
( Julho de 2006 )
Síntese do caso – O filme
Analisaremos o caso de Leo Lozeau, personagem do filme “Léolo: porque eu sonho” (1991), do diretor canadense (já falecido) Jean-Claude Lauzon. Trabalharemos com as imagens do passado, mostradas no filme, a partir da narrativa do adulto, no presente.
Leo Lozeau é um dos filhos de uma família de operários de Montreal, no Canadá. É o mais novo dos quatro filhos do casal, seus irmãos chamam-se Nanette, Rita e Fernand. Apesar de apresentar assim sua família, Leo recusa a nacionalidade franco-canadense, dizendo ser italiano e que seu nome na verdade é: Léolo Lauzonne (inclusive costuma usar um acento italiano ao pronunciar o que diz ser seu verdadeiro nome).
As lembranças que Leo tem da infância são um tanto distintas do que se espera da infância da maioria das pessoas. Ele conta que toda a semana seu pai dava a ele e aos irmãos laxantes, porque entendia que “cagar era sinal de saúde”, e ficava na porta do banheiro esperando o “produto” dos filhos. Também tem lembranças de visitas a seus familiares em hospitais psiquiátricos, de uma irmã que se vestia de rainha e morava no porão cercada de insetos e outros bichos (que Leo colecionava), de ter sido quase afogado pelo avô, entre outras.
De um modo geral, Leo cresceu odiando e negando o pai (dizia que ele era louco), amando a mãe e tendo um carinho imenso pelos seus irmãos. Com um deles, Fernand, costumava trabalhar juntando jornais ou ferro-velho. O menino Leo também gostava de ler o único livro da casa e escrevia bastante, desesperadamente, arrancando as folhas e jogando no lixo. Acreditava que um homem, o Domador de Versos, as resgatava.
O início de sua adolescência foi marcado por uma intensa paixão direcionada a uma menina do cortiço onde moravam: Bianca, descendente de italianos, que costumava cantar no pátio, enquanto estendia roupas. Leo conta que ela cantava dentro de seu armário, de onde às vezes saía uma luz branca que o transportava para a Sicília (local onde diz, já adulto, ter nascido seu verdadeiro pai). Quando adolescente, se masturbava com as carnes que a mãe comprava e teve sua primeira experiência sexual com uma prostituta (depois de ter visto o avô numa cena íntima com Bianca no banheiro e ter tentado matá-lo). Aos 11 anos, Leo teve um surto catatônico e foi para um hospital psiquiátrico, onde foi submetido ao tratamento medicamentoso com Largactil, um antigo anti-psicótico, combinado com imersões em banheiras com gelo.
