A produção de aprendizagens significativas em ensino de história: uma visão a partir da análise dos relatórios de estágio docente da UFRGS 2000 – 2015
Este projeto de pesquisa se beneficia da minha situação de professor orientador de estágios docentes de ensino de história, desde 1995 na UFRGS, mas já tendo exercido a docência desta disciplina na FAPA Faculdade Porto-alegrense entre 1988 e 1995. A larga trajetória envolvida com orientação e acompanhamento de estágios docentes em história tem um registro bem claro nos últimos anos, que são os relatórios de estágio docente, arquivados na Biblioteca Setorial da Faculdade de Educação da UFRGS desde o ano 2000 na forma de CDROM individual para cada aluno estagiário. Este largo acervo permite uma visão dos principais enfrentamentos no processo de produzir, em sala de aula, aprendizagens significativas em história. É sobre ele que me debruço, pinçando elementos ordenados em duas grandes categorias: o que se faz a partir do anteriormente planejado (planejamento inicial da docência, elaborado a partir da observação das classes onde o estágio vai se desenvolver, e sob orientação do professor supervisor), e o que se faz ao lidar com os imprevistos e demandas próprias de uma sala de aula onde temos muitas questões contingentes e emergentes (relato de como efetivamente o estágio aconteceu, aula a aula, contemplando as modificações feitas no planejamento inicial a partir das demandas emergentes). A experiência de estágio docente envolve um criterioso planejamento anterior de cada aula, ainda mais que em geral os alunos estão estreando na posição de professores, e no caso da UFRGS tem idade em torno de 23 anos na média. Temos então uma lógica que domina o planejamento, onde se expressam ideologias acerca do ensino de história, propostas, tarefas que se imagina a história deve desempenhar na produção de uma consciência crítica, gostos pessoais de cada estagiário a depender de temas e referenciais teóricos adotados, preocupações ligadas à metodologia da história, preocupações ligadas às culturas juvenis e sua expressão na sala de aula, preocupação em seguir o caminho que já vem sendo trilhado pelo professor regente da turma, pois ao final do estágio é a ele que a turma será devolvida . Este acervo de ações planejadas pode ruir dentro da sala de aula, ao sabor de muitos imprevistos e dos gostos da turma, ou mesmo da constatação da ineficácia do que foi planejado, manifestada em geral pelo desinteresse dos alunos. Entra em ação então a capacidade de improvisar e propor atividades pedagógicas, na articulação entre o planejado e as questões emergentes. Tudo isso é descrito nos relatórios, e constitui em geral o tema mais bem descrito, os enfrentamentos entre o planejado e o executado. Este projeto de pesquisa funciona ha muitos anos como um projeto guarda chuva para abrigar as produções do pesquisador em ensino de história, fruto direto das orientações de estágios docentes.