Espera! Já leu o conteúdo introdutório sobre as diferentes fisionomias campestres?
Os Campos Secos são encontrados em todas as regiões dos Campos Sulinos e diferem-se dos Campos Úmidos especialmente pela formação do solo e por sua capacidade de drenagem. A principal característica dos Campos Secos é possuirem solos bem drenados, pouco profundos e ocorrerem em encostas e interflúvios, regiões que se localizam entre cursos d’água.
São ambientes abertos com a predominância de gramíneas. A grama-forquilha (Paspalum notatum) é a espécie mais encontrada na região, e outras espécies vegetais expressivas de campos secos são a macega-estaladeira (Sccharum angustifolium), capim-caninha (Andropogon lateralis), pega-pega (Desmodium incanum), Schyzachirium microstachium e capim-cola-de-zorro ou capim-rabo-de-burro (Andropogon bicornis). A fauna dos Campos Secos é a mais lembrada e representativa do Sul do país, com a presença de emas (Rhea americana), quero-queros (Vanellus chilensis), joãos-de-barro (Furnarius rufus), veados-campeiros (Ozotoceros bezoarticus) e graxains-do-campo ou sorros (Lycalopex gymnocercus).
O que mais afeta a composição original dos campos nativos é a sua conversão para outros usos, como para cultivo dos chamados “sequeiros”, culturas que não necessitam de solos ricos em água como soja, milho, aveia e trigo. As terras altas são convertidas majoritariamente em lavouras de soja e as terras baixas em lavouras de arroz, em razão de sua proximidade de ambientes fluviais. Os campos secos, desde que bem conservados ou em seu estado natural, cumprem a função ecológica de balanceamento dos gases de efeito estufa e de conservação da qualidade das águas e do solo. Também é importante mencionar a relevância econômica e cultural do uso de campos como local de pastoreio de gado, desde que com intensidade adequada.
Referências:
[1] Pillar, V. D. P., Müller, S. C., Castilhos, Z. D. S., & Jacques, A. V. A. (2009). Campos Sulinos: conservação e uso sustentável da biodiversidade. Brasília: Ministério do Meio Ambiente.
[2] Pillar, V. D. P., & Lange, O. (Eds.). (2015). Os campos do sul. Porto Alegre/RS: Rede Campos Sulinos-UFRGS.
[3] Abreu, P. M., & Setúbal, R. B. (2009). Florística e fitossociologia de um campo natural no município de Santo Antônio da Patrulha, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Biociências, 7(2).
[3] Boldrini, I. I., Trevisan, R., & Schneider, A. A. (2008). Estudo florístico e fitossociológico de uma área às margens da lagoa do Armazém, Osório, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Biociências, 6(4).
[4] Winckler, L. T., & Teixeira Filho, A. (2020). Anais do I Congresso sobre o Bioma Pampa.