Humanista

jornalismo e direitos humanos

EDITORIAL | Até que cesse a violência contra as mulheres

Advogada que defende direito das mulheres em casos de feminicídio e violência doméstica pode ter sido vítima de atentado em Pelotas (RS).

A intimidação e o ostracismo público por meio da violência possuem uma longa e infeliz tradição no Brasil. Nos últimos anos, as mulheres têm se tornado um alvo cada vez mais comum destas calamidades, seja por trabalharem ativamente em prol dos interesses das suas comunidades como por defenderem os direitos de outras mulheres que se encontram em situação de risco.

No último domingo, Pelotas, na região Sul do Rio Grande do Sul, presenciou o mais recente ato de violência contra mulheres, quando, no meio da noite, foi queimado intencionalmente o carro de Laura Cardoso, uma advogada e ativista social que tem se dedicado à defesa de mulheres em casos de feminicídio e violência doméstica. Infelizmente, um caso que leva o Humanista ao terceiro editorial consecutivo tratando de temas ligados à violência de gênero. 

O carro, que estava estacionado em um local próximo ao prédio onde reside a advogada, não teve nenhum dos seus objetos roubados. Pelo que indicam as imagens de câmeras de segurança, dois homens de motocicleta quebraram a janela e atearam fogo. A intenção é evidente. Ao G1, a delegada responsável pelo caso, Angélica Marques, afirmou que “foi um incêndio criminoso”. “A autoria ainda não está esclarecida”, disse a delegada, “mas acreditamos que está relacionado ao exercício da profissão da doutora, às causas delicadas em que ela atua”, o que pode configurar um atentato.

Laura Cardoso está grávida de 39 semanas de gestação, e seu trabalho e sua vida agora encontram-se sob risco. Mas ao tentarem calar a advogada, o terror não fica isolado no acontecido daquela rua, nem naquela cidade. Pelo contrário, ele se expande como incêndio florestal, em uma tentativa criminosa de amordaçar  todas as vítimas de violência de gênero que Laura defende no estado.

Não há lugar na nossa sociedade para a violência contra quem defende justiça social e igualdade, muito menos para a violência de gênero. E nós, no Humanista, acreditamos que as tentativas de intimidação que sofre Laura Cardoso e outras advogadas e ativistas como ela não podem ficar impunes. Esperamos que o poder público cumpra a sua função, e que investigações sérias levem à justiça os perpetradores do atentado. O que podemos - e faremos - é ficar atentos e vigilantes, contribuindo para que a voz de nenhuma mulher seja calada. Não importa quantos editoriais sejam necessários até lá. 

Deixe um comentário

Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support