V Simpósio de Pesquisa em Juventude no Brasil

O simpósio é resultado da iniciativa de pesquisadores(as) que se dedicam há mais de duas décadas aos estudos das juventudes, em diálogo com novos(as) pesquisadores(as). A partir desse esforço coletivo surge a Rede de Pesquisa em Juventude no Brasil (RedeJuve), organizadora do evento, que se torna importante na agenda de todo e qualquer interessado(a) no estudo das juventudes, considerando as dimensões centrais da vida juvenil, tais como educação, trabalho, saúde, cultura, lazer e sociabilidade, redes sociais, ação coletiva e participação política, políticas públicas e violência nas juventudes periféricas.

O olhar para diferentes categorias teóricas e abordagens metodológicas na produção de conhecimento sobre juventude também será objeto de debate e reflexão. Ainda, a abertura de espaço para apresentações e debates de jovens pesquisadores(as) constitui um pré-requisito para a melhoria continuada da ciência brasileira e para a troca de experiências e saberes, o que será realizado em grupos de trabalho, na apresentação de documentários e na participação em oficinas que instrumentalizam pesquisadores(as) para a realização de análises com diferentes epistemologias.

Contemplando tanto a realização de conferências e mesas temáticas quanto a apresentação e o debate de trabalhos de pós-graduandos(as), compreende-se que a realização do encontro é também um fator dinamizador da construção de novos projetos coletivos de pesquisa, ensino e extensão, que deem conta da diversidade da juventude brasileira e de seus desiguais modos de inserção social.

Os interessados em participar podem encontrar mais informações em: V Simpósio RedeJuve.

XXXV Congresso ALAS

A sociologia latino-americana enfrenta hoje novos desafios em um momento de transição histórica global. Na atual policrise, entrelaçam-se a crise política (de confiança, da democracia, do liberalismo e dos atores institucionais) com a crise econômica e de reprodução social, a crise climática, energética e ecológica e a crise geopolítica e de hegemonia mundial. A noção de policrise permite captar o caráter simultâneo, interdependente e multiplicador desses processos. Não se trata apenas de um acúmulo de problemas, mas de uma transformação estrutural do mundo como o conhecíamos, agravada por macroprocessos sociais de aceleração, digitalização e individualização.

As desigualdades se aprofundam, enquanto economias criminosas e dinâmicas de militarização se expandem juntamente com autoritarismos cada vez mais arraigados. Paralelamente, as transições tecnológicas e energéticas transformam as formas de trabalho e de vida, e os discursos de ódio e a desinformação corroem os laços sociais. Instala-se, assim, um novo clima de época, marcado pelo caos sistêmico, pela imprevisibilidade, pela desestabilização e pela incerteza.

Ao mesmo tempo, a sociologia e as ciências sociais enfrentam ameaças crescentes: a precarização acadêmica, o produtivismo, a censura e o estrangulamento orçamentário das universidades públicas, juntamente com a difusão de discursos anti-intelectuais e negacionistas, colocam em risco a liberdade acadêmica e a autonomia universitária. Em vários países da região, professores, estudantes e pesquisadores sofrem perseguições, assédios e cortes que enfraquecem os espaços de deliberação democrática. Diante disso, a ALAS reafirma seu compromisso com a defesa da sociologia como bem público, como espaço de pensamento crítico e como prática indispensável para compreender e transformar nossas sociedades.

Mas nem tudo são retrocessos e processos de desestabilização. Junto às tendências de concentração de poder e reorganização do capitalismo, surgem também contra-tendências que revitalizam a esperança. Povos indígenas, comunidades negras e camponesas, feminismos, ambientalismos e diversas experiências urbanas desenvolvem práticas de resistência e de construção de alternativas de vida digna em toda nossa América. Esses atores ensaiam respostas cotidianas e coletivas diante da precarização, da violência e da mercantilização da vida, mostrando que o momento atual constitui também um limiar para repensar nossas sociedades e reimaginar, a partir da sociologia crítica latino-americana e caribenha, os sentidos e horizontes da mudança social. Podemos igualmente lembrar as lutas para repensar a institucionalidade do poder e das políticas públicas com valorização da dimensão territorial, nacional e transnacional.

