
Intervenção dos 74 anos da bomba de Hiroshima
Tsuru é uma ave sagrada do Japão. É o símbolo da saúde, da boa sorte, felicidade, longevidade e da fortuna. Diz a lenda japonesa que se a pessoa fizer 1000 tsurus, usando a técnica do origami – arte secular de dobrar o papel, com o pensamento voltado para um desejo, ele poderá se realizar.
Em 1945, depois da explosão da bomba de Hiroshima em que morreram mais de 100.000 pessoas no momento do lançamento, surgiram várias doenças no Japão, entre os sobreviventes da guerra. A pequena Sadako, com 12 anos
de idade, foi diagnosticada com Leucemia.
Em tratamento no hospital recebeu de um amigo, vários papéis coloridos para que ela fizesse 1000 origamis do tsuru, junto com o pedido de cura. Como a doença se agravava a cada dia, Sadako começou a pedir pela paz mundial. Mas, no dia 25 de outubro de 1955, ao completar 964 tsurus, ela faleceu.
Os amigos completaram os 1000 tsurus e iniciaram uma campanha para arrecadar dinheiro para construir um monumento pela paz. Em 1958 o monumento foi inaugurado, no Parque da Paz de Hiroshima. Todos os anos, no dia 6 de agosto, dia do bombardeio, em que tsurus de todo o mundo são enviados, se faz uma cerimônia no parque, pela paz e para lembrar as vítimas de Hiroshima.
Em tempos de barbárie, em que estamos sob o signo da morte, de maneiras diferentes e combinadas celebramos a paz, fruto das políticas de vida e base da civilização que todos nós almejamos.
Texto: Luiz Fernando Machado Soares, criador da intervenção localizada no saguão da Faculdade de Educação.
