ambos os grupos foram, respectivamente, trocar informações, planejar atividades, conversação geral, mandar fotos e piadas, ocupar o tempo, e aprofundar a relação.
Outra pesquisa teve como foco os atributos psicológicos envolvidos com o uso de smartphone. Os resultados indicaram que um dos principais benefícios atribuídos pelos usuários dessa ferramenta seria a habilidade de contatar, em tempo real, pessoas que estão fisicamente distantes, além de ser considerada uma fonte de apoio social, distração e utilidade. Porém, investigadores acreditam que as mídias de comunicação se relacionam positivamente com o apoio dos amigos e negativamente com o apoio da família. Um estudo que verificou a relação entre a percepção de apoio social de adolescentes e o uso de mídias através de um questionário sobre usas principais atividades desenvolvidas no seu tempo livre e o quanto se percebem apoiadas por pais, amigos e outros verificou esse mesmo resultado. Um dos motivos para isso pode ser explicado pela diferença entre gerações nos membros da família, que podem ter níveis diferentes de familiaridade com a tecnologia.
2) Essas tecnologias fazem com que as pessoas fiquem cada vez mais sozinhas.
Os jovens são os principais usuários das tecnologias de conexão contínua. O estabelecimento de relações sociais e o fortalecimento das mesmas é muito importante, especialmente na juventude. Para os jovens, os amigos são definidos principalmente através de atividades mútuas e por uma disposição para dar conselhos, apoio social e compartilhar áreas de interesse.
Um site australiano que trabalha com conhecimento e suporte psicólogico mostrou que aproximadamente 66% das pessoas que acessam o site tem entre 14 e 18 anos. Ou seja, essas pessoas enxergam na Internet uma forma eficaz e útil de buscar ajuda psicológica.
Cada vez mais pessoas utilizam Internet, smartphones, facebook, whatsapp, etc. Ou seja, a sociedade está cada vez mais tomada pela tecnologia. Então que tal fazer do limão uma limonada? Existem diversos recursos que trazem benefícios para as pessoas, que podem e devem serem aproveitados. Exemplos disso são aplicativos voltados para a promoção de saúde, ou para o desenvolvimento de práticas psicológicas saudáveis, como mindfulness, expressão de gratidão, etc. A tecnologia não é boa nem ruim, depende do uso que fazemos dela.
3) O fulano é viciado em tecnologia.
As adições, ou vícios, podem estar relacionadas ao consumo de substâncias ou ainda a comportamentos que trazem prejuízos as pessoas. Para que possam ser consideradas transtornos é preciso ter em conta alguns critérios específicos. Por exemplo experimentar sentimentos desagradáveis ao não jogar os jogos online, desenvolvimento de tolerância quanto ao tempo que passa jogando online e a perda de interesse em outras atividades para que se possa continuar jogando. Apesar desses critérios serem específicos para o uso de jogos online, outros pesquisadores estão investigando uso compulsivo de smartphones, mensagens instantâneas, acesso a emails e navegar na internet, em estudo conduzido através da aplicação de questionários em adolescentes espanhóis. Tais estudos apontam que o excesso de uso de tecnologias pode interferir significativamente na vida da pessoa e estar associado a isolamento social e transtornos de ansiedade.
Ou seja, pode ser sim que algumas pessoas experimentem um uso exagerado das tecnologias e que isso traga prejuízos importantes para a vida dessas pessoas. Se você estiver preocupado com o uso que algum de seus familiares ou amigos pode estar fazendo das tecnologias e estiver apresentando alguns dos comportamentos que citamos acima pode ser importante conversar com ele sobre procurar ajuda profissional.
Agora, se a pessoa apenas demonstra grande interesse em tecnologias, de forma geral, mas não está tendo prejuízos evidentes com isso – perdendo atividades com amigos, interesse em coisas que costumava fazer e não faz mais, não mudou hábitos alimentares nem apresenta grandes alterações de humor – talvez ela só esteja muito interessada em um hobby. Para se aproximar dela, pode ser interessante aprender mais sobre tecnologia também.
4) Os jogos de vídeo game fazem as crianças ficarem más
Muitas pessoas acreditam que os jogos de videogame são responsáveis quando as crianças apresentam “mau comportamento”. Mas não se sabe da existência de uma relação causal entre os jogos e o comportamento das crianças. Uma pesquisa da Universidade de Glasgow que analisou dados coletados durante 10 anos, mostrou que jogar consistentemente videogames não resulta em alteração de comportamentos. Outro estudo desenvolvido com crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos coletou dados sobre o seu uso de videogames diariamente. Os pesquisadores identificaram que jogar menos de uma hora por dia, tem correlação com níveis maiores de felicidade e ajustamento do que não jogar.
