Diálogos da pandemia: conceitos analíticos e outras linguagens

Confira o vídeo do grupo de estudos Diálogos da pandemia enviado ao Salão de Extensão UFRGS 2020.

O Diálogos na Pandemia surge no cenário da covid-19 como espaço para discentes, docentes e convidados da Saúde Coletiva-UFRGS refletirem e dialogarem sobre saúde, ciências sociais, arte, cultura, os impactos da pandemia nas iniquidades sociais, o pensamento crítico, possíveis contribuições da Universidade, e construção de conhecimentos e processos de aprendizagem.  O grupo tem o objetivo de discutir aspectos teóricos, técnicos e psicossociais relacionados ao coronavírus e acontecimentos históricos semelhantes.

História de Vida e Ação Política: Reginete Bispo

Está disponível o vídeo do projeto de extensão História de Vida e Ação Política enviado para o Salão de Extensão UFRGS 2020. O vídeo trata do trabalho realizado com Reginete Bispo, cuja autoria é de Cláudia Rodrigues de Oliveira, Amanda Hamermüller e Giovanna De Carli Lopes, com coordenação de Frederico Viana Machado.

O projeto História de Vida e Ação Política é realizado pelo Laboratório de Políticas Públicas Ações Coletivas e Saúde (LAPPACS/UFRGS) e tem como objetivo trazer para o ambiente universitário narrativas autobiográficas emblemáticas do cenário político e social, propiciando momentos de debate e reflexão sobre a passagem público/privado. O projeto coloca em diálogo, no espaço acadêmico, as experiências de ativistas e militantes de movimentos sociais que tiveram importantes atividades de mobilização social e de organização política no estado do Rio Grande do Sul – RS. Muitas são as personalidades marcantes na cena política brasileira, entretanto, quando pensamos nessas figuras, estas são atravessadas pelo apagamento histórico marcado pela neutralidade e universalidade da hegemonia branca. Nesse projeto biográfico, discorre-se acerca da trajetória de Reginete Bispo, figura destaque para a criação e renovação das ações políticas pela igualdade racial. O projeto se deu através de uma entrevista concedida ao LAPPACS/UFRGS e conversas informais, além de informações retiradas da internet. As vivências de Reginete são discutidas à luz dos acontecimentos históricos, que atravessam suas experiências, e analisadas por teorias sobre a colonialidade do poder e o racismo estrutural. Destacamos sua atuação intelectual e suas contribuições para a luta contra o racismo no Rio Grande do Sul e no Brasil. A entrevista realizada com Reginete Bispo está em processo de edição e em breve será publicada no canal do LAPPACS/UFRGS no YouTube. O projeto de História de Vida e Ação Política tem levantado reflexões e fomentado debates, pautando temas que atravessam a história e se fazem atuais até hoje. Projetos como este são importantes na produção de conhecimento no âmbito do ensino, pesquisa e extensão, contribuindo assim de forma significativa na formação de agentes políticos e sociais.

 

 

 

Diálogos na Pandemia – Gestão Estadual da APS para o Enfrentamento do Novo Coronavírus

Já está disponível o vídeo “Gestão Estadual da Atenção Primária à Saúde para o Enfrentamento do Novo Coronavírus”, com a palestra de Thaís Severino da Silva, Superintendente de Atenção Primária à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, realizada no dia 03 de julho de 2020 no encontro do grupo Diálogos na Pandemia

O evento contou com  mediação de Bruno Bavaresco da Silva. A edição é de Anelise Teixeira Burmeister e Kevin Nicolai.

DISPONÍVEIS OS REGISTROS EM VÍDEO DO SEMINÁRIO “ÊBA! VIADO NA PISTA! NUANCES: 24 ANOS NAS RUAS”, REALIZADO EM 2015

 

No ano de 2015, mais precisamente em abril, a Organização Não Governamental Nuances – Grupo Pela Livre Expressão Sexual comemorou seus 24 anos de existência. Como grupo pioneiro na luta pela defesa dos direitos da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBTT) no Rio Grande do Sul. Durante sua trajetória organizou projetos e ações com outros atores nacionais e internacionais, senDo reconhecida como uma das ONGs mais importantes do movimento. Para comemorar esta data tão especial, foi organizado um seminário em parceria entre o Grupo Nuances e o Laboratório de Políticas Públicas, Ações Coletivas e Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (LAPPACS/UFRGS).

