Como integrantes do Grupo de Pesquisa Poéticas do Corpo, Memória e Performatividade (PCMP/CNPq – UFAC), escolhemos o espetáculo Fale Agora ou Cale-se Para Sempre como base para investigar como práticas performativas podem tensionar narrativas hegemônicas sobre casamento precoce e gravidez na adolescência em contextos de pobreza estrutural na Amazônia acreana. Inspirados pela proposta de performance como ato vivido e situado, criamos um experimento artístico e pedagógico que transforma dados reais (IBGE, Ministério da Saúde, Fundação Abrinq, entre outros) em cena, através de movimento, figurino, animação digital e escuta coletiva.
O espetáculo circulou por escolas públicas de tempo integral em Rio Branco (Acre), pela Usina de Arte João Donato, e também foi apresentado no Instituto de Administração Penitenciária do Acre (IAPEN), além de festivais como o Bahia Dança (BA), Festival Palco Giratório (RO) e em eventos culturais da Fundação Cultural de Rondônia. Esses encontros extrapolaram os limites da cena, se desdobrando em rodas de conversa, partilhas e articulações políticas, especialmente junto à Secretaria da Mulher do Acre, que forneceu materiais educativos e apoio técnico através de uma profissional disponível para esclarecer questões jurídicas sobre os temas abordados.
Ao longo do processo, as práticas performativas mostraram-se capazes de acionar uma escuta não hierárquica, em que espectadores tornaram-se narradores de suas próprias histórias. A análise das reações do público revelou a força da identificação, a potência da performance como dispositivo de denúncia, e a precariedade como campo fértil para alianças artísticas e políticas. Embora limitados por dificuldades estruturais, como ausência de políticas públicas e financiamento cultural, o espetáculo provocou mobilizações institucionais e afetivas, gerando importantes parcerias com órgãos públicos e indicando caminhos para a continuidade do debate em escolas e espaços comunitários. A obra se afirma, assim, como fresta que conecta dados, memórias e corpos, expandindo a performance como modo de existir e resistir.
As members of the Research Group Poetics of the Body, Memory and Performativity (PCMP/CNPq – UFAC), we chose the show “Speak now or forever hold your peace” as the basis for investigating how performative practices can challenge hegemonic narratives about early marriage and teenage pregnancy in contexts of structural poverty in the Acre Amazon. Inspired by the proposal of performance as a lived and situated act, we created an artistic and pedagogical experiment that transforms real data (IBGE, Ministry of Health, Abrinq Foundation, among others) into a scene, through movement, costumes, digital animation and collective listening.
The show toured full-time public schools in Rio Branco (Acre), the João Donato Art Factory, and was also presented at the Acre Penitentiary Administration Institute (IAPEN), as well as festivals such as Bahia Dança (BA), the Palco Giratório Festival (RO) and cultural events run by the Rondônia Cultural Foundation. These meetings went beyond the limits of the stage, unfolding into conversation circles, sharing and political articulations, especially with the Acre Women’s Secretariat, which provided educational materials and technical support through a professional available to clarify legal issues on the topics covered.
Throughout the process, the performative practices proved capable of triggering non-hierarchical listening, in which spectators became narrators of their own stories. Analysis of the audience’s reactions revealed the strength of identification, the power of performance as a device for denunciation, and precariousness as a fertile ground for artistic and political alliances. Although limited by structural difficulties, such as the lack of public policies and cultural funding, the show provoked institutional and emotional mobilizations, generating important partnerships with public bodies and indicating ways to continue the debate in schools and community spaces. The work thus affirms itself as a gap that connects data, memories and bodies, expanding performance as a way of existing and resisting.
En tant que membres du groupe de recherche Poétique du corps, mémoire et performativité (PCMP/CNPq – UFAC), nous avons choisi le spectacle « Parlez maintenant ou taisez-vous à jamais » comme base pour étudier comment les pratiques performatives peuvent mettre en tension les récits hégémoniques sur le mariage précoce et la grossesse chez les adolescentes dans des contextes de pauvreté structurelle dans l’Amazonie de l’Acre. Inspirés par la proposition de performance en tant qu’acte vécu et situé, nous avons créé une expérience artistique et pédagogique qui transforme des données réelles (IBGE, Ministère de la Santé, Fondation Abrinq, entre autres) en une scène, à travers le mouvement, les costumes, l’animation numérique et l’écoute collective.
Le spectacle a été présenté dans des écoles publiques à plein temps à Rio Branco (Acre), à l’usine d’art João Donato, à l’Institut d’administration pénitentiaire d’Acre (IAPEN), ainsi que dans des festivals tels que Bahia Dança (BA), Palco Giratório Festival (RO) et des événements culturels organisés par la Fondation culturelle de Rondônia. Ces rencontres ont dépassé le cadre de la scène pour se transformer en cercles de conversation, de partage et d’articulation politique, notamment avec le Secrétariat des femmes d’Acre, qui a fourni du matériel éducatif et un soutien technique par l’intermédiaire d’un professionnel disponible pour clarifier les questions juridiques sur les sujets abordés.
Tout au long du processus, les pratiques performatives se sont révélées capables de déclencher une écoute non hiérarchique, dans laquelle les spectateurs sont devenus les narrateurs de leurs propres histoires. L’analyse des réactions du public a révélé la force de l’identification, le pouvoir de la performance comme outil de dénonciation et la précarité comme terrain fertile pour les alliances artistiques et politiques. Bien que limité par des difficultés structurelles, telles que le manque de politiques publiques et de financements culturels, le spectacle a provoqué des mobilisations institutionnelles et émotionnelles, générant d’importants partenariats avec des organismes publics et indiquant des moyens de poursuivre le débat dans les écoles et les espaces communautaires. L’œuvre s’affirme donc comme un fossé qui relie les données, les mémoires et les corps, élargissant la performance comme un moyen d’exister et de résister.