Você já pensou o quanto o acesso à informação depende da forma como ocupamos os meios de comunicação nos territórios onde atuamos?

Texto escrito por Jéssica Degrandi Soares, assistente social, mestranda em Política Social e Serviço Social pela UFRGS e integrante do grupo Trabalho, Educação e Políticas Sociais da UFRGS.


 

O Sistema Único de Assistência Social/SUAS (BRASIL, 2005) preconiza em seu conteúdo o “direito à informação, enquanto direito primário do cidadão, sobretudo àqueles com vivência de barreiras culturais, de leitura, de limitações físicas” (BRASIL, 2005). Para além, a PNAS (2004) defende a democratização da comunicação enquanto um dos aspectos que fortalece o andamento do SUAS por compreender que parte importante do monitoramento e de avaliação deste sistema, perpassa o debate da política nos diversos âmbitos entre trabalhadores/as, usuários/as e gestores/as.

Em vista disso, propomos uma reflexão sobre os meios de comunicação que estão ao nosso alcance nos territórios onde atuamos, pensando que alguns destes podem ser estratégicos para democratizar informações sobre o SUAS e seus serviços e, consequentemente, sobre os direitos socioassistenciais. As rádios comunitárias podem ser consideradas enquanto dispositivos que podem fortalecer o debate sobre o SUAS, pois se encontram nos territórios e possuem como premissa: dar oportunidade à difusão de ideias; oferecer mecanismos à formação e integração da comunidade; prestar serviços de utilidade pública e permitir a capacitação dos cidadãos no exercício do direito de expressão da forma mais acessível possível (BRASIL, 1998).

Entretanto, sabemos o quanto os meios de comunicação tradicionais estão a serviço de interesses privados e estimulam a lógica da violação dos direitos sociais da população. Mas, por outro lado, entendemos que quando trabalhadores/as e usuários/as são chamados/as a debater e defender o SUAS nos meios de comunicação, ocupam papel estratégico de defesa e fortalecimento de uma política que se desenvolve em um campo de disputa de interesses, onde se deve garantir um debate que vá ao encontro dos interesses da classe trabalhadora e da efetivação de direitos.

Afinal, o SUAS é resultado de lutas sociais e vem sendo cotidianamente ameaçado com o corte de verbas, com o enxugamento dos programas, com a escassez de profissionais para atuarem nessa política, entre tantas outras situações que desmontam o sistema construído até então. Por isso, o direito à informação sobre os benefícios, os serviços, os programas e os projetos que materializam essa política, assim como todas as propostas que vêm alterando o desenho organizacional desse sistema, devem ser disseminados e debatidos em diferentes espaços para reforçar que essa política social é de responsabilidade do Estado e deve ser debatida e defendida por aqueles que acreditam em um Estado democrático e de direito.

Então, vamos pensar na construção de estratégias em que as rádios comunitárias dos territórios de atuação do SUAS possam se constituir em espaços democráticos em que os trabalhadores/as, gestores/as e usuários/as promovam o direito à informação e a própria defesa do SUAS.

Fortalecer o debate sobre o SUAS enquanto política social requer participação popular e meios de comunicação democráticos! Procure a rádio comunitária mais próxima do seu município e proponha uma pauta!


REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 9.612, de 19 de fevereiro de 1998. Institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária e dá outras providências. Brasília, 1998.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Política Nacional de Assistência Social- PNAS. Secretaria Nacional de Assistência Social. Norma Operacional Básica – NOB/SUAS. Brasília, 2005.

1 pensou em “Você já pensou o quanto o acesso à informação depende da forma como ocupamos os meios de comunicação nos territórios onde atuamos?”

  1. Bem, eu sou do tempo em que se realizava uma pesquisa para um trabalho escolar nas velhas e completas enciclopédias delta ou barsa e hoje trabalho com marketing digital, marketing de conteúdo e desenvolvimento web. É um paradoxo incrível pensar que há apenas 30 anos uma pessoa podia encontrar tudo que precisava para estudar em um dos 24 volumes de uma enciclopédia e hoje está tudo ai ao toque de um clique.

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