
A pandemia da COVID 19 contribuiu para transparecer a preocupante insegurança alimentar referente ao acesso de alimentos e a sua devida qualidade, bem como, um aumento gradativo dessa condição como resultado da crise econômica instaurada pela pandemia. Para quem tem o privilégio da garantia do acesso a alimentos, esse cenário ainda pode ser um fator diferencial no consumo e nas escolhas alimentares durante o período de isolamento social, que podem ser consideradas também como uma contribuição para a insegurança alimentar.
O estresse e a crescente preocupação com a saúde mundial podem ser importantes pontos que desencadeiam uma desregulação alimentar motivada pelo que chamamos de comer emocional. O comportamento alimentar está associado diretamente a emoções dos indivíduos, pois elas representam os chamados “gatilhos” para a compensação emocional através do alimento. Podemos comer por raiva, ansiedade ou tédio, por exemplo. Normalmente esses episódios ocorrem com produtos de baixa qualidade nutricional, resultando na insegurança alimentar, uma vez que essa situação aparece quando uma família não tem acesso permanente à alimentação, em quantidade e qualidade adequadas. Nesse sentido, é fundamental compreender a aceitar o que sentimos e buscar auxílio de profissionais como psicólogos e nutricionistas.
É importante saber discernir a fome fisiológica da fome psicológica. A fome física é o sinal de que é necessário ingerir nutrientes para que o corpo possa realizar as suas funções, e se manifesta através de dores no estômago, irritação e, em casos extremos, dores de cabeça e tonturas. Já a fome psicológica pode ser categorizada a partir de suas razões, são elas: fome emocional, fome social e a vontade. A fome emocional está atrelada a alimentos com alto teor de gordura e açúcar , os quais promovem a sensação de conforto e recompensa. É a típica refeição que acompanha a frase “eu mereço”. A fome social é a partilha de alimentos em eventos de confraternização ou de união a familiares e amigos, como aquele churrasco de domingo. Já a vontade, diz respeito ao desejo de um alimento específico despertada por alguma influência externa.
Em relação a quarentena, podemos ressaltar a constante exposição a comerciais televisivos bem como as redes sociais, com a disseminação do home office (trabalho a distância), que incentivam o consumo de alimentos industrializados, em sua maioria ultraprocessados, e as refeições tipo fast foods, oferecidas pelos atendimentos de delivery . A ansiedade gerada pela pandemia e a aflição com a vida de familiares e amigos, também podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares, como a compulsão alimentar periódica, por exemplo. Além disso, o comer emocional pode proporcionar um aumento de peso significativo. A possibilidade de preparar e realizar as refeições em casa, para muitas pessoas, é sinônimo de disponibilidade de comer alimentos prazerosos em grandes quantidades e em vários momentos do dia, gerando um comer exagerado sem respeitar os sinais da fome fisiológica.
Portanto, é importante estabelecer uma boa relação com a comida, sem medo e compensação, desmistificando a existência da dicotomia alimentar entre alimentos considerados “vilões” e “mocinhos”. É importante manter uma alimentação equilibrada, diversa e colorida de forma natural. Uma prática bastante interessante para se fazer as pazes com a comida é o mindful eating ou “comer com atenção plena”. Essa prática se dá prestando atenção no alimento desde a sua preparação até a ingestão, honrando a fome. É de extrema importância consultar um profissional qualificado para maiores informações e tratamento diante de episódios recorrentes de comer emocional.
Texto resultado da parceria entre o NAN / Laranja na Colher com o curso de Nutrição UFRGS.
Alunas: Anne Faversani, Louise Barbosa, Jéssica Ferrari, Helena Vaccari e Milena Soares.
Supervisão: Profa. Dr. Maurem Ramos e Stéfani Schneider Nutricionista CRN2 10310
Referência:
https://sophiederam.com/br/comportamento-alimentar/fome-psicologica/






Um comentário
Isso realmente aconteceu durante a pandemia. Comer compulsoriamente.