Fisionomias da vegetação

Espera! Já leu o conteúdo introdutório sobre os Campos Sulinos?

Existem diversos tipos de campos

Podemos classificar diferentes fisionomias (ou fitofisionomias) sempre que percebemos que as características gerais da vegetação, com relação à aparência dos elementos na paisagem, sofrem alterações significativas. A fisionomia da vegetação se modifica por diversos motivos, podemos citar aqui, de forma simplificada, três fatores que atuam moldando as diferentes fisionomias da vegetação campestre: o solo (relacionado com características químicas e físicas locais, mas também com a origem geológica), os distúrbios (pastejo, fogo e alagamento) e a distribuição geográfica de espécies chave (como o butiá e o espinilho).

Uma forma de representar a variação das fisionomias no espaço é desenhando um perfil. Esses dois perfis representam a variação das fisionomias da vegetação em dois municípios no litoral norte do RS (Fonte: Brack 2006).

Perceba que esses fatores podem agir em conjunto, em uma fisionomia de vegetação que classificamos como campo alagado, por exemplo, estamos levando em consideração o tipo de solo que permite o acúmulo de água que acarreta no distúrbio do alagamento. O alagamento por sua vez seleciona para conseguirem viver naquele ambiente apenas as plantas adaptadas à presença de água e consequente baixa concentração de oxigênio.

Fisionomias de vegetação relacionadas com a intensidade e frequência dos distúrbios:

  • Campo limpo é o nome dado aos campos de aspecto fisionômico mais homogêneo, as gramíneas que crescem rente ao solo formam uma camada contínua e pequenas ervas pouco lignificadas são abundantes;
  • Campo sujo é chamado aquele campo de vegetação alta, com muitos arbustos ou touceiras de gramíneas que se destacam na vegetação;
  • Campo arbustivo, como o nome já indica é a fisionômia de campo que possui abundância de arbustos;
  • Vassoural pode ser considerado um campo arbustivo, porém nesse tipo de fisionomia os arbustos já se tornaram dominantes e poucas espécies de gramas ou ervas conseguem resistir ao sombreamento gerado por eles.

Fisionomias de vegetação campestre relacionadas com características do solo:

  • Campo seco em solos bem drenados e eventualmente rasos;
  • Campo arenoso que também possuem solos secos, porém compostos em grande parte por areia, são solos pouco desenvolvidos;
  • Campo úmido com solos mais argilosos e mal drenados;
  • Campo alagado geralmente associados aos banhados, essas áreas são alagadas (quase) permanentemente com vegetação adaptada a presença de água e solos encharcados;
  • Campo rupestre também chamados de campos sobre afloramentos rochosos, possuem espécies adaptadas a solos rasos e pedregosos.

Fisionomias de vegetação campestre relacionadas com a presença de espécies chave:

  • Butiazais na camada inferior, junto ao solo, esses campos não se diferenciarão fisonômicamente de campos secos ou campos úmidos, porém possuem a presença marcante das espécies de butiás (gênero Butia) no extrato superior da vegetação;
  • Espinilhos regiões com presença marcante e espinilho (Vachellia caven) no extrato superior da vegetação.

Apesar de aqui no site Flora Campestre nosso conteúdo ser mais voltado para os ecossistemas de campo, cabe ressaltar que em muitas regiões dos Campos Sulinos, encontramos também vegetação arbórea ou florestal.

No bioma Pampa a vegetação florestal é inserida na matriz campestre, observamos principalmente matas ripárias, formação arbórea rente aos cursos d’água como arroios ou rios, e capões de mato, pequenos aglomerações de plantas arbóreas distante de manchas florestais maiores.

No bioma Mata Atlântica as florestas são mais abundantes, em muitos locais formando a matriz da vegetação onde os campos se inserem. Nessa região observamos a floresta com Araucária, ou floresta ombrófila mista, também as matas ripárias que podem se estender para uma faixa maior ao redor dos cursos de rios formando as matas de galeria. Outras formações florestais que estão ainda presentes na região da Mata Atlântica, ocorrendo em contato com os campos, são as florestas estacionais decidual e semidecidual e as matas de restinga na região litorânea.


Referências:

Brack, P. 2006. Vegetação e paisagem do Litoral Norte do Rio Grande do Sul: patrimônio desconhecido e ameaçado. Publicado no livro de resumos do II Encontro Socioambiental do Litoral Norte do RS, 2006: ecossistemas e sustentabilidade. Imbé, CECLIMAR – UFRGS: 46-71. 

Palavras-chave: bioma Pampa, bioma Mata Atlântica, Campos Sulinos, vegetação campestre, flora, campo rupestre, campo seco, campo úmido, campo alagado, banhado, butiazal, espinilho, campo arenoso, campo limpo, campo sujo, campo arbustivo, vassoural, matas ripárias, capões de mato.

O Flora Campestre é uma plataforma com o objetivo de divulgar conhecimento cientifico para o máximo de pessoas possíveis. A construção desta plataforma é realizada por iniciativa da equipe de divulgação científica do Laboratório de Estudos em Vegetação Campestre (LEVCamp) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.