A Prae (Pró-Reitoria de Assistência Estudantil) da UFRGS anunciou no final de janeiro a suspensão de novas contratações de bolsas tipo Aperfeiçoamento, Ensino-Benefício, Iniciação Científica-Benefício, Extensão Benefício e Informática. A reitoria justificou a medida pela Lei Orçamentária Anual de 2023 (Lei nº 14.535/2023) e a necessidade de cumpri-la, conforme o Ofício Circular PROPLAN nº 001/2023 (Pró-Reitoria de Planejamento e Controladoria). Mas o que isso representa? É o que o Humanista repercutiu com representantes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e da Assurgs (Sindicato dos Técnicos Administrativos da UFRGS, UFCSPA e IFRS).
Para Bryan Naibert, secretário do DCE, o anúncio da reitoria foi uma surpresa. “De uma forma ainda mais absurda, isso foi noticiado no dia 31 de janeiro, um dia antes de fevereiro, que é quando grande parte das bolsas são renovadas”, denuncia o dirigente estudantil. “Então, isso significa que grande parte dos bolsistas souberam que o último salário deles seria no dia primeiro [de fevereiro].”
A Coordenadora da Assurgs, Tamyres Filgueira, explica a suspensão. “As bolsas ociosas são aquelas que estão vagas porque o bolsista foi para outra [modalidade de] bolsa. São bolsas vagas. A decisão da reitoria proíbe que as bolsas ociosas sejam preenchidas”, detalha a dirigente sindical. “As bolsas ocupadas por estudantes não poderão ser renovadas.” Ela cita como exemplo o NEAB (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Africanos) da UFRGS, que tem duas bolsas que não poderão ser renovadas.
Tamyres critica a postura da reitoria. “No mínimo irresponsabilidade dessa reitoria deixar que chegue esse ponto à universidade”, avalia, lembrando que os mais prejudicados são os estudantes de baixa renda, que precisam da bolsa para se manter frequentando as aulas. Ela argumenta que, apesar do valor baixo, a bolsa-auxílio faz diferença para despesas como parte da passagem do transporte público e da alimentação, por exemplo.
A Assufrgs denunciou ao Consun (Conselho Universitário) as medidas da reitoria, exigindo uma posição sobre a situação da universidade. “Em nenhum momento ele [reitor, Carlos Bulhões] foi até o Conselho Universitário falar da real situação da universidade”, afirma Tamyres Filgueira. “Então, no mínimo irresponsabilidade dessa reitoria deixar que chegue esse ponto à universidade.” O DCE mobilizou uma manifestação com estudantes, diretórios acadêmicos e entidades sindicais para esta terça-feira, às 17 horas, no Campus Centro da UFRGS.




