Espinilho

Espera! Já leu o conteúdo introdutório sobre as diferentes fisionomias campestres?

Os campos com espinilho

Localizado no município de Barra do Quaraí na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, o Parque Estadual do Espinilho é uma importante reserva da região ecológica do Espinilho. Caracterizada por ter áreas de vegetação arbórea baixa afastadas umas das outras, permitindo o crescimento de gramíneas, é o único lugar no Brasil que se enquadra na classificação do IBGE como Savana Estépica. 

Campo de espinilhos.Foto:SEMA/RS

Espécies características

A região do espinilho situa-se exclusivamente no bioma Pampa, de vegetação campestre aberta. As espécies vegetais lenhosas mais encontradas são o espinilho (Vachellia caven), que nomeia a região e trata-se de uma árvore de pequeno porte e tronco com espinhos, o inhanduvá (Prosopis affinis) e o algarrobo (Prosopis nigra). São poucas as espécies que conseguem se adaptar e se estabelecer devido ao caráter raso e de pouca retenção de água do solo. A fauna do Espinilho é lembrada por espécies de aves como cardeal-amarelo (Gubernatrix cristata), príncipe (Pyrocephalus rubinus) e o arapaçu-do-espinilho ou platino (Drymornis bridgesii) e pequenos mamíferos como guaiquica (Cryptonanus chacoensis) e o rato-do-mato-de-nariz-laranja (Wilfredomys oenax).

Parque Estadual do Espinilho em Barra do Quaraí . Foto:SEMA/RS

Conservação

Embora a vegetação do Espinilho seja endêmica, ela vem perdendo espaço devido a conversão em áreas de pastagens e agricultura. O ambiente é ameaçado pela retirada de suas árvores características por criadores de gado e ovelhas que se incomodam com os espinhos da planta, acabando por descaracterizar a paisagem da região. O pastoreio intensivo do gado prejudica a regeneração das plantas arbóreas bem como causa a compactação do solo. Também são fatores degradantes as lavouras de arroz e o uso de agrotóxicos nas regiões próximas. A região do Espinilho contribui com a fixação de carbono, importante para reverter o efeito estufa.


Referências:

[1] Redin, C. G., Longhi, R. V., Watzlawick, L. F., & Longhi, S. J. (2011). Composição florística e estrutura da regeneração natural do Parque Estadual do Espinilho, RS. Ciência Rural, 41(7), 1195-1201.

[2] Moreira, V. S. (2016). BIOMASSA E CARBONO EM ESPINILHO (Vachellia caven (Molina) Seigler e Ebinger).

[3] Grande, G., & Biodiversidade, P. R. PLANO DE AÇÃO “RESTAURAÇÃO E CONSERVAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS DO ENTORNO DO PARQUE ESTADUAL DO ESPINILHO”.

[4] Galvani, F. R. (2003). Vegetação e aspectos ecológicos do Parque Estadual do Espinilho, Barra do Quaraí, RS

[5] Marchiori, J. N. C., da Silva Alves, F., Deble, L. P., & de Oliveira-Deble, A. S. (2013). A vegetação no Parque Estadual do Espinilho. 1–Histórico da ocupação humana e evolução do conhecimento botânico e fitogeográfico sobre o Pontal do Quaraí. Balduinia, (43), 01-28.

Palavras-chave: bioma Pampa, bioma Mata Atlântica, Campos Sulinos, vegetação campestre, flora, espinilho.

Key words: South Brazilian Grasslands, grassland, grassland vegetation, open ecosystems.

O Flora Campestre é uma plataforma com o objetivo de divulgar conhecimento cientifico para o máximo de pessoas possíveis. A construção desta plataforma é realizada por iniciativa da equipe de divulgação científica do Laboratório de Estudos em Vegetação Campestre (LEVCamp) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.