O XXXV Congresso da ALAS convoca a refletir coletivamente sobre o futuro da sociologia latino-americana e caribenha, a renovar seus compromissos éticos, epistêmicos e políticos e a fortalecer seus laços intergeracionais e inter-regionais. Sob o lema Entre a policrise e as alternativas: horizontes da sociologia crítica latino-americana, o Congresso ALAS 2026 celebrará nossa história comum e abrirá um horizonte de reflexão e ação diante dos desafios do presente. Em um mundo cada vez mais incerto, reafirmamos a necessidade de uma sociologia viva, rigorosa, independente, pública, plural e emancipadora.
Convidamos propostas de apresentações para nossos 27 grupos de trabalho e Mesas Redondas que contribuam para compreender este novo clima de época, combinando diagnósticos críticos com propostas transformadoras. Juntamente com a renovação dos campos clássicos de discussão, consolidam-se agendas que ampliam e revitalizam a disciplina. Esse pluralismo crítico, presente em nossos grupos de trabalho, fóruns e conferências, constitui uma das maiores riquezas da sociologia latino-americana contemporânea.

O Congresso reunirá vozes de toda a região e do mundo para refletir coletivamente sobre os desafios do presente e do futuro. Diante da incerteza e dos múltiplos processos de reconfiguração de nossas sociedades, a sociologia latino-americana e caribenha é chamada a oferecer chaves interpretativas e propostas que contribuam para a justiça, a dignidade e a sustentabilidade da vida.

O evento acontecerá na UFRJ, Rio de Janeiro, Brasil, entre os dias 26 e 31 de julho de 2026. Mais informações em: XXXV Congresso da ALAS – Associação Latino-americana de Sociologia.

Congresso LASA 2026

A realização do congresso da LASA em Paris oferece uma oportunidade para pensar sobre a América Latina e o Caribe como um todo, bem como em relação às forças globais mais amplas que moldaram nosso mundo ao longo de vários séculos. Optamos por situar a região não apenas em relação à colonização europeia, mas também às transformações desencadeadas pelas revoluções do atlântico e pelas lutas anticoloniais que levaram à formação de novas repúblicas. Como escreveu o filósofo brasileiro Roberto Mangabeira Unger The World and Us, as revoluções dos séculos anteriores não acabaram, mas precisamos “dar nova vida e novo significado a essa virada revolucionária”. 

Assim, convidamos os membros da LASA a investigar se ainda é possível imaginar ideais revolucionários e republicanos e os caminhos que levam a visões igualitárias compartilhadas de mudança transformadora que abraçam verdades baseadas em diversas formas de vida, unindo-nos, ao mesmo tempo, como agentes autônomos e iguais sob leis justas.

O congresso acontecerá em Paris, França, de 26 a 31 de maio de 2026. Mais informações em: LASA2026 / Republic and Revolution.

Diálogo com movimentos sociais e instituições no pós-enchente

O grupo de pesquisa Enunciar Cotidianos, em seu conjunto de orientandas e orientandos, esteve no primeiro semestre de 2024 funcionando como estamos acostumados na pós-graduação. Além da Prática de Pesquisa em Educação (PPE – orientação coletiva), na qual discutimos os projetos de investigação por meio de leituras e do estudo do referencial teórico, também trabalhávamos em Leitura Dirigida de obras de Danilo Martuccelli. 

Mas nossos cotidianos, os encontros, as saídas de campo, as experiências dos indivíduos que formam o grupo foram tomados repentinamente pelo emaranhado de crise climática e negligência política que estamos construindo há décadas na cidade. A necessidade de atuar de outras formas se sobrepôs em decorrência da situação de calamidade em Porto Alegre.

Fomos todos atravessados pela histórica enchente e as inundações de maio, interrompendo as atividades e envolvendo todas e todos. Desta forma, em consonância com as reflexões e anseios anteriores, o grupo decidiu que o retorno do semestre seria diferente. Passamos a fazer incursões em diálogo com movimentos sociais e instituições que atuam ante as disputas e os desafios cotidianos no período pós-enchente.

No dia 31 de julho, o grupo visitou a  Casa de Mulheres Mirabal. Realizamos uma roda de conversa com duas das jovens que atuam na coordenação da casa. Foi apresentada a ocupação, sua história desde o primeiro local e a transferência para a casa atual. Além disso, conversamos sobre as dificuldades enfrentadas durante a enchente de maio, pois aquela morada foi atingida. A Casa Mirabal, além do acolhimento e atendimento às mulheres e seus filhos/as, realiza formações políticas e oficinas. Procuram atuar em diversas frentes de promoção dos direitos e da vida das mulheres. O grupo é vinculado ao Movimento Nacional de Mulheres Olga Benário. Ao final do encontro, deixamos algumas doações de materiais de limpeza e higiene pessoal como forma de contribuição concreta ao trabalho realizado.

