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Checagem Humanista: o que saiu do papel na gestão de Marchezan em Porto Alegre?

Levantamento revela que o atual prefeito da Capital e candidato à reeleição cumpriu (total ou parcialmente) 74% das promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2016.

Carolina Pastl / Checagem Humanista

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), finaliza o seu mandato em dezembro deste ano e, se depender dele, a partir de 2021, volta ao Paço Municipal, já que é candidato novamente ao cargo, em eleições cujo primeiro turno está marcado para 15 de novembro. Porém, desta vez, ele não é mais a novidade, uma das principais bandeiras levantadas durante a sua campanha em 2016, quando concorreu contra o então vice-prefeito, Sebastião Melo (MDB).

As propostas que Marchezan apresentou à população levou 60,5% dos votos válidos no segundo turno, ainda que a soma dos votos brancos, nulos e das abstenções tenha sido de 433.751, número 31.586 maior do que os votos recebidos pelo tucano. O resultado nas urnas foi um prenúncio do que ocorreria nos seus quatro anos de governo. Um desses acontecimentos emblemáticos foi o rompimento com o vice-prefeito, Gustavo Paim (PP), em julho de 2019, depois de bate-bocas e discordâncias políticas. 

Na articulação política, a partir da briga com o vice, intensificaram-se questionamentos sobre a  atuação “conciliadora” de Marchezan, característica, inclusive, prometida durante a campanha eleitoral em 2016 (página 6 do plano de governo). Atualmente, tramita na Câmara Municipal de Porto Alegre o polêmico processo de impeachment contra Marchezan, cuja justificativa é o uso indevido de R$ 3,1 milhões do Fundo Municipal de Saúde em ações de publicidade. Para o prefeito, a medida visa prejudicá-lo durante a campanha eleitoral. Para opositores, houve desvio de finalidade de verba pública.

Mas afinal, você sabe o que o prefeito cumpriu daquilo que prometeu durante a sua campanha eleitoral em 2016? Por meio de jornalismo de dados e fact-checking, o Humanista checou essas informações e descobriu que o prefeito cumpriu (total ou parcialmente) 74% das promessas feitas durante a campanha eleitoral há quatro anos.

 

 

Em relação ao cumprimento de suas promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2016, Marchezan respondeu em nota ao portal que é “o prefeito que mais as cumpriu, segundo levantamento do portal G1, que divulgou que, de 16 propostas analisadas, apenas uma ainda não foi cumprida”. Na realidade, dessas 16, o prefeito cumpriu efetivamente 12 promessas. Três foram cumpridas em parte. 

Também em nota, afirmou: “Desde o início da campanha sempre utilizamos a verdade para falar sobre Porto Alegre. Prometemos apenas aquilo que era possível fazer, sem demagogias. Não foi fácil, pois quando assumimos, nos deparamos com uma situação financeira complicada, que nos exigiu reformas estruturantes. Graças a estas reformas, recuperamos nossa capacidade de crédito e já temos mais de R$ 1 bilhão captados ou em fase de captação para investir na cidade”.


A checagem está dividida nas seguintes temáticas:
Saúde, Educação, Segurança, Cultura, Emprego, Gestão Pública,  Infraestrutura da Cidade, Sustentabilidade e Questões Sociais.

Metodologia do trabalho

Para saber quais foram as promessas feitas pelo então candidato, o Humanista assistiu a nove dos 11 debates realizados em emissoras da capital gaúcha, leu o plano de governo divulgado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2016 na íntegra, conferiu sites e programas de TV de notícias locais e regionais e conferiu as postagens da época no Instagram e no Facebook do prefeito. Não foram assistidos aos debates veiculados pela Rádio Guaíba + Correio do Povo (13/09/2016 e 20/10/2016), visto que não foram disponibilizados a público. Os nove debates acompanhados foram da Rádio Gaúcha (16/08/2016 e 06/10/2016); da Band TV RS (8/09/2016 e 8/10/2016 bloco 1, bloco 2, bloco 3, bloco 4 e bloco 5); da TV Record RS (25/09/2016 e 23/10/2016); da RBS TV (29/09/2016 e 29/10/2016); e do SBT RS + UOL + Folha (21/10/2016).

Vale salientar que promessas vagas como “Porto Alegre precisa melhorar“ não foram checadas, tendo em vista a imprecisão da frase. Críticas ao governo de José Fortunati (PTB), por exemplo, também não foram verificadas, já que não havia promessas de campanha, mas, sim, apontamento de erros – sejam eles corretos ou não.

Depois de definida a metodologia, a checagem foi feita a partir do site da Prefeitura de Porto Alegre, do Portal da Transparência da cidade, de veículos de notícias e das redes sociais oficiais do atual prefeito e da Prefeitura. As assessorias de comunicação das secretariais municipais também foram contatadas para esclarecer eventuais dúvidas. Ao final, foram atribuídas etiquetas de acordo com o que foi cumprido em relação a cada promessa.


FOTO DE CAPA: Assessoria Nelson Marchezan Júnior

3 comentários em “Checagem Humanista: o que saiu do papel na gestão de Marchezan em Porto Alegre?”

  1. Estudo detalhado e isento.Mostrou dados técnicos checados efetivamente e com amparo numa metodologia transparente .Que bom fossem todos os trabalhos jornalísticos assim.Parabéns!

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