Por outro lado, outra pesquisa mostra que jogar em excesso pode causar problemas, principalmente quando o jogo é muito difícil. Além disso, existem jogos com conteúdo sexual e de violência explícitos, nos quais o personagem principal não é um mocinho e sim um bandido: pode infringir regras, matar pessoas, etc. É plausível pensar que estes jogos podem ter alguma influência no desenvolvimento moral das crianças. Por este motivo, sugerimos que os pais sempre observem a idade mínima indicada pelos jogos.
5) Terapia online não funciona, é fria e distante
Este é um assunto que divide opiniões até mesmo entre os Psicólogos. Com o avanço das tecnologias, alguns psicólogos começaram a utilizar outras ferramentas para atender seus pacientes, como telefone, e-mail, skype e mais recentemente, whatsapp. Com isso, inúmeras críticas surgiram, como por exemplo o fato de que a terapia online seria um processo frio, onde não há aproximação entre terapeuta e paciente, ou que ela não é efetiva. Não é verdade.
A terapia online é um processo que se assemelha muito a uma terapia presencial, com os mesmos elementos presentes. O acolhimento, a empatia, e o vínculo são essenciais. Inclusive, uma pesquisa realizada por uma doutora da UFRGS mostrou que o vínculo entre terapeuta e paciente na terapia online pode ser tão forte quanto na terapia presencial.
Porém, para isso o profissional deve ter conhecimento técnico da tecnologia e saber como expressar-se utilizando esse meio de comunicação. Caso contrário, realmente o serviço que ele(a) oferece será de baixa qualidade, frio e distante..
E sim, terapia pela Internet funciona, segundo vários estudos internacionais! Uma metanálise (um estudo que reúne dezenas de estudos) mostrou que a Terapia cognitivo-comportamental online é efetiva para diversos transtornos como depressão, transtorno do pânico, fobias, e transtornos alimentares.
* É importante lembrar que, em se tratando do Brasil, a terapia online só é permitida em âmbito de pesquisa; o que os profissionais no Brasil fazem se chama Orientação Psicológica Online, que é um processo pontual e informativo, limitado a 20 sessões (CFP, 2012).
6) As tecnologias são maravilhosas para as pessoas!
As tecnologias são instrumentos. Como uma faca. Você pode usar uma faca para cortar legumes e auxiliar na cozinha ou para cometer um crime. O uso que fazemos dos instrumentos pode promover comportamentos saudáveis ou prejudiciais.
Como dissemos no tópico anterior, as tecnologias podem sim trazer ótimos benefícios. Porém, também podem causar tudo aquilo que as pessoas dizem: afastamento social, dependência, etc. Às vezes é necessário deixar o celular de lado e conversar com quem está almoçando com você. Não se trata de ser antiquado, mas sim de lembrar que o ser humano é um ser social, necessita de proximidade e relações íntimas para ser feliz.
Voltamos a dizer: a tecnologia não é boa nem ruim, depende do uso que VOCÊ faz dela. A melhor solução que podemos chegar hoje é: evite os excessos, busque estar presente nas experiências que você está vivendo, e faça o melhor uso possível das tecnologias que estão disponíveis.
Fabiane Friedrich Schütz
Gerson Siegmund
Quatro mitos sobre relacionamentos de casal e o que a ciência tem a dizer sobre eles
Diversos mitos sobre “encontrar um companheiro(a)” e o que é “ser casal” circulam entre as pessoas. Esses mitos podem ser encontrados, por exemplo, na mídia ou em provérbios populares, mas nem sempre correspondem à realidade e, algumas vezes, são conflitantes entre si. Essas ideias podem ser úteis para dar significado a fatos difíceis de serem explicados ou compreendidos, porém, algumas vezes se tornam crenças errôneas que prejudicam os relacionamentos. Vejamos alguns desses mitos e o que as pesquisas têm a dizer sobre eles.
Casais são “duas metades da laranja” ou “os opostos se atraem”?