O evento foi intitulado “Seminário Internacional Êba! Viado na pista! Nuances 24 anos”  e realizado nos dias 28 e 29 de agosto de 2015 na sede do Sindibancários – Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, localizado no centro histórico de Porto Alegre. Deste seminário se originou um livro, intitulado “Diversidade e a Livre Expressão Sexual entre as Ruas as Redes e as Políticas Públicas“, editado em parceria entre a editora Nuances e a Editora da Rede Unida (Clique aqui para baixar o livro). O livro reúne trabalhos apresentados no seminário e articula pensamentos e reflexões gestados nas fronteiras que tensionam e articulam a universidade, os movimentos sociais e as políticas públicas. O seminário foi registrado e discutido em um artigo publicado na Revista da Extensão da UFRGS (nº12 / Junho 2016, disponível aqui ou aqui).

O evento buscou abordar os desafios no enfrentamento à homofobia, tanto no sentido político-conjuntural, como nas frentes de produção de conhecimento sobre o tema.  Também incluímos nas mesas relatos de protagonistas nos quais, historia, arte, cultura e politica se fizeram presentes para dar sentido às historias que o Nuances construiu nestes 24 anos de enfrentamento politico:

PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2015

  • Abertura com representações do Nuances, LAPPACS/UFRGS e Sindbancários;
  • Mesa 1 (10-12h) – O Movimento LGBTTT do RS nas Ruas: ocupação dos espaços públicos e sociais como estratégia de resistência e militância.
  • Mesa 2 (14-17h) – Trajetória e Atualidades do Movimento LGBTTT no Brasil e América Latina.

Sábado, 29 de Agosto de 2015

  • Mesa Redonda (14-17h) – Educando para a Diversidade: o desafio do ensino de gênero e sexualidade na escola e ensino superior.
  • Lançamento do documentário (17h18): “Nega Lû” (Para assistir ao documentário clique aqui!)
  • Mesa 3 (18-21h) – Arte e Cultura LGBTTT: estratégias de transformação e enfrentamento político.
  • Encerramento (21h30-02h) – Confraternização com show da Valéria Barcellos. (Clique aqui para ver algumas fotos do evento).

Entretanto, embora o seminário tenha sido quase todo filmado, estes registros não haviam sido divulgados até o presente momento. Um erro histórico que buscamos corrigir agora. Estávamos então no ano de 2015, desde lá muita coisa aconteceu na política local, nacional e global. Escutar os discursos daquela época chega a ser uma experiência desconcertante por nos recordar de que muitas das situações que estamos vivendo agora já estavam anunciadas naquele momento. Confiram os vídeos do seminário:

MESA DE ABERTURA:

MESA 1 – “O MOVIMENTO LGBTT DO RIO GRANDE DO SUL NAS RUAS: OCUPAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS E SOCIAIS COMO ESTRATÉGIA DE RESISTÊNCIA E MILITÂNCIA”

MESA 2 – TRAJETÓRIA E ATUALIDADES DO MOVIMENTO LGBTTT NO BRASIL E AMÉRICA LATINA

RODA DE CONVERSA: “EDUCANDO PARA A DIVERSIDADE: O DESAFIO DO ENSINO DE GÊNERO E SEXUALIDADES NA ESCOLA E ENSINO SUPERIOR”

Durante o seminário, os participantes Roger Raupp Rios, Mario Pecheny, Célio Golin, Fabiano Barnart, Regina Facchini, Marcos Tavares, Sandro Ka, Cláudia Schulz e Candy Diase foram entrevistados sobre a importância do evento. Estes depoimentos podem ser vistos no vídeo abaixo:

Esperamos que este material possa contribuir para o registro das memórias do Grupo Nuances e do movimento LGBT como um todo,  bem como servir de referência para novas reflexões e ações na universidade e na política, orientando ações de acadêmicos, ativistas, gestores e cidadãos em geral.

 

 

 

Manifesto dos Professores Pela Democracia: Em Defesa da Autonomia, pelo Respeito à Decisão da UFRGS!

Porto Alegre, 25 de agosto de 2020

 

 Manifesto dos Professores Pela Democracia: Em Defesa da Autonomia, pelo Respeito à Decisão da UFRGS!

Em julho passado, a UFRGS realizou consulta à comunidade acadêmica, tendo escolhido os nomes que deverão dirigi-la pelos próximos 4 anos. À consulta, seguiu-se a formação da lista tríplice ordenada pelo Conselho Universitário, então encaminhada ao governo federal, como prevê a legislação em vigor. Esta lista é liderada pela chapa formada pelo prof. Rui Oppermann, que tem a profa. Jane Tutikian como vice-reitora.

