CAPES aprova novas turmas de Educação do Campo e Educação Quilombola na Faced

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou o resultado preliminar do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor Equidade). Das 183 propostas selecionadas em todo o Brasil, duas são da UFRGS: Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza em Eldorado do Sul; e Licenciatura em Educação Escolar Quilombola. A previsão é de que os cursos sejam iniciados no segundo semestre de 2024.

Educação do Campo – a UFRGS já possui dois cursos nessa área, uma oferta em Porto Alegre, e outra no Campus Litoral. Segundo o coordenador da Coordenadoria das Licenciaturas (Coorlicen), Alexander Montero Cunha, a proposta é levar essa licenciatura para mais perto das comunidades do campo. “Esse movimento já está sendo feito em Porto Alegre, com a proposição de dois núcleos comunitários (um em Nova Santa Rita, e outro em Capivari do Sul). Por este edital, será possível propor mais um núcleo comunitário, no município de Eldorado do Sul, com foco em outros 18 municípios próximos”. Ele complementa: “Editais como este auxiliam em novas organizações dos cursos, por isso sua enorme importância”.

Além de Eldorado do Sul, o curso pretende abarcar comunidades presentes nas cidades de Butiá, General Câmara, Charqueadas, Arroio dos Ratos, Guaíba, Barra do Ribeiro, Mariana Pimentel, Barão do Triunfo, Sertão Santana, Arambaré, Camaquã, Cerro Grande do Sul, Chuvisca, Dom Feliciano, Minas do Leão, São Jerônimo, Sentinela do Sul e Tapes. O curso é uma parceria entre a Faculdade de Educação (Faced/UFRGS) e Faculdade de Agronomia (Fagro/UFRGS).

Educação Quilombola – Já o novo curso de Educação Escolar Quilombola está previsto para as cidades de Porto Alegre e Capivari do Sul, como forma de atender às comunidades quilombolas do entorno. Segundo o coordenador da Coorlicen, “Porto Alegre é a capital com a maior presença de comunidades quilombolas do país, 11 no total. E a cidade de Viamão, vizinha de Porto Alegre, possui mais 4 comunidades quilombolas”. Este é o primeiro curso voltado à comunidade quilombola no estado do Rio Grande do Sul. A licenciatura é promovida pela Faculdade de Educação (Faced/UFRGS).

Para Alexander Cunha, a realização desses cursos possibilita agregar os três pilares da Universidade de forma a convergir esforços e ampliar a produção e a divulgação de conhecimentos: “Há de se considerar que também é um espaço em que a universidade poderá ampliar o diálogo com saberes tradicionais, um importante movimento de aproximação entre a universidade e a sociedade”, pontua.

Pedagogia da alternância

Os cursos serão presenciais, organizados metodológica e temporalmente pela pedagogia da alternância, em que há tempo-universidade e tempo-comunidade. O tempo-comunidade envolve parte do desenvolvimento do curso nas comunidades do campo ou quilombolas. Segundo a proposta, essa é uma forma efetiva de formação que aproxima a Universidade significativamente na superação da disciplinarização dos saberes, ainda hegemônica nos currículos dos espaços educativos escolares e não escolares.

O edital também prevê uma bolsa para os estudantes das comunidades do campo e quilombola. “Sabemos que uma grande dificuldade de estudantes oriundos de grupos minoritários é a sua manutenção durante o curso. Essas bolsas serão disponibilizadas durante todo o curso, possibilitando que os estudantes se mantenham concentrados em sua formação”, aponta o coordenador da Coorlicen. O edital irá ainda disponibilizar bolsa para Formador Convidado, que são mestres de saberes das próprias comunidades. “É um reconhecimento de que são produzidos saberes nas comunidades do campo e quilombola importantíssimos de estarem presentes na formação de professores dessas áreas”, sinaliza Cunha.

Parfor Equidade

O Programa Parfor Equidade tem a proposta específica de oferta de cursos de licenciatura, com o objetivo de formar professores para as redes públicas de educação básica ou as redes comunitárias de formação por alternância, que ofereçam educação escolar indígena, quilombola e do campo, assim como educação especial inclusiva e educação bilíngue de surdos. São cursos específicos de licenciatura que visam valorizar a diversidade que se faz presente na educação básica e que demandam uma atenção especial para que determinados atores sociais sejam reconhecidos como produtores de conhecimentos essenciais para a formação de uma sociedade democrática.

Com informações da Secretaria de comunicação

Foto: Gustavo Diehl/ UFRGS Arquivo