Na cultura popular há duas ideias distintas sobre as características que cada um dos parceiros deve ter para alcançar um relacionamento feliz. Por um lado, há o ditado de que cada pessoa possui uma “cara metade” ou que um casal é como “duas metades da mesma laranja”, ou seja, somente quando encontramos a parte que nos falta, nos tornamos completos. De acordo com essa ideia, como os cônjuges são parte de um mesmo todo, quanto mais parecidos são os parceiros, mais feliz será o relacionamento. De outro lado, há a ideia de que “os opostos se atraem”, de que os parceiros devem ter características que complementem um ao outro. Embora haja pessoas que se posicionem ao lado de uma ou outra dessas ideias, quando estudamos a qualidade dos relacionamentos em relação às características de cada cônjuge vemos que as coisas não são tão simples.
De fato, algumas pesquisas sobre o tema mostram que há mais chances de que o relacionamento seja satisfatório quando as pessoas envolvidas têm características parecidas, como por exemplo: personalidade, crenças e valores. Um estudo realizado com 137 casais na Holanda, porém, demonstrou que essa situação pode variar de acordo com as circunstâncias em que o relacionamento iniciou. Nesse estudo, casais que já se conheciam antes do envolvimento amoroso tinham características mais parecidas entre si, sendo que essa similaridade estava associada com um relacionamento mais satisfatório. Porém, entre aqueles que não tinham conhecimento prévio das características do outro, e que se apaixonaram “à primeira vista”, os parceiros eram mais diversos entre si. Apesar disso, é interessante notar que esses últimos não apresentaram menor qualidade conjugal em relação aos primeiros, ou seja, o fato de os parceiros possuírem características semelhantes não esteve, necessariamente, associado a estar em um melhor relacionamento. Outros estudos também mostram que, em algumas circunstâncias, como em casais de meia idade que estão em relacionamentos longos, e em casais em que cada parceiro tem uma maneira diferente de perseguir seus objetivos (por exemplo, de maneira incisiva, entusiástica ou de forma atenta e cautelosa), as diferenças entre os cônjuges podem trazer benefícios.
Dessa forma, percebemos que tanto as similaridades como as diferenças podem servir como ferramentas em relacionamentos amorosos. As similaridades podem ser úteis para construir uma relação de intimidade, e para encontrar interesses e atividades em comum, que aproximam o casal. Já as diferenças podem auxiliar na divisão de tarefas entre os parceiros, contribuir para diversificar as estratégias de busca de objetivos e resolução de problemas quando necessário, e, de maneira geral, enriquecer o relacionamento.
Marido e mulher devem ser melhores amigos.
O casamento é fonte de toda a nossa felicidade.
Algumas pessoas acreditam que marido e mulher devem ser melhores amigos, e que a intimidade entre o casal cria uma espécie de conexão, em que é possível até mesmo adivinhar os gostos e os desejos do(a) companheiro(a). Por causa disso, um vínculo conjugal forte “aguenta tudo”, e permite que os parceiros compartilhem todos os aspectos de suas vidas. Afinal, é no casamento que encontramos nossa felicidade. Será que é assim mesmo?
É importante ter em mente que um casal é formado por duas pessoas que têm características, gostos, expectativas e pensamentos diferentes uma da outra. Embora parte de uma união, é fundamental que cada membro do casal mantenha aspectos de sua individualidade. Isso quer dizer que é impossível adivinhar o que outra pessoa pensa e deseja – e, por isso mesmo, não parece sensato acreditar que outra pessoa possa magicamente saber o que queremos, o que nos magoa e o que esperamos que essa pessoa faça. Além disso, casais que compartilham absolutamente tudo, abdicando de sua individualidade, correm o risco de sobrecarregar o relacionamento. Preservar as individualidades e os contatos sociais, como os amigos, pode ser uma boa forma de evitar que isso aconteça. Uma pesquisa realizada por Allen Barton e colegas, na Universidade da Georgia, Estados Unidos, traz resultados interessantes nesse sentido. Os pesquisadores entrevistaram 492 pessoas casadas, que responderam a perguntas sobre satisfação no casamento, saúde financeira, integração social e densidade populacional do local onde moravam. Os resultados mostraram que, para casais pouco integrados socialmente, os problemas financeiros e a urbanização tinham um impacto negativo na satisfação com o relacionamento. Porém, para casais com maior integração na comunidade, esses efeitos eram atenuados ou até mesmo inexistentes.
Assim,os relacionamentos amorosos são uma parte importante, mas apenas uma parte, de nossas vidas. Esquecer de outras relações e de outros aspectos de nossas vidas que nos fazem ser quem nós somos pode ser tão prejudicial para a vida de casal quanto adotar uma postura egoísta e descomprometida com o relacionamento.
Casais felizes não brigam.