Desde 1992, os governos federais têm nomeado para a reitoria os nomes escolhidos pela Comunidade Universitária e ratificados pelo Conselho Universitário, numa demonstração de respeito à autonomia da universidade. Fomos, porém, surpreendidos por uma campanha de representantes legislativos em favor da indicação, pela presidência da República, da chapa do Prof. Bulhões, justamente aquela que obteve o menor números de votos em todas as etapas do processo e em todos os segmentos. Explorando sua inserção midiática, estes parlamentares defendem tal disparate com argumentos puramente ideológicos, sem base na realidade.

Trata-se de um desrespeito intolerável à vontade da comunidade acadêmica da UFRGS – um universo de mais 60 mil pessoas, entre profissionais e estudantes – e que atropela o andamento do processo sucessório, colocando em risco a estabilidade da maior Universidade Pública do sul do país. A Universidade Pública é uma instituição social, um lugar de construção e de transmissão de saberes e formação de profissionais. Como Universidade Pública, a UFRGS tem sempre respondido às demandas da comunidade gaúcha e brasileira. Os conhecimentos científicos, tecnológicos, artísticos e culturais que ela produz e transmite pertencem a toda a sociedade, em toda sua diversidade, não a um grupo particular de interesses.

Em toda a sua história, inclusive agora durante a pandemia da COVID-19, nossa Universidade tem dado reiteradas mostras de cumprir seu papel com denodo, tendo sido inclusive apontada, por vários anos consecutivos, como a melhor Universidade Federal brasileira. Tal sucesso se deve à natureza da atividade acadêmica, que, da mesma forma como nas melhores instituições universitárias do mundo, é estritamente pautada pelo livre exercício do espírito crítico, razão pela qual uma intervenção política como a sugerida é motivo de alarme e veemente repúdio.

Tendo em vista que a UFRGS cumpriu tanto a legislação federal, quanto o que reza seu Estatuto, esperamos que a União cumpra sua parte indicando o primeiro da lista tríplice, preservando a tradição estabelecida, que, como explicamos, está na raiz do sucesso de nossas atividades.

Rejeitamos qualquer tentativa de intervir no presente processo de escolha, e estamos atentos na defesa da democracia e da autonomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Exigimos respeito à escolha realizada pela UFRGS!

Professores pela Democracia UFRGS

professorespelademocraciaufrgs@gmail.com

 

https://lh6.googleusercontent.com/pJDsrgAPKLARL_0zlmpssHcdzbI5vRHlOxgrsfUDVxRSoRhmt-1CZsN69mZRk273vRPJTfpJWCrqiof19ku4FPOkgjEfLhkRGkXc1g4d1LykhE66z4_pX8MW_pOgTRoUYaKbFNi5

Projeto ComRioComMar entrega boletim com análise das propostas das populações atingidas pelo rompimento da barragem do Fundão

Nesta quarta-feira, dia 26/08, a partir das 14h, acontece a entrega das propostas das populações atingidas pelo rompimento da barragem do Fundão às autoridades do CIF, Renova, governos municipais, estadual e federal.

Entre julho de 2018 e janeiro de 2020, o projeto ComRioComMar – que tem participação de instituições como Cebrap, CEM, USP, UFES, Unisinos, IESP – coletou as propostas para a reparação dos danos causados pelo desastre crime da Samarco. Foram 18 meses de participação, com cerca de 24 mil votos e 4 mil participantes, em 5 comunidades do Espírito Santo.

O evento será transmitido ao vivo pelo canal do Cebrap no Youtube.

Clique aqui para baixar o Boletim Com RIo Com Mar, Opinião Popular, com as propostas das populações nas áreas de trabalho, meio ambiente, saúde e indenização.

Saiba mais sobre o projeto: https://www.comriocommar.com.br/

 

SELEÇÃO DE BOLSISTA INICIAÇÃO CIENTÍFICA 2020 – CNPq – UFRGS

SELEÇÃO DE BOLSISTA INICIAÇÃO CIENTÍFICA 2020 – CNPq / UFRGS

O Laboratório de Políticas Públicas, Ações Coletivas e Saúde (LAPPACS/UFRGS) está selecionando um/a bolsista de iniciação científica para trabalhar na pesquisa “DESAFIOS DA PARTICIPACAO SOCIAL NA ATENCAO BASICA”.

Atividades previstas: revisão de literatura; análise qualitativa de dados no NVIVO; escrita de relatório e participação no Salão de Iniciação Científica.

