XXXV Congresso ALAS

A sociologia latino-americana enfrenta hoje novos desafios em um momento de transição histórica global. Na atual policrise, entrelaçam-se a crise política (de confiança, da democracia, do liberalismo e dos atores institucionais) com a crise econômica e de reprodução social, a crise climática, energética e ecológica e a crise geopolítica e de hegemonia mundial. A noção de policrise permite captar o caráter simultâneo, interdependente e multiplicador desses processos. Não se trata apenas de um acúmulo de problemas, mas de uma transformação estrutural do mundo como o conhecíamos, agravada por macroprocessos sociais de aceleração, digitalização e individualização.

As desigualdades se aprofundam, enquanto economias criminosas e dinâmicas de militarização se expandem juntamente com autoritarismos cada vez mais arraigados. Paralelamente, as transições tecnológicas e energéticas transformam as formas de trabalho e de vida, e os discursos de ódio e a desinformação corroem os laços sociais. Instala-se, assim, um novo clima de época, marcado pelo caos sistêmico, pela imprevisibilidade, pela desestabilização e pela incerteza.

Ao mesmo tempo, a sociologia e as ciências sociais enfrentam ameaças crescentes: a precarização acadêmica, o produtivismo, a censura e o estrangulamento orçamentário das universidades públicas, juntamente com a difusão de discursos anti-intelectuais e negacionistas, colocam em risco a liberdade acadêmica e a autonomia universitária. Em vários países da região, professores, estudantes e pesquisadores sofrem perseguições, assédios e cortes que enfraquecem os espaços de deliberação democrática. Diante disso, a ALAS reafirma seu compromisso com a defesa da sociologia como bem público, como espaço de pensamento crítico e como prática indispensável para compreender e transformar nossas sociedades.

Mas nem tudo são retrocessos e processos de desestabilização. Junto às tendências de concentração de poder e reorganização do capitalismo, surgem também contra-tendências que revitalizam a esperança. Povos indígenas, comunidades negras e camponesas, feminismos, ambientalismos e diversas experiências urbanas desenvolvem práticas de resistência e de construção de alternativas de vida digna em toda nossa América. Esses atores ensaiam respostas cotidianas e coletivas diante da precarização, da violência e da mercantilização da vida, mostrando que o momento atual constitui também um limiar para repensar nossas sociedades e reimaginar, a partir da sociologia crítica latino-americana e caribenha, os sentidos e horizontes da mudança social. Podemos igualmente lembrar as lutas para repensar a institucionalidade do poder e das políticas públicas com valorização da dimensão territorial, nacional e transnacional.

O XXXV Congresso da ALAS convoca a refletir coletivamente sobre o futuro da sociologia latino-americana e caribenha, a renovar seus compromissos éticos, epistêmicos e políticos e a fortalecer seus laços intergeracionais e inter-regionais. Sob o lema Entre a policrise e as alternativas: horizontes da sociologia crítica latino-americana, o Congresso ALAS 2026 celebrará nossa história comum e abrirá um horizonte de reflexão e ação diante dos desafios do presente. Em um mundo cada vez mais incerto, reafirmamos a necessidade de uma sociologia viva, rigorosa, independente, pública, plural e emancipadora.
Convidamos propostas de apresentações para nossos 27 grupos de trabalho e Mesas Redondas que contribuam para compreender este novo clima de época, combinando diagnósticos críticos com propostas transformadoras. Juntamente com a renovação dos campos clássicos de discussão, consolidam-se agendas que ampliam e revitalizam a disciplina. Esse pluralismo crítico, presente em nossos grupos de trabalho, fóruns e conferências, constitui uma das maiores riquezas da sociologia latino-americana contemporânea.

O Congresso reunirá vozes de toda a região e do mundo para refletir coletivamente sobre os desafios do presente e do futuro. Diante da incerteza e dos múltiplos processos de reconfiguração de nossas sociedades, a sociologia latino-americana e caribenha é chamada a oferecer chaves interpretativas e propostas que contribuam para a justiça, a dignidade e a sustentabilidade da vida.

O evento acontecerá na UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil, entre os dias 26 e 31 de julho de 2026. Mais informações em: XXXV Congresso da ALAS – Associação Latino-americana de Sociologia.

A potência criativa das periferias na construção de novas narrativas na web

 

Foto: Raphael Poesia

Na narrativa hegemônica, da mídia e do senso comum, as periferias são zonas de medo e carência, o que deriva de uma produção simbólica pobre, sem levar em conta toda a complexidade destes territórios. Com a web, esse discurso encontra um contraponto, ainda que disperso, rico sobre a potência criativa das favelas.

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Ocupação Na UFSM/FW Recebe Alimentos Do Campesinato

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O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), com o apoio de sindicatos de trabalhadores urbanos, está colaborando com as ocupações de estudantes realizadas na UFSM, campus Frederico Westphalen, por meio da doação de alimentos produzidos por agricultores camponeses.

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Dowbor: como as corporações cercam a democracia.


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Radiografia de um sequestro: banqueiros e megaempresários colonizam os partidos, compram acordos no Judiciário, comandam mídia e extraem dinheiro dos Tesouros. Haverá saída?

Olhar o século 21 pelas lentes do século passado não ajuda. Quando pensamos o mundo da economia, pensamos ainda em interesses econômicos e mecanismos de mercado. A política, o poder formal, os impostos, o setor público em geral representariam outra dimensão. Não é nova a ruptura destas fronteiras, a penetração dos interesses de grupos econômicos privados na esfera pública. O que é novo, é a escala, a profundidade e o grau de organização do processo. O que já foram deformações fragmentadas, penetrações pontuais através de lobbies, de corrupção e de “portas-giratórias” entre o setor privado e o setor público se avolumaram, e por osmose estão se transformando em poder político articulado em que o interesse público é que aflora apenas por momentos e segundo esforços prodigiosos de manifestações populares, de frágeis artigos na mídia alternativa, de um ou outro político independente. O poder corporativo tornou-se sistêmico, capturando uma a uma as diversas dimensões de expressão e exercício de poder, e gerando uma nova dinâmica, ou uma nova arquitetura do poder realmente existente.

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