Cem dias longe da Faced

Contar os dias durante a quarentena, para alguns, já não é suficiente. É necessário falar, compartilhar e dar sentido ao tempo que passa e amontoa as semanas e os meses. É nessa perspectiva que algumas categorias da Faculdade de Educação foram convidadas a narrar sobre como têm vivenciado esse período de 100 dias longe do prédio 12201 da UFRGS.

Representante discente da Licenciatura em Educação do Campo, Bárbara Gonçalves destaca que o distanciamento social tem lhe ensinado a ressignificar as coisas, dar novos sentidos e buscar novas alternativas. “Cem dias de angústias e incertezas, mas cem dias de saudade que geram luta. Luta por uma educação pública, de qualidade com equidade”, afirma.

Com desejo semelhante, a representante discente da Pedagogia, Adriene Cabral, comenta que durante esse período a Faced se manteve unida em defesa da Educação. “E eu espero que em breve estejamos juntos, lado a lado, lutando por uma universidade paritária e uma universidade popular”.

Em nome dos estudantes da pós-graduação, Sônia Rocha lançou seu olhar sobre as pressões que a academia exerce para que a produção científica não pare. “Quando a gente decide uma coisa — de não estar no lugar porque a gente quer —, é uma situação; quando a gente está dentro de uma pandemia que nos força a isso, é uma outra coisa. A produção é mais difícil, é mais incipiente”, confessou a pesquisadora.

Sibila Binotto, técnica-administrativa, conta que a categoria segue atenta aos acontecimentos, sobretudo os que impactam a universidade. “Estamos com saudades do prédio azul. Seguimos nossas rotinas trabalhando em regime de home office, acompanhando essa situação de calamidade nacional e internacional”.

Com saudades da rotina, embora siga trabalhando em uma clínica como Técnico em Enfermagem, Lucas Portella não esconde a falta que sente dos colegas da higienização. “Que a gente possa sair para conversar tranquilo, ter novos assuntos e não só o Covid-19. Que a gente possa caminhar, conversar, receber visita e abraçar os parentes. E que acabe essa pandemia, que essa pandemia suma de uma vez”, idealiza.

Ao lembrar de cada passo que dá até chegar na Faced, a professora e representante docente Karine Santos consegue se transportar para o prédio azul através das palavras. “Os movimentos, os sons, as cores, os aromas. Os encontros, a parceria, a saudade”, descreve.

Ciente do papel que a Faculdade de Educação possui nesses tempos de pandemia, a vice-diretora, Magali Menezes, explica que, mesmo a distância, o trabalho não parou e está bem intenso. “Sabemos que um dia vamos voltar, em algum momento, e todo esse trabalho nos ajuda a estarmos preparados para esse momento”, projeta.

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