
Num país de dimensão continental, foram muitas as experiências vividas na educação de surdos. Não se trata de uma história única nem de uma mesma história, são histórias com elementos e circunstâncias que se confluem, atravessam, mesclam, irrompem, dialogam, mas também se distinguem. Como num mosaico, a diversidade de nosso Brasil sugere movimentos que testemunham o quanto os surdos lutaram para conquistar um espaço na sociedade e o fizeram também tendo como perspectiva adquirir um conhecimento formal pelo acesso à escola. Os três textos são aberturas para o passado a convidar outros pesquisadores para aprofundar velhas e novas questões. Os autores não pensam ter esgotado as histórias estaduais; ao contrário, sabem que ali há muito a ser conhecido, problematizado, investigado, partilhado. Há muito a ser gerado para que, no futuro, essas histórias, hoje registradas, auxiliem outros a valorizar as primeiras lutas, os primeiros surdos, as primeiras escolas, os primeiros estudantes surdos, as primeiras associações. Que isso aconteça!
Ao assumir a surdez como uma matriz ou um foco de experiência, Pedro faz a história da condução linguística dos surdos, a partir da problematização de produções já feitas, mas, principalmente, a partir da montagem de um arquivo de enunciações extraídas dos documentos mantidos pelo Acervo Histórico do INES, datados entre os anos de 1909 e 1989. Reconstruir a matriz de experiência da surdez demandou o uso de conceitos foucaultianos tais como governamento e subjetivação. Ambos permitiram compreender que, nas histórias da condução linguística dos sujeitos, é possível perceber condutas desejadas e outras abjetas, percebidas em três formas de composição da educação de surdos: o currículo, a formação de professores e as práticas pedagógicas. […] A coragem, a humildade e o excesso de previdência de Pedro não o permitem que ele inscreva este livro entre as obras que mais avançam no campo dos Estudos Surdos. Porém, como leitora do campo e que o tem acompanhado ao longo de, pelo menos, 10 anos, assim classifico sua obra. (Trecho do prefácio por Maura Lopes)
“This significant book offers us a map of the situation of bilingual education for deaf children in Latin America over the last 30 years“
Carlos Skliar (PREFÁCIO)“[…]it brings forward key questions about the Deaf community and provides some answers with relevant examples on how to promote an inclusive Deaf education […]“
Tania campos“Entendemos que este livro traz a possibilidade de contar histórias, compartilhar experiências, visibilizar lutas. Cada leitor/a, com certeza se identificará de formas distintas. Muitos/as lerão estas páginas e compartilharão de lembranças, uma vez que participaram de alguns desses acontecimentos; outros/as entenderão estas narrativas como referência histórica de momentos importantes para a comunidade surda no contexto estadual, mas sobretudo, nacional. […] esperamos contribuir para que a história do povo surdo seja contada e recontada e que seus personagens sejam lembrados como heróis e heroínas, inspirando a cada um/a de nós.” (Trecho da apresentação do livro pelas autoras)
Este Livro apresenta muitas contribuições. Destaco a contribuição da análise das narrativas, não somente para os surdos, mas para toda a sociedade, visto que a cultura surda problematiza a normalidade ouvinte, constituindo um espaço de contestação por meio da marcação da diferença. As narrativas analisadas mostram que, apesar de mudanças significativas na legislação, o fato é que, há muito tempo, temos por parte dos surdos uma luta histórica tentando fazer valer a diferença linguística e cultural que lhes é devida, nos diferentes artefatos culturais.
Lodenir Becker Karnopp (no prefácio do livro)


















