IPHAN

Introdução:

O IPHAN é o órgão Federal Brasileiro que tem o objetivo de preservar os monumentos históricos e bens culturais nacionais. Uma das atividades que auxiliam nesse processo de preservação é a documentação histórica, que tem a finalidade de registrar o atual estado dos artefatos com vias ao seu estudo e sua preservação para as gerações futuras. Existem várias técnicas utilizadas para a documentação histórica, de acordo com as características do bem cultural (tipo, material, tamanho, estado de conservação, localização, etc),  e necessidades de ação sobre esse bem.

Uma das principais tecnologias empregadas na documentação histórica é a Fotogrametria, que desde a origem do termo foi empregada na medição e registro de edificações e patrimônios culturais.

Foi com esse objetivo, que a UFRGS, através do Laboratório de Fotogrametria, no Instituto de Geociências, se colocou à disposição e propôs o projeto: Mapeamento Fotogramétrico das Ruínas Jesuíticas das Regiões das Missões:  São Miguel Arcanjo e São Nicolau. O objetivo geral do projeto foi o de empregar os conhecimentos da Fotogrametria, estudados e ensinados no Curso da Engenharia Cartográfica, Topografia e Geodésia, e equipamentos de alta tecnologia para o levantamento, registro e medição 3D das estruturas históricas remanescentes nos sítios e seus entornos.

A metodologia emprega neste projeto é descrita a seguir, assim como a uma breve contextualização da importância histórica das ruínas em estudo.

IPHAN e a documentação Histórica:

Uma sociedade que se mantém viva culturalmente é aquela que se preocupa em conservar a sua história, seu passado. A preservação de acervos e monumentos históricos, ou seja, do legado das gerações passadas, que faz parte de seu patrimônio, contribui para a compreensão da identidade cultural da sociedade que o produziu. Pode-se pensar a atividade de preservação como um processo necessário a dois grandes propósitos: o primeiro, refere-se a tornar acessível para o público os conhecimentos históricos com a finalidade de educá-lo e entretê-lo, não somente através de uma comunicação escrita ou por imagens documentais, mas principalmente através dos artefatos reais, que possibilitam “uma impressão bem mais profunda sobre a história”; o segundo propósito refere-se à viabilidade do turismo, uma grande fonte de recursos econômicos. É sabido que muitas cidades se enriquecem com o turismo gerado pelo seu patrimônio histórico, sendo o continente europeu uma referência nesse sentido, “onde a arquitetura histórica é o seu principal atrativo, e é por isso que toda e qualquer edificação identificada lá como ‘patrimônio’ é respeitada e preservada”. Assim ocorre com outras culturas em outros continentes.

No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, muito conhecido pela sigla IPHAN, é a autarquia do Governo Federal que tem a função de preservar o Patrimônio Cultural Brasileiro. Este órgão é vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), e além de proteger, tem a função de promover os bens culturais brasileiros, garantindo a permanência e usufruto para as gerações atuais e futuras.

Documentar o patrimônio histórico é uma atividade secular. Na origem do termo Fotogrametria, no século XVIII, a primeira aplicação empregada por Albrecht Meydenbauer (criador do termo Fotogrametria), foi o uso na documentação (medição) de monumentos históricos e arquitetônicos. A importância dessa documentação é enfatizada por entidades como o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS, na sigla em inglês), principalmente no que concerne a uma documentação com qualidade posicional e precisão conhecidas. Outra referência enfatizando a documentação patrimonial encontra-se na Carta de Veneza, pela qual:

Art. 16. Os trabalhos de conservação, de restauração e de escavação serão sempre acompanhadas pela elaboração de uma documentação precisa sob a forma de relatórios analítico e críticos, ilustrados com desenhos e fotografias. Todas as fases dos trabalhos de desobstrução, consolidação, recomposição e integração, bem como os elementos técnicos e formais identificados ao longo dos trabalhos serão ali consignados. Essa documentação será depositada nos arquivos de um órgão público e posta à disposição dos pesquisadores; recomenda-se a sua publicação.

Neste sentido, a documentação do patrimônio histórico arquitetônico proporciona desde atividades com o intuito de manter as estruturas em bom estado de conservação, até aquelas que visam à produção de material de divulgação para o conhecimento do público em geral. Sendo assim, concordando com as necessidades referentes à produção de documentação do patrimônio histórico arquitetônico, salientam-se as seguintes atividades:

  • Conservação, englobando uma análise da situação para projetos de intervenção;
  • Monitoramento, com aquisição de dados e reconhecimento da situação;
  • Avaliação de condições;
  • Criação de portfólio;
  • Publicações;
  • Projetos de pesquisa.

Estrutura do IPHAN >>

Autor: Prof. Dr. Mário Reiss

Laboratório de Pesquisas em Fotogrametria da UFRGS