Financiamento indireto por parte do CEHUM/NIEP
“Artesãs da terra: reversos e ressonâncias de situações de pobreza” é um projeto que conjuga a investigação científica e a arte performativa. O objetivo geral é estudar e performar histórias de vida de “velhas” mulheres-atoras da prática agrícola artesanal, residentes na região Norte de Portugal, no município de Guimarães, em freguesias rurais e rurais-industriais dispersas. Não negando a vivência de uma prática agrícola de subsistência associada a situações de pobreza, procuramos escapar a uma abordagem científico-social que, ao reinscrevê-las na configuração societal e ideológica do Estado Novo, arrisca fechá-las num círculo (datado) de empobrecimento heurístico das suas histórias de vida. O compromisso deste projeto é o de auscultar trajetórias de reversão de pobreza e situações não-lineares e renovadas de ligação à terra, exploradas na sua riqueza multíplice: subjetiva, cognitiva, existencial, técnica, estética e (porventura) ética.
No plano científico, a recolha de histórias de vida e de registros visuais, bem como as “entrevistas guiadas” das participantes aos seus terrenos, articula-se com as seguintes opções teórico-metodológicas a partir das quais são compostos Retratos Sociais: i) indagar, nas trajetórias de vida, estratégias de conformismo e/ou reversibilidade da sua origem social (e societal) de pobreza; ii) resgatar o saber-fazer na ligação à terra como sustentação quotidiana das suas identidades (inter)subjetivas; iii) ensaiar o conceito de “ressonância” de Hartmut Rosa (2019) como forma específica de relação entre o sujeito e o mundo. Com esta terceira opção, as artesãs da terra são, também, ainda que de modo exploratório, apreendidas como artífices de um micro-mundo – o da terra em cultivo e dos animais – hipoteticamente vivenciado como “experiência responsiva” com outras identidades orgânicas.
No plano artístico, a investigação cruza-se com o projeto “Fazer Presente – Teatro Participativo em Diálogo Intergeracional” que tem com participantes artesãs da terra e jovens estudantes da Licenciatura de Teatro da Universidade do Minho (que no Brasil corresponde ao Bacharelado). Na base do projeto artístico-pedagógico Microcenografias, que envolveu os dois grupos de participantes, esteve um específico e progressivo protocolo que proporcionou a troca de universos e de vivencias entre os dois grupos: i) partilha de realidades “íntimas” através de trocas por via indireta; ii) partilha de histórias de vida recolhidas no trabalho de campo da investigação; iii) contato face a face. O arquivo que cada aluna criou sobre uma das seniores serviu de base para a construção da microcenografia, uma instalação plástica resultante de uma livre interpretação do patrimônio pessoal recolhido e que agora se transmutou da esfera do biográfico para o domínio do coletivo e da imaginação.
Financiamento indireto por parte do CEHUM/NIEP
“Women artisans of the land: reversals and resonances of situations of poverty” is a project that combines scientific research and performative art. The overall objective is to study and perform the life stories of “old” women actors in artisanal agricultural practice, residing in the northern region of Portugal, in the municipality of Guimarães, in scattered rural and rural-industrial parishes. Without denying the experience of subsistence farming associated with situations of poverty, we seek to escape a scientific-social approach that, by re-inscribing them in the societal and ideological configuration of the Estado Novo, risks closing them in a (dated) circle of heuristic impoverishment of their life stories. The commitment of this project is to listen to trajectories of poverty reversal and non-linear and renewed situations of connection to the land, explored in their multiple richness: subjective, cognitive, existential, technical, aesthetic, and (perhaps) ethical.
On a scientific level, the collection of life stories and visual records, as well as the participants’ “guided interviews” on their land, is linked to the following theoretical and methodological options from which Social Portraits are composed: i) to investigate, in life trajectories, strategies of conformity and/or reversibility of their social (and societal) origin of poverty; ii) to recover the know-how in connection with the land as the daily sustenance of their (inter)subjective identities; iii) to test Hartmut Rosa’s (2019) concept of “resonance” as a specific form of relationship between the subject and the world. With this third option, the women artisans of the land are also, albeit in an exploratory way, understood as creators of a micro-world—that of cultivated land and animals—hypothetically experienced as a “responsive experience” with other organic identities.
