Campo limpo e campo sujo

Espera! Já leu o conteúdo introdutório sobre as diferentes fisionomias campestres?

Uma das classificações utilizadas para se referir a aparência dos campos é a de campos limpos e campos sujos.

Ambos são ambientes abertos sem grande presença de vegetação arbórea. Os campos limpos se caracterizam pela vegetação herbácea baixa, subarbustos e gramíneas, enquanto os campos sujos possuem, além das gramíneas e plantas herbáceas baixas, um componente arbustivo.

Campo limpo(sem componentes lenhosos) em primeiro plano em Aceguá/RS. Fonte:Valério Pillar

Sintetizando, podemos dizer que os campos limpos são campos sem estruturas lenhosas, enquanto campos sujos são campos majoritariamente baixos, mas com a presença de arbustos, que podem ter a estrutura lenhosa, semi-lenhosa ou herbácea.

Campo sujo (com componentes lenhosos) entre São Borja e São Miguel. Foto de Valério Pillar.

Essas duas divisões ocorrem associadas à presença de distúrbios. Enquanto os campos limpos são campos que convivem com um maior manejo pastoril, os campos sujos estão relacionados ao baixo nível de pastejo, que resulta na dominância de arbustos e numa composição de vegetação mais alta. Exemplos de espécies que formam o estrato superior encontradas nos Campos Sulinos são a vassourinha (Baccharis dracunculifolia), o gravatá (Bromelia balansae) e a chirca (Austroeupatorium inulaefolium).


Referências:

[1] Overbeck, G. E., Müller, S. C., Fidelis, A., Pfadenhauer, J., Pillar, V. D. P., Blanco, C. C., … & Forneck, E. D. (2009). Os Campos Sulinos: um bioma negligenciado. Campos Sulinos: conservação e uso sustentável da biodiversidade, 24-citation_lastpage.

[2] Pillar, V. D. P., & Lange, O. (Eds.). (2015). Os campos do sul. Porto Alegre/RS: Rede Campos Sulinos-UFRGS.

[3] Rosa, A. S. (2011). Uso da terra no Rebordo do Planalto do Rio Grande do Sul. Ciência e Natura, 33(1), 161-173.

O Flora Campestre é uma plataforma com o objetivo de divulgar conhecimento cientifico para o máximo de pessoas possíveis. A construção desta plataforma é realizada por iniciativa da equipe de divulgação científica do Laboratório de Estudos em Vegetação Campestre (LEVCamp) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.