Os campos são ambientes naturais
Os Campos Sulinos são ambientes abertos, ricos em biodiversidade que é fundamental para o fornecimento de serviços ambientais essenciais como a manutenção dos recursos hídricos e das diversas funções do solo, incluindo a estocagem de carbono, a polinização e a produção de carne, bem como são a base para atividades culturais e de turismo. Estes campos, localizados na porção sul do Brasil, encontram-se sob clima subtropical úmido e são ambientes muito ricos em biodiversidade, com mais de 3.500 espécies de plantas campestres já catalogadas para a região. Comumente relacionados a áreas destinadas à pecuária e reconhecidos pela vegetação principal ser de gramíneas, as paisagens campestres vêm sendo descaracterizadas pela conversão rápida de grandes áreas em agricultura e silvicultura e pela intensificação do manejo, por exemplo através da inserção de espécies forrageiras exóticas, invasões biológicas ou carga alta de animais.
Distúrbios e a relação com os campos
Os campos evoluíram sob a influência do fogo e do pastejo de grandes herbívoros, de forma que estes fatores são responsáveis pela manutenção da biodiversidade e das características dos ecossistemas campestres, evidenciado pelas adaptações de muitas plantas, tais como capacidade de rebrote ou produção de flores e sementes estimuladas pelo fogo. Há evidências científicas claras que esses distúrbios são indispensáveis para a preservação da biodiversidade campestre.
O reconhecimento do Pampa como Bioma
Considerando a classificação brasileira dos biomas segundo IBGE, os Campos Sulinos ocorrem em dois biomas: no bioma Mata Atlântica na região do Paraná, Santa Catarina e no Planalto na região norte do Rio Grande do Sul; e no bioma Pampa que recobre a metade sul do RS, e tem continuidade para os países vizinhos, Uruguai e Argentina.
O Pampa que foi considerado bioma oficialmente pelo IBGE apenas em 2004, possui uma grande diversidade geológica, com relevos planos a ondulados e uma grande diversidade de fisionomias campestres, influenciada pela geomorfologia mas também a intensidade do pastejo.
Os campos do bioma Mata Atlântica também são conhecidos como Campos de Altitude ou Campos de Cima da Serra e ocorrem em mosaicos com a floresta com Araucárias.
Os Campos Sulinos comportam os dois biomas brasileiros mais devastados e com menor proteção. Estima-se que cerca de 0,33% dos campos está protegido por Unidades de Conservação no RS. Historicamente, a conservação dos campos tem sido negligenciada, devido à falta de reconhecimento e valorização destes ambientes como naturais e que necessitam ser preservados.
Referências:
Andrade B, Marchesi E, Burkart S, Setubal R, Lezama F, Perelman S, Schneider A, Trevisan R, Overbeck G e Boldrini I. 2018. Vascular plant species richness and distribution in the Río de la Plata grasslands. Botanical Journal of the Linnean Society 188: 250-256.
Boldrini II. 2010. Bioma Pampa: diversidade florística e fisionômica. Editora Pallotti.
Caminha AF. A biodiversidade pouco conhecida do Pampa . Ministério do Meio Ambiente, 2010. Disponível aqui. Acesso em: julho de 2020.
Pillar VDP e Vélez E. 2010. Extinção dos Campos Sulinos em unidades de conservação: um fenômeno natural ou um problema ético?. Natureza & Conservação 8: 84-86.
Pillar VDP e Lange O. Eds. 2015. Os campos do sul. Porto Alegre/RS: Rede Campos Sulinos-UFRGS.
Key words: South Brazilian Grasslands, grassland, grassland vegetation, open ecosystems, Macroptilium atropurpureum, Fabaceae family.
Key words: South Brazilian Grasslands, grassland, grassland vegetation, open ecosystems, Macroptilium atropurpureum, Fabaceae family.
