2.1. HISTÓRICO E CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROPOSTA DE CURSO

Nesta seção, apresenta-se brevemente um histórico do curso de mestrado profissional em economia, em sua vinculação com o Programa de Pós-Graduação em Economia, isto é, na formatação institucional vigente na UFRGS até o desmembramento. O contexto do desmembramento do programa profissional é relatado na subseção seguinte. Em seguida, são apresentadas as áreas de concentração e as respectivas linhas de pesquisa. A seção é finalizada com a normatização do novo Programa de Pós-Graduação Profissional em Economia.

2.1.1 Histórico do programa profissional em economia

O Programa de Pós-Graduação em Economia (PPGE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul iniciou suas atividades em 1971, com a primeira turma de Mestrado Acadêmico em 1972. O Curso de Mestrado Profissional (MP) em Economia Aplicada, que inicialmente ficou abrigado dentro do programa acadêmico, foi iniciado, já com o reconhecimento da CAPES, em 1999. No entanto, em função de mudanças nas normas quanto à forma de financiamento do MP, não foram abertas novas turmas em 2003, 2005 e 2006. Em cumprimento aos dispositivos legais, por meio de reformas do seu sistema administrativo, o MP voltou a abrir turmas regularmente a partir de 2007.

Em 2016, o MP teve o seu projeto de curso atualizado e reestruturado pela primeira vez, em consonância com as recomendações e críticas para seu aperfeiçoamento exaradas pela comissão de avaliação da CAPES, que havia visitado o programa no período de 19 a 20 novembro de 2012. Assim, foram criadas áreas vinculadas às demandas de gestão privada e pública, o que estava bem definido pelas áreas de especialização propostas à época: Economias de empresas e Políticas públicas para o desenvolvimento. Duas outras modificações propostas, que visavam equilibrar e melhorar o quadro docente, foram estabelecidas, quais sejam: i) foram definidos explicitamente critérios e metas para participar e permanecer no quadro docente do MP; ii) foram estabelecidos critérios para definir o coordenador e o coordenador substituto do programa. Os anos iniciais da avaliação quadrienal 2017-2020 refletem, portanto, estas mudanças.

De toda forma, identificou-se já naquele período a necessidade de atrair professores dedicados especificamente ao MP e, dentro do possível, desvinculados do programa acadêmico em economia, evitando-se, assim, que questões de avaliação de um programa afetassem o desempenho do outro. Esta demanda foi apenas parcialmente cumprida, sendo ainda um objetivo a guiar as preocupações da coordenação. Mas houve avanços, com o ingresso de novos professores da Universidade no MP em Economia ao longo do período 2017-2024 e desligamento de professores com perfil mais acadêmico, sendo este processo gradual para não afetar as atividades de ensino, pesquisa e produção intelectual. Muitos desses novos professores não possuem vínculos de pesquisa com o programa acadêmico e passaram a desenvolver projetos de pesquisa e ministrar disciplinas com um perfil mais profissionalizante, buscando se adequar ao novo contexto de consolidação dos programas de pós-graduação profissionais, com a tentativa sistemática de incluir as novas diretrizes da CAPES, que se expressaram no processo de criação do Qualis Profissional, e que, por fim, resultaram na elaboração de um conjunto de produtos passíveis de serem entregues pelos programas profissionais.

O MP em Economia da UFRGS buscou se manter atualizado às novas possibilidades engendradas pela modalidade profissional. No contexto específico do curso, isto significou inicialmente readequar as metodologias de pesquisa em economia para o ingresso massivo de dados, incorporando elementos de ciência de dados e de aprendizado de máquina. Inicialmente atraídos pela linha de pesquisa em Economias de Empresas, os professores passaram a desenvolver essas competências entre 2016 e final de 2019, resultando na criação de um Núcleo de Pesquisa vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas (FCE-UFRGS) dedicado ao uso de ciência de dados para aplicações em finanças, o Núcleo de Pesquisa e Extensão em Ciência de Dados e Computacional em Economia e Finanças (e-CompFin). Esse núcleo organizou professores atuantes no MP em Economia, bem como originou a criação de novas disciplinas, como Finanças empíricas, Introdução aos métodos de data analytics, Finanças Comportamentais, Finanças Corporativas, além de uma readequação da disciplina de Estatística Econômica Aplicada ao uso de softwares modernos e de análises aplicadas a grande quantidade de dados nas áreas de finanças e de mercado de capitais.

Os professores do eixo de Políticas Públicas para o Desenvolvimento, proposto em 2016, passaram a organizar parte