Bolsa auxílio: R$ 400,00

Pré-Requisitos:

  • Interesse e iniciativa para trabalhar em pesquisa;
  • Interesse no tema da Participação Social;
  • Conhecimentos básicos de informática;
  • Disponibilidade de 20h semanais;
  • Bom histórico escolar;
  • Estar matriculado em algum curso relacionado à área de Ciências Humanas e Sociais (Saúde Coletiva, Políticas Públicas, Psicologia, Serviço Social, Ciências Sociais, geografia etc.);
  • Estar cursando pelo menos o 3º Semestre;

 

Os interessados deverão enviar link do currículo lattes, contato de whatsapp e um pequeno texto de apresentação justificando o interesse no tema de pesquisa para o e-mail: lappacs@gmail.com

Prazo para envio: 31/08/2020

ARTES, CULTURAS & SAÚDE COLETIVA: Caminhos para promoção da equidade & cenário covid-19

O encontro do grupo “Diálogos na Pandemia” de hoje, dia 07 de agosto de 2020, terá como tema: ARTES, CULTURAS & SAÚDE COLETIVA – Caminhos para promoção da equidade & cenário covid-19.

O grupo se reúne na sala https://mconf.ufrgs.br/webconf/dialogos-na-pandemia. A participação é aberta ao público externo, é gratuito e não requer inscrições.

Serão emitidos certificados.

 

Confira a programação de encontros anteriores:

 

CARTA A COMUNIDADE ACADÊMICA DA UFRGS EM DEFESA DA AUTONOMIA E DA FUNÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE

O Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGCOL), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), vem a público, mais uma vez, manifestar seu repúdio a atos de intolerância e violência dirigidos a sua comunidade acadêmica. A menos de um mês uma de nossas professoras foi vítima de um ataque racista, em março vimos um colega ter sua integridade física e sua vida ameaçada. Ontem, a intolerância e a violência, tiveram como alvo a produção de tecnologias de proteção aos profissionais do sexo durante a pandemia de COVID-19, que compõem o conjunto de iniciativas que a Universidade vem, intensivamente, produzindo para contribuir com o enfrentamento das consequências diretas e indiretas da pandemia no cumprimento de sua função social.

O fato ocorreu, no dia 27 de julho de 2020 nas redes sociais do UFRGSNOTICIA que noticiou a publicação da cartilha intitulada “Coronavírus e Profissionais do Sexo”. A coordenação do Projeto é do Prof. Matheus Neves, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFRGS (PPGCOL), com envolvimento de estudantes e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). A cartilha possui uma série de recomendações para evitar a contaminação pelo novo coronavírus e é voltada aos profissionais do sexo, tendo como base evidências de vulnerabilidade aumentadas desse grupo social no período da pandemia.

Focando na prevenção e na preservação das vidas destas e destes profissionais, o material apresenta sugestões de formas alternativas de trabalho para o período de distanciamento social, orientações para diminuir o risco de contaminação em casos de atendimento presencial e ainda informações sobre o acesso ao auxílio emergencial do Governo Federal, além de abordar cuidados diários que devem ser colocados em prática por todas as pessoas para evitar a Covid-19. Uma abordagem necessária e pertinente construída  através de uma parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul. Não há qualquer juízo de valor colocado na produção, que preza pela estrita observância de orientações para a preservação da saúde e pelo acesso à informações importantes para a proteção a um público que em sua maioria poucas oportunidades e acesso a cuidado e informação recebe ao longo de  vidas que são marcadas por sucessivas situações de opressão, negligência e violência. Entre as manifestações que a notícia produziu, observa-se claramente a naturalização da violência e da opressão a que estas, em sua maioria, mulheres sofrem dentro de uma estrutura social machista, racista e classista que repete cotidianamente que suas vidas pouco importam. Foram desqualificações, ameaças e acusações falsas e violentas de diversas ordens. Além de questionar o quão inadequado era a universidade estar a serviço de tal público, também houve o objetivo claro de constranger a iniciativa e assediar os professores, alunos e técnicos envolvidos na sua elaboração.

Como no poema de Bertold Brecht, não é a pequenez da condição humana em algumas pessoas que nos preocupa. É o uso indevido do direito a liberdade de expressão, que sem dúvida nenhuma precisa ser respeitado, mas que jamais pode ser aceito para manifestação do ódio, para constranger e violentar, como tem se observado em tempos recentes e que fere a existência de pessoas e a autonomia institucional da universidade. É isso o que nos mobiliza. É preciso iniciativas fortes para combater essas práticas criminosas que se voltam à Universidade, mas que são cotidianas nas vidas de tantas pessoas e grupos populacionais. É preciso (re)agir energicamente à violência, como parte da função social da universidade e das demais instituições do poder público, com a função pedagógica de ampliar nossa democracia e a civilidade nas relações sociais.

