
Carmem Craidy recebe o título de Professora Emérita da UFRGS
Uma vibrante sessão solene no Conselho Universitário conferiu, na manhã desta segunda-feira, dia 17, o título de Professora Emérita da UFRGS à Carmem Maria Craidy.
Aposentada da Faculdade de Educação em 2012, a docente ingressou na Universidade em 1990 e teve atuação destacada no ensino, na pesquisa e na extensão. Carmem criou e coordenou por mais de 15 anos o Programa de Prestação de Serviços à Comunidade (PPSC) para execução de medidas socioeducativas de jovens infratores. Além disso, contribuiu para a mudança na abordagem da educação de meninos de rua e foi referência na metodologia de pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS.
Presidida pela vice-reitora Patrícia Pranke, a sessão de hoje retomou a entrega presencial de títulos honoríficos da UFRGS, que não ocorria desde o advento da pandemia de covid-19. Em seu discurso a vice-reitora frisou esse reinício, depois de longa pausa: “É com imensa satisfação que podemos reiniciar essas sessões presenciais de entrega de títulos de professor emérito após a longa parada causada pelo necessário distanciamento social imposto pela pandemia, concedendo essa horaria a uma mulher gaúcha em especial, uma educadora. Homenagear uma professora corrobora com o reconhecimento do papel fundamental do educador para nossa sociedade”, destacou. Pranke enfatizou, igualmente, a sensibilidade e a ousadia de Carmem Craidy em pensar a educação como o fator crucial para mudança social em diferentes níveis.
A homenageada ingressou na Sala dos Conselhos conduzida pela diretora da Faculdade de Educação Liliane Giordani. Acompanhada por longa e entusiasmada salva de palmas, Craidy compôs a mesa da sessão solene, juntamente com Liliane, a vice-reitora e a oradora da cerimônia Maria Carmem Barbosa.
A trajetória de vida pessoal, acadêmica e de militância de Carmem Craidy foi contada aos presentes na sessão desta manhã pela oradora, que iniciou seu discurso descrevendo a satisfação pela tarefa que lhe foi delegada. “Esse é mais um dos presentes que a gente ganha da vida. Ter a oportunidade de dizer publicamente, para aqueles que a gente admira e ama, o quanto eles foram e são importantes. Isso me deu uma imensa alegria. Hoje, estou aqui não apenas representando nossos colegas da Faced, da UFRGS, mas também muitas outras pessoas e instituições”, afirmou Maria Carmem.
Início em Ijuí – RS
No transcurso da graduação em pedagogia pela FIDENE (atual Unijuí), Carmem participou intensamente da mobilização estudantil, tendo atuado no Movimento da Legalidade, em 1961, e contribuído para a resistência ao Golpe Civil-Militar de 1964, quando fazia a ponte entre perseguidos políticos escondidos na Igreja da Conceição, em Porto Alegre, e seus familiares. Em 1971, com o aumento da repressão pelo regime, deixou o Brasil exilando-se na França, onde cursou o mestrado em Ciência da Educação na Universidade Paris Descartes (1972). No país europeu, Carmem pôde participar de pesquisas sobre a educação na primeira infância. Foi nesse período que se aproximou de metodologias científicas, que mais tarde seriam desenvolvidas no Brasil de modo pioneiro. Ainda na década de 1970, participou na constituição do Ministério da Educação em Maputo, Moçambique, retornando ao Brasil em 1979, já na vigência da Lei da Anistia.
Aqui, participou das lutas pela Constituinte e trabalhou como assessora no Ministério da Assistência Social, colaborando na formulação de políticas para a educação de zero a seis anos e de jovens e adultos, assim como nos direitos das crianças e adolescentes. Em 1990, escolheu a UFRGS para o exercício da docência no ensino superior, após aprovação por concurso. Nesta Universidade, também concluiu o doutoramento em 1996.
Trajetória na UFRGS
Uma das marcas da passagem de Carmem Craidy pela Faculdade de Educação foi a instituição do projeto PPSC, em 1997, que ela coordenou
por 15 anos. A iniciativa surgiu de um convite da reitoria da época, juntamente com a direção da unidade, para a realização de um convênio com o Juizado da Infância e da Adolescência, objetivando a execução de medidas socioeducativas para jovens infratores. Conforme contou a oradora, “inicialmente, o PPSC não tinha nem sala, mas, pouco a pouco, construiu um ambiente de atendimento aos jovens e constituiu uma pedagogia para medidas socioeducativas. Assim, criou-se um modo de atendimento aos jovens de forma pedagógica, tendo em vista o desenvolvimento dos mesmos e não simplesmente sua criminalização”. Maria Carmem destacou, ainda, a contribuição do projeto para a produção de uma metodologia de defesa judicial que tivesse a pessoa do jovem, do adolescente, como centro e não o ato infracional como foco. O PPSC serviu como espaço de formação e trabalho para mais de 120 pessoas de diferentes institutos e faculdades.
“Outra importante contribuição para o ensino na Faced, foi a constituição da área de Educação Social, com foco no trabalho educacional fora da escola – especialmente com populações altamente vulneráveis -, uma ação inovadora. Talvez a UFRGS tenha sido uma das primeiras federais a reconhecer esse campo de estudo, pesquisa e formação”, relata Maria Carmem Barbosa.
Como docente do ensino superior, orientou 25 dissertações de mestrado, 12 teses de doutorado e 13 monografias de conclusão de curso de especialização. Além disso, fez parte da banca examinadora de 76 dissertações e de 37 teses.
Após 22 anos na Faced, Carmem Craidy foi aposentada aos 70 anos em 2012. Depois disso, atuou como conselheira do Conselho Estadual de Educação, de 2014 a 2018, no qual relatou as diretrizes curriculares da educação infantil do RS, auxiliando na elaboração de termo de compromisso a fim de qualificar a educação dos jovens nos centros socioeducativos.
Ao fazer uso da palavra, Carmem Craidy agradeceu a generosidade de todos que a indicaram para o prêmio, destacando o papel da família, amigos e colegas, em mais de 60 anos de atividade no campo educacional. “Tenho a sensação de que esse prêmio não é meu. É de muita gente que construiu uma trajetória. Muitos estão aqui, amigos queridos! Quero deixar bem clara essa questão: o trabalho não é meu, é de muita gente. Desejo e espero que se desenvolva e melhore cada vez mais”, avaliou a homenageada, sublinhando a emoção proporcionada pelo título.
Foto: Gustavo Diehl/UFRGS
Fonte: Secretaria de Comunicação da UFRGS