Se duas pessoas se amam, escolhem viver juntas e querem o bem uma da outra, faz sentido que elas vivam em harmonia, sem brigas e desentendimentos, certo?
Errado!Como vimos acima, um casal é composto por dois indivíduos que constroem uma determinada maneira de se relacionar e um espaço de convivência em comum. Nesse contexto, as características e interesses individuais dos parceiros – que são formados por preferências pessoais, valores, experiências prévias com a família e amigos, entre outros – algumas vezes entram em conflito e acabam gerando desentendimentos. Por isso, dizemos que os conflitos são inerentes às relações humanas, incluindo o relacionamento de casal. Mas, se os conflitos são normais e esperados nos relacionamentos, por que alguns casais brigam tanto que acabam se separando, e outros conseguem contornar as desavenças?
O impacto dos conflitos no relacionamento depende de alguns fatores, como os temas de desentendimento – alguns conflitos são mais sensíveis e difíceis de resolver do que outros –, da intensidade das brigas, da frequência com que ocorrem e, principalmente, da maneira como são resolvidas as desavenças do dia-a-dia. De maneira geral, as pesquisas mostram que a forma mais efetiva de resolver os conflitos é negociando e tentando chegar a um acordo que atenda minimamente às necessidades de ambos os cônjuges. Em contrapartida, evitar temas sensíveis aos conflitos, guardando os sentimentos para si mesmo ou esperando que o tempo resolva os problemas não faz com que eles desapareçam, e sim retornem com mais intensidade em outro momento. Entretanto, as coisas não são tão simples. Uma pesquisa conduzida por James McNulty e Michelle Russell, que acompanhou 207 casais americanos durante oito meses, constatou que a negociação foi resolutiva a curto prazo. Porém, quando os problemas conjugais eram mais sérios, formas mais diretas e confrontativas de resolver os conflitos mostraram ser benéficas para o relacionamento a longo prazo. Assim, apesar da importância de aprender a negociar, é importante ter flexibilidade e contar com um amplo leque de alternativas ao resolver os problemas.
Analisando tudo isso, percebemos que os mitos que circulam sobre como se formam e como devem ser os relacionamentos podem nos levar a procurar por algo que não existe, como o parceiro ideal, ou a ter expectativas exageradas ou equivocadas sobre a relação de casal. Relativizar essas ideias é um passo importante para encarar as situações do dia-a-dia de casal de forma mais realista e ter um relacionamento mais saudável.
Marina Zanella Delatorre
Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Podcast: O que é Neuropsicologia? (Parte 1) / (Parte 2)
(PARTE 1)
(PARTE 2)
Podcast “O que é uma revista científica?”
Do Diálogo à Psicoterapia
Historicamente, aprendemos a recorrer a pessoas para adquirirmos informações. A prática cultural de buscar alguém mais “experiente”, por exemplo, é algo que foi passado através das gerações devido à sua praticidade e utilidade. Durante a nossa criação, em diversas circunstâncias nossos familiares nos indicaram o nome, a posição e a função de um determinado objeto. As crianças normalmente ouvem de seus pais certas “regras” sobre como o mundo funciona e o que se deve fazer diante de um contexto X ou Y. O que temos aqui é o efeito que uma conversa pode ter sobre o comportamento.
Existem diversos transtornos mentais e problemas psicológicos que podem nos levar ao tratamento, sendo que todos eles envolvem um sofrimento significativo. Nestas horas, recorrer a amigos e familiares pode não ser suficiente ou ser benéfico apenas a curto prazo. Isto acontece porque muitas das pessoas que confiamos estão sob o efeito da desejabilidade social, ou seja, estão suscetíveis a falar aquilo que elas sabem que queremos ouvir, o que nem sempre nos ajuda a descobrir a causa de nossos problemas. É importante mantermos amizades e estarmos próximos daqueles que amamos, entretanto, às vezes precisamos conhecer melhor nossos problemas.
O que é a Psicoterapia?
Diferente de uma conversa com uma pessoa próxima, a psicoterapia não funciona apenas como um aconselhamento. O terapeuta está menos suscetível à desejabilidade social e, portanto, não busca falar algo para o paciente apenas “se sentir melhor”. O terapeuta também não busca resolver os problemas do paciente por ele. O que ocorre na psicoterapia é diferente.
