Contexto histórico:
A região começa a ser ocupada entre as décadas de 1950 e 1960, e essa ocupação se dá perante uma série de acontecimentos na cidade. Um deles é o projeto renascença, que retirou as pessoas que moravam no centro, e no antigo bairro ilhota, hoje cidade baixa, e levou-as para locais mais afastados da vida urbana, o que levou a formação da grande cruzeiro, e também de outros bairros como a Restinga; e para além disso, nesse mesmo período também teve a vinda de diversas famílias, oriundas do interior do Rio Grande do Sul, e se instalaram ali na região.
A chegada de indústrias e estabelecimentos na região também contribuiu para essa migração de pessoas para o bairro, como por exemplo o Estaleiro Só em 1949, a transferência do Jockey Club para a Av. Diário de Notícias em 1959, e a instalação da fábrica de garrafas térmicas Termolar em 1060.
Esses acontecimentos levaram ao aumento populacional da região, e em 1959 os bairros que compõem a grande Cruzeiro, como o Santa Tereza, Nonoai e Cristal foram demarcados através da Lei nº 2022, de 7 de dezembro de 1959.
● População estimada do Rio Grande do Sul: 1.322.845 pessoas, segundo o último Censo. (IBGE, 2022);
● Possui aproximadamente 200 hectares de terra, abrangendo os bairros Cristal, Medianeira, Santa Tereza, Nonoai e Teresópolis. (OBSERVAPOA, 201-).
● A população da Grande Cruzeiro, é composta por 31,59% de pessoas autodeclaradas negras/pretas (IBGE, 2010).
Grande Cruzeiro é uma região na periferia de Porto Alegre formada por cerca de 26 vilas populares exemplo de organização dos movimentos sociais urbanos, cujo protagonismo é exercido pela União de Vilas da Grande Cruzeiro, entidade que agrega a região X do OP (Orçamento Participativo). Ali, na região X, também têm representatividade: o FROP (Fórum de Representantes do Orçamento Participativo), a CRAS (Comissão Regional da Assistência Social), o Fórum de Educação, a Comissão de Cultura, a Comissão de Habitação e Regularização Fundiária, a rede de Atendimento à Infância e à Adolescência e a microrregião 5 do Conselho Tutelar, entre outras entidades da sociedade civil.
Apesar de um território extenso e um grande número de habitantes, a região vive hoje um enorme abismo de desigualdade social, enfrentando diversos problemas que barram o acesso a direitos básicos da população, como escolas e educação sucateadas, problemas de saneamento básico e coleta, alagamentos decorrentes do acúmulo de lixo, altos índices de
criminalidade, e como se já não bastasse tudo isso, em 2010 com a confirmação da copa do mundo sendo realizada no Brasil em 2014, a região também passou por uma das ditas obras da copa, que é a duplicação da avenida tronco, que seria uma perimetral para desafogar o trânsito na zona sul, e levar direto a um shopping e a orla do guaíba.
A obra era para ser entregue antes da copa, ainda em 2014, mas ainda hoje em 2024, passados mais de 10 anos a obra continua lá, ocasionando diversos problemas para a comunidade. Dentre esses problemas, o mais danoso foi a retirada de famílias para a duplicação da avenida, essas famílias viveram na esperança do aluguel social, ou de indenizações, e ambos não deram conta de suprir as necessidades das pessoas, que tiveram que ir embora da região para longe de familiares e do ambiente que já estavam acostumados, e as que lá continuaram ficaram em moradias mais precárias do que as de antes.
A obra afetou todo o cotidiano de vida das pessoas, que hoje vivem uma “nova normalidade”, vivendo em meio a uma obra que é fruto do descaso do poder público, e esperando pelo dia que vão poder viver sem ela, uma esperança de uma nova vida e outra nova normalidade.
REFERÊNCIAS
FONSECA, Laura Souza. Trabalho Infanto-Juvenil: Concepções, Contradições e Práticas Políticas, 2006. Tese de Doutorado – Ufrgs, Porto Alegre, 2006. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/77972/000589122.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 28, fevereiro, 2022.
PALOMBINI, Leonardo Lahm. Viver em obras: entre desastres e esperanças – biopolítica do sacrifício e cotidiano no espaço de vida da Grande Cruzeiro (PoA/RS). 2022. Tese de Doutorado. Geografia, Ufrgs, Porto Alegre. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/249756/001151011.pdf?sequence=1&isAllowed=y>.
SILVA, Vinícius dos Santos. GENTRIFICAÇÃO NA GRANDE CRUZEIRO:: contexto histórico, políticas e resistências. 2022. 80 f. TCC (Graduação) – Curso de História, Ufrgs, Porto Alegre, 2022. Disponível em <https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/243208/001145313.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 31 jan. 2023.>.