No dia 06 de agosto, o grupo foi até São Leopoldo/RS, onde, no início da tarde, visitou o CEPA (Centro de Espiritualidade Pe. Arturo). Foi apresentado o Centro, sua história junto à comunidade e toda a importância das lutas do Pe. Arturo para a cidade, bem como seu protagonismo na conquista do dique para a contenção de inundações. Durante a enchente de maio, o centro foi abrigo para as famílias da comunidade. Na conversa, foi relatado ao grupo a experiência e os desafios de organizar o espaço e acolher tantas famílias. Ao final, foi discutido as possibilidades de colaboração entre o grupo de pesquisa e o Centro. 

Ainda no dia 6 de agosto, o grupo visitou a Escola Municipal de Ensino Fundamental Paulo Beck, localizada no bairro Vicentina, em São Leopoldo/RS, um dos mais afetados pelas inundações. A escola recém reformada foi severamente atingida. O grupo conversou com o corpo diretivo, ouvindo sobre a experiência da comunidade escolar, que resistiu à tragédia e, na época da visita, já havia retomado suas atividades, em plena reconstrução. 

No dia 21 de agosto, por fim, nosso coletivo realizou uma visita à ocupação Maria da Conceição Tavares, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A ocupação do antigo prédio do INSS, na avenida Borges de Medeiros, iniciou no dia 8 de junho e abriga famílias desabrigadas em decorrência das inundações, e que não tiveram assistência do poder público. Foi-nos relatada a experiência das ocupações na luta por moradia e do combate à insegurança alimentar com as cozinhas solidárias. 

E-book ‘Movimentos sociais, sujeitos e processos educativos’

O GT 03 da ANPEd – Movimentos Sociais, sujeitos e processos educativos – disponibiliza e-book para download gratuito. O trabalho traz uma antologia do Grupo de Trabalho, com organização de Elmir de Almeida, Leandro R. Pinheiro, Luís Antonio Groppo e Mirela Figueiredo dos Santos Iriart.

No prefácio, Maria Antônia de Souza afirma que a obra trata da sociedade a partir dos movimentos sociais, dos seus sujeitos e dos processos educativos nele construídos, sendo composta de partes que instigam o leitor a viajar pelo cenário de origem do grupo, os problemas nele debatidos e os interlocutores nacionais e internacionais. “É um livro que nos faz pensar em esperança, pois contém textos que dizem de práticas sociais, ações coletivas, movimentos sociais que lutam pela conquista e manutenção de direitos, além de revelar que há uma dinâmica social que resiste à política antidemocrática. Diz de sujeitos que denunciam o Estado protetor dos interesses empresariais, que lutam por políticas públicas e, especialmente, pelo reconhecimento da própria existência.”

O e-book está disponível no site da Pedro & João Editores.

A potência criativa das periferias na construção de novas narrativas na web

 

Foto: Raphael Poesia

Na narrativa hegemônica, da mídia e do senso comum, as periferias são zonas de medo e carência, o que deriva de uma produção simbólica pobre, sem levar em conta toda a complexidade destes territórios. Com a web, esse discurso encontra um contraponto, ainda que disperso, rico sobre a potência criativa das favelas.

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Ocupação Na UFSM/FW Recebe Alimentos Do Campesinato

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O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), com o apoio de sindicatos de trabalhadores urbanos, está colaborando com as ocupações de estudantes realizadas na UFSM, campus Frederico Westphalen, por meio da doação de alimentos produzidos por agricultores camponeses.

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Dowbor: como as corporações cercam a democracia.


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Radiografia de um sequestro: banqueiros e megaempresários colonizam os partidos, compram acordos no Judiciário, comandam mídia e extraem dinheiro dos Tesouros. Haverá saída?

Olhar o século 21 pelas lentes do século passado não ajuda. Quando pensamos o mundo da economia, pensamos ainda em interesses econômicos e mecanismos de mercado. A política, o poder formal, os impostos, o setor público em geral representariam outra dimensão. Não é nova a ruptura destas fronteiras, a penetração dos interesses de grupos econômicos privados na esfera pública. O que é novo, é a escala, a profundidade e o grau de organização do processo. O que já foram deformações fragmentadas, penetrações pontuais através de lobbies, de corrupção e de “portas-giratórias” entre o setor privado e o setor público se avolumaram, e por osmose estão se transformando em poder político articulado em que o interesse público é que aflora apenas por momentos e segundo esforços prodigiosos de manifestações populares, de frágeis artigos na mídia alternativa, de um ou outro político independente. O poder corporativo tornou-se sistêmico, capturando uma a uma as diversas dimensões de expressão e exercício de poder, e gerando uma nova dinâmica, ou uma nova arquitetura do poder realmente existente.

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