No Brasil, a psicoterapia é praticada por Psicólogos Clínicos e Psiquiatras. Ela pode ser classificada como um tratamento com base em uma teoria psicológica do desenvolvimento e do comportamento humano. Existem várias abordagens de psicoterapia: comportamental; psicanalítica/psicodinâmica; humanista; cognitivo-comportamental; dentre outras. Cada uma delas é baseada em um modelo teórico que busca explicar questões como: Por que o indivíduo se comporta? Quais são as causas do comportamento? O que é sofrimento? Como modificamos o comportamento? E o que é um comportamento saudável/não-saudável? Para responder cada uma destas questões, os pesquisadores interessados na psicoterapia utilizam de métodos científicos de investigação.
Como ela é investigada?
No início das psicoterapias a única maneira de saber se um tratamento funcionava era através da observação clínica. Conforme o tratamento acontecia, o psicoterapeuta observava as reações do paciente e os sinais de melhora. Tudo que era observado deveria ser escrito e divulgado a outros terapeutas para que estes compreendessem o que acontecia no tratamento e contribuíssem com suas observações.
Com o passar do tempo, os estudos mudaram. Um psicólogo e teórico da personalidade chamado Hans Eysenck publicou, em 1952, um artigo que afirmava que o efeito dos tratamentos psicoterápicos da época não era melhor do que a passagem do tempo. Ou seja, o passar do tempo foi considerado mais terapêutico do que a terapia. Muitos pesquisadores duvidaram dos resultados de Eysenck e decidiram estudar o efeito das psicoterapias através de métodos mais rigorosos de investigação.
Alguns dos novos métodos empregados foram os Estudos de Dose-Efeito, os Ensaios Clínicos Randomizados e os Estudos de Processo da psicoterapia. Nos estudos de Dose-Efeito, os pesquisadores se perguntavam, por exemplo, quantas sessões de uma psicoterapia X eram necessárias para que houvesse melhoras nos sintomas de depressão.
O que se sabe atualmente, considerando revisões sobre o tema, é que quanto maior o número de sessões, maior a chance de melhora. Nos Ensaios Clínicos-Randomizados, os pesquisadores comparam a eficácia da psicoterapia com outros tipos de tratamento ou com pacientes em uma lista de espera. Nestes estudos, é possível verificar que diversos tipos de psicoterapia são mais eficazes do que listas de espera e também se pode mensurar qual abordagem de psicoterapia é mais eficaz para um transtorno específico. Já os Estudos de Processo avaliam todo o andamento da psicoterapia para saber quais são os principais fatores que levam à melhora de um determinado sintoma ou transtorno. É possível verificar os efeitos do comportamento do terapeuta sobre o paciente e vice-versa. Estudos de processo revelam o que é efetivo no tratamento e mostram, por exemplo, que apesar de existirem diversas abordagens de psicoterapia, terapeutas com muita experiência tendem a agir de maneira semelhante no tratamento.
Ao contrário do que Eysenck divulgou, as psicoterapias são eficazes e efetivas para uma série de transtornos. Muitas das psicoterapias são consideradas tratamentos baseados em evidência, o que quer dizer que estas são eficazes enquanto tratamentos psicológicos. Existem grupos de pesquisadores como a Sociedade pela Pesquisa em Psicoterapia (do inglês, Society for Psychotherapy Research) que estão interessados na divulgação e no reconhecimento da psicoterapia como um tratamento necessário para a saúde mental.
Além do Diálogo
Recorrer a pessoas importantes em um momento de sofrimento á algo que aprendemos ao longo de nosso desenvolvimento. Ao buscarmos psicoterapia estamos entrando em um processo de terapia com objetivos e tarefas que são criadas através do vínculo do terapeuta com seu paciente. Este vínculo não está preso a julgamentos morais sobre o que é certo ou errado, mas está ligado a perspectivas éticas que consideram o que é psicologicamente saudável ou não saudável para o paciente em tratamento. As teorias utilizadas pelo psicoterapeuta fazem com que ele tenha mais facilidade em identificar, em conjunto com o paciente, as causas dos problemas deste. As técnicas e intervenções utilizadas ao longo do tratamento são baseadas em uma ampla gama de estudos que mostra o quanto elas podem ser efetivas para os diversos transtornos mentais conhecidos.
Por fim, conversas podem ser agradáveis e fazem parte de nossas relações sociais. No entanto, quando estamos em um sofrimento significativo, aconselhamentos e trocas de informações podem não nos auxiliar. Nestes momentos, podemos recorrer ao tratamento psicoterápico para que possamos conhecer a origem de nosso desconforto e construir, em conjunto com o terapeuta, objetivos que nos levem à autonomia e à saúde mental.
Texto por: Gibson Weydmann






