GIPES em contexto de pandemia

Estamos vivendo um tempo diferente! No Brasil, desde março de 2020, nossos espaços de circulação ficaram restritos. A pandemia causada pelo Coronavírus tem modificado nossas práticas sociais, familiares e educacionais. Neste momento, o distanciamento social é uma medida importante e necessária para preservação de vidas. A pandemia provocou a suspensão das atividades em toda a rede escolar brasileira e muitas escolas têm buscado manter contato com a comunidade, especialmente através do envio de atividades aos alunos para serem realizadas em suas residências. Mas será que é possível ser escola dessa forma? As escolas e universidades têm adotado diferentes modos de atuação durante este período e as experiências são muito diversificadas.
Essa pandemia traz ensinamentos e desafios para pensarmos uma pedagogia do contra-isolamento. A pedagogia é o encontro entre educadores e alunos em um ambiente escolar, articulado em torno do conhecimento. Neste tempo, é inútil fingir que está tudo bem diante do confinamento, pois ninguém estava preparado para uma mudança tão abrupta, rápida… e aprender em casa é uma experiência radicalmente diferente do aprendizado que ocorre em sala de aula: são outros atores, outras condições, outros tempos e espaços. E neste contexto, perguntamos sobre os alunos surdos: suas (im)possibilidades e (re)invenções, aprendizados, isolamentos e contatos. Perguntamos também sobre os professores e professoras, intérpretes, demandas pessoais e profissionais.
Nós, pesquisadoras do Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Educação de Surdos (GIPES), propomos uma aproximação, um diálogo, um intercâmbio de ideias entre surdos, professores, estudantes, familiares e tradutores-intérpretes de Libras (TILS) neste período de pandemia! Estamos convictas de que precisamos manter nossas discussões e fomentar a produção de conhecimento sensível ao que todos e cada um estão vivenciando em suas casas, em suas escolas, em suas cidades… Estamos preocupadas com a situação de isolamento linguístico que provavelmente muitos alunos surdos estão vivenciando, tendo em vista que alguns familiares não usam a língua de sinais, ou tem pouca fluência nesta língua. Nossas e outras pesquisas comprovam que é na escola que esses alunos têm a oportunidade de adquirir, interagir, aprender e ensinar em sua primeira língua, a Libras.
Pensando nisso, o GIPES discutiu e pretende seguir discutindo a educação bilíngue em tempos de pandemia, promovendo um espaço de compartilhamento de experiências, indagações, dúvidas, questionamentos, ideias para pensarmos juntos sobre a situação que estamos vivendo e produzindo. Os encontros, em formas de lives, possibilitam acesso livre e gratuito a professores, estudantes, pesquisadores e demais interessados em diferentes aspectos relacionados à educação de surdos. O que passamos a chamar “GIPES em contexto de pandemia” abre uma agenda com atividades que serão transmitidas online, com tradução simultânea para Libras.

Veja as Lives organizadas pelo GIPES no ano de 2020

“Ser mãe/ser professora em tempos de pandemia do coronavirus” – Conversa com as professoras e mães Tatiana Lebedeff (UFPel) e Liliane Giordani (UFRGS)

“Uma casa: duas línguas” – Conversa com as professoras e mães surdas Carolina Hessel Silveira (UFRGS) e Renata Heinzelmann (IFRS).

Processos de tradução e interpretação para surdos no ensino superior em tempos de pandemia – Conversa com as intérpretes da UFSM Maitê Esmério e Thais T. Prado, mediação de Márcia Lise Lunardi-Lazzarin

Professores/as e alunos/as em casa: desafios pedagógicos e linguísticos para as escolas de surdos – mediação da professora Madalena Klein (UFPel) e participação das professoras Cleide Lovatto Pires (Escola Estadual de Educação Especial Dr. Reinaldo F. Coser – Santa Maria/RS) e Rejane Storch Holz (Escola Especial Professor Alfredo Dub – Pelotas/RS)

A contribuição brasileira no dicionário internacional de línguas de sinais Spread the Sign – Live apresentada pelos professores Angela Santos (UFPel), Nelson Goettert (UFRGS) e Tathianna Dawes (UFF), mediada pela Profa. Lodenir Becker Karnopp (UFRGS).