A universidade é da sociedade brasileira e, como ela, é lugar de diversidade! Da diversidade eticamente sustentada e cientificamente compreendida. A intolerância, a violência, os preconceitos de toda natureza e o totalitarismo não podem prosperar na universidade, exceto como objeto de estudo e de combate. E em momentos de crise civilizatória e humanitária como estamos vivendo, a universidade também não é lugar para o silêncio e a omissão cúmplices. Por isso nos manifestamos em repúdio a tais atos.

Nosso repúdio se embasa no exercício da cidadania que nos é definido constitucionalmente. Diz a Constituição brasileira de 1988 que os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil são a construção de uma sociedade livre, justa e solidária; a garantia do desenvolvimento nacional; a erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais; a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação[1]. De acordo com a Constituição brasileira, as universidades têm autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e devem obedecer ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão (Art. 207).

Ademais, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, Lei Federal nº 9,394, de 20/12/1996[2]), o  ensino deve ser ministrado com base, entre outros, nos princípios da “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”; “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”; “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas”; “respeito à liberdade e apreço à tolerância”; (…) “valorização da experiência extra-escolar”; “vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais”; “consideração com a diversidade étnico-racial” (Art. 3º).

Para sua implementação, cabe às instituições e estabelecimentos de ensino “promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas”; e “estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas” (Art. 12). Mais do que isso, diz a LDB que, entre as finalidades da educação superior estão o estímulo à criação cultural e ao desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; a promoção da divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e da comunicação do saber através do ensino, de publicações (…); o estímulo ao conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; e de promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição (LDB, Art. 43).

A UFRGS, atenta às definições da política nacional de educação, à legislação vigente e zelosa de sua função e relevância social, atualizou seu Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI 2016-2026)[3] traçando como um dos Objetivos de Impacto Social a serem desenvolvidos no período “Ampliar e incentivar interações da Universidade com os demais segmentos da sociedade, no campo acadêmico, cultural, social e artístico, promovendo a cultura da paz, o voluntariado, a partilha e a apropriação de saberes, e o respeito aos direitos humanos”.

Nesta perspectiva o PPGCOL, suas pesquisas e em especial o material produzido são resultado do desenvolvimento de pesquisa de excelência, constituídas por parcerias interinstitucionais com secretarias estaduais e municipais de saúde vem construindo tecnologias sociais oportunas, significativas e apropriadas por grupos sociais marginalizados e invisibilizados. Vítimas cotidianas do descaso, da indiferença e tantas vezes do ódio.

Dessa forma, a manifestação de repúdio às postagens violentas, preconceituosas e de intolerância nas redes sociais da universidade, não se restringe ao conteúdo e às autorias de tais atos criminosos. Também se volta às instituições que compõem a institucionalidade democrática definida constitucionalmente, inclusive às instâncias da própria universidade no que se refere às manifestações registradas de alguns dos seus membros, para que os autores de tais atos sejam identificados e devidamente responsabilizados. Trata-se de um dispositivo pedagógico para fazer avançar a educação no Brasil, na direção que a talvez exaustiva revisão feita acima aponta. E o fazemos, como alertou Brecht, porque a hora de agir é o exato momento em que as iniciativas de intimidação da autonomia pedagógica docente, da autonomia institucional da universidade, da função social da universidade, da vida das pessoas é posta a prova por déficits de civilidade e pela convicção de inconsequência de atos criminosos se tornam visíveis. Essa é a hora de agir porque a história já nos mostrou que o silêncio e a omissão sempre custam vidas inocentes e retrocessos civilizatórios significativos. A universidade não pode ser lugar de omissão e de silêncio!

Ademais, é preciso deixar claro, que o Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva seguirá em frente e de cabeça erguida e que, embora respeite a todas as opiniões, também exigirá respeito e a responsabilização daqueles que proferem o discurso de ódio. Seguiremos pesquisando, a serviço da sociedade brasileira e daqueles que seguem a margem em um mundo onde o dinheiro nos impõe que algumas vidas valem mais do que outras. Todas as vidas nos importam e precisam ser respeitadas. Ou todes serão livres ou respeitades dentro desta universidade ou a universidade não será digna de ninguém. Aos destiladores de ódio, nosso aviso, mais uma vez, seguiremos e não nos calaremos!

 

Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

[1] Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Art. 3º. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

[2] Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm

[3] Disponível em: http://www.ufrgs.br/pdi/pdi-2016-2026