EDITORIAL | 2021 será melhor?

Essa é a pergunta que ecoa em nossas cabeças nesses primeiros dias do ano. Com a virada do 31 de dezembro para o 1° de janeiro nascem esperanças e desejos cheios de positividade, pois um novo ciclo se inicia. Comemos lentilha e uvas, pulamos ondinhas, pedimos que o coronavírus dê uma trégua e que a vacina chegue logo para nós. A simples mudança numérica, no entanto, não é suficiente para que tudo passe a dar certo – ou para que a pandemia chegue ao fim. O ano de 2020 foi, sim, bastante complicado e surpreendente – não da forma que esperávamos. Agora, tudo que queremos é que 2021 também nos surpreenda, mas de forma contrária.

E se disséssemos que nós todos podemos e devemos fazer parte dessa mudança tão desejada? É a reflexão que o Humanista propõe no primeiro editorial de 2021, um ano que começa cheio de expectativas.  

Tendo transcorrido apenas seis dias desde o início dessa nova rotação, porém, nada está melhor. Sabemos bem que as mudanças não acompanham a renovação do calendário com a rapidez dos nossos desejos; o que preocupa, no entanto, é a tendência de piora, principalmente no que tange aos números da Covid-19. Nesse início de 2021, se puder, fique em casa. Use máscara, álcool em gel e tudo que mais que estiver ao seu alcance. Fique seguro.

No Brasil, dezembro foi o mês com mais mortes por coronavírus desde setembro. Se em algum momento as infecções pelo vírus diminuíram e a pandemia pareceu perder força no país, o momento atual é de, mais uma vez, aumento nos casos. Em relação a novembro de 2020, dezembro apresentou 64,45% mais mortes por Covid-19, totalizando 21.811 vidas perdidas por essa razão no último mês do ano.

No Rio Grande do Sul a situação não foi diferente. Desde a chegada da pandemia no estado, dezembro foi o mês com mais vítimas fatais da doença. As regras de isolamento social, por outro lado, seguem sendo abrandadas. Apesar das 1.857 vidas perdidas por Covid-19 no RS no último mês do ano passado, 2021 iniciou-se com flexibilizações nas medidas de proteção. Em Porto Alegre, a nova prefeitura – sob o comando de Sebastião Melo – já estabeleceu novas diretrizes para o combate ao coronavírus, em que limites de lotação e horários de funcionamento de estabelecimentos foram flexibilizados ainda mais. 

O vírus, porém, de forma contrária, é bastante inflexível; não dá uma trégua e parece até estar gostando de ver todos na rua, como se não houvesse pandemia. Os números não mentem, não é mesmo?!

Se dezembro já foi um mês com alta de infecções e mortes, janeiro promete ser muito pior. Natal, ano novo e férias: um combo que abre precedência para exceções quando se trata de isolamento social. Reunir-se com a família, com os amigos, viajar e festejar parece inevitável. Inevitável, porém, é que os números da Covid-19 aumentem diante dessas situações.

Nos Estados Unidos, após o feriado de Ação de Graças, comemorado na semana do dia 26 de novembro no ano que passou, foi verificada uma alta expressiva no número de casos de covid. Três semanas após a data, a média de mortes diária no país ultrapassava 2 mil, representando o maior número registrado até ali. A quantidade de internações pela enfermidade também bateu recorde: em cinco semanas o número mais que dobrou.

E o que isso tem a ver com o momento atual no Brasil? O feriado de ação de graças tradicionalmente reúne as famílias, que comemoram unidas. Segundo o relatório de mobilidade do Google, houve aumento de 23% no deslocamento entre residências americanas em relação aos dias 6 de janeiro a 3 fevereiro (valor de referência). O tráfego aéreo nos EUA também teve aumento, chegando a números vistos pela última vez em março de 2020.

Assim como a Ação de Graças, o Natal, no Brasil, geralmente é momento de reunião, assim como a noite de Ano Novo. Além disso, com o calor – e com as férias, para alguns -, a tendência é que aglomerações se formem na beira da praia, em festas, em bares. Tal tendência, apesar da pandemia e de seus números assoladores, não parece ter sido afetada. Todos querem desfrutar um pouco do gostinho da liberdade – sem máscara, se possível.

O feriado do dia da Independência, transcorrido em 7 de setembro, é um bom – ou péssimo exemplo – do que se fala: tanto no estado de São Paulo quanto no estado do Rio de Janeiro houve aumento nos casos de covid nas semanas seguintes à data, já que muitas pessoas aproveitaram a folga para ir a praia ou ver amigos. 

Os resultados de toda essa liberdade inconsequente vão chegar em breve. Bastam duas ou três semanas depois das comemorações para que o aumento no número de casos de covid seja evidente – e que nada, ou quase nada possa ser feito para evitar o colapso do sistema de saúde nacional e evitar que mais e mais pessoas percam a vida.

O vírus não dá trégua, não abre exceções. Não importa se é Natal, Ano Novo, férias ou feriado; se você é rico ou famoso. Desde 20 de março de 2020 o Brasil encontra-se em estado de calamidade pública, que será, possivelmente, prorrogado no corrente ano, permitindo o aumento do gasto público para despesas não previstas no orçamento – relativas ao combate à pandemia. Mesmo assim, a situação ainda não está controlada. A nova variante da Covid-19 – muito mais transmissível – já chegou ao nosso território, e, apesar de ser o segundo país com mais vítimas fatais por Covid-19 – quase 200 mil mortos -, o Brasil ainda não tem calendário de vacinação definido.

Apesar de não podermos fazer com que a tão sonhada vacina chegue mais rápido ao nosso país e de não conseguirmos exterminar o covid através da força bruta, podemos, sim, seguir as medidas de isolamento social. Depende de cada um de nós não nos aglomerar, não abrir exceções e não esquecer de usar o novo item essencial da moda – a máscara. Para que outros verões, férias e feriados possam ser usufruídos com total liberdade, teremos que abrir mão de algumas comodidades agora.

Nós do Humanista contamos com você para mudar essa realidade e estaremos vigilantes em 2021 para que possamos, de fato, ter um ano melhor. Esperamos trazer no nosso portal, em breve, notícias boas em consequência de bom senso e da consciência de cada um que entende que, juntos, podemos vencer a Covid-19!


FOTO DE CAPA: pixabay

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