On an artistic level, the research intersects with the project “Making Present – Participatory Theater in Intergenerational Dialogue,” which involves local artisans and young students from the Theater undergraduate program at the University of Minho (which in Brazil corresponds to a bachelor’s degree). The artistic-pedagogical project Microcenographies, which involved both groups of participants, was based on a specific and progressive protocol that facilitated the exchange of worlds and experiences between the two groups: i) sharing of “intimate” realities through indirect exchanges; ii) sharing of life stories collected in the research fieldwork; iii) face-to-face contact. The archive that each student created about one of the seniors served as the basis for the construction of the microcenography, an artistic installation resulting from a free interpretation of the personal heritage collected, which has now been transformed from the biographical sphere to the realm of the collective and the imagination.
Financiamento indireto por parte do CEHUM/NIEP
« Artisanes de la terre : revers et résonances des situations de pauvreté » est un projet qui combine recherche scientifique et art performatif. L’objectif général est d’étudier et de mettre en scène les histoires de vie de « vieilles » femmes actrices de la pratique agricole artisanale, résidant dans le nord du Portugal, dans la municipalité de Guimarães, dans des paroisses rurales et rurales-industrielles dispersées. Sans nier l’expérience d’une pratique agricole de subsistance associée à des situations de pauvreté, nous cherchons à échapper à une approche socio-scientifique qui, en les réinscrivant dans la configuration sociétale et idéologique de l’État Novo, risque de les enfermer dans un cercle (désuet) d’appauvrissement heuristique de leurs histoires de vie. L’engagement de ce projet est d’écouter les trajectoires de renversement de la pauvreté et les situations non linéaires et renouvelées de lien à la terre, explorées dans leur richesse multiple : subjective, cognitive, existentielle, technique, esthétique et (peut-être) éthique.
Sur le plan scientifique, la collecte d’histoires de vie et d’enregistrements visuels, ainsi que les « entretiens guidés » des participantes sur leur terrain, s’articulent autour des options théoriques et méthodologiques suivantes, à partir desquelles sont composés les Portraits sociaux : i) enquêter, dans les parcours de vie, sur les stratégies de conformisme et/ou de réversibilité de leur origine sociale (et sociétale) de pauvreté ; ii) récupérer le savoir-faire lié à la terre comme soutien quotidien de leurs identités (inter)subjectives ; iii) tester le concept de « résonance » de Hartmut Rosa (2019) comme forme spécifique de relation entre le sujet et le monde. Avec cette troisième option, les artisanes de la terre sont également, bien que de manière exploratoire, considérées comme les créatrices d’un micro-monde – celui de la terre cultivée et des animaux – hypothétiquement vécu comme une « expérience responsive » avec d’autres identités organiques.
Sur le plan artistique, la recherche croise le projet « Fazer Presente – Teatro Participativo em Diálogo Intergeracional » (Faire présent – Théâtre participatif en dialogue intergénérationnel) qui réunit des artisanes locales et de jeunes étudiant.es en licence de théâtre de l’université du Minho (équivalent au baccalauréat au Brésil). À la base du projet artistique et pédagogique Microcenografias (Microcenographies), qui a impliqué les deux groupes de participant.es, se trouvait un protocole spécifique et progressif qui a permis l’échange d’univers et d’expériences entre les deux groupes : i) partage de réalités « intimes » par le biais d’échanges indirects ; ii) partage d’histoires de vie recueillies lors du travail de terrain ; iii) contact face à face. Les archives que chaque élève a créées sur l’une des femmes âgées ont servi de base à la construction de la microcenographie, une installation plastique résultant d’une libre interprétation du patrimoine personnel recueilli et qui est désormais passée de la sphère biographique au domaine collectif et à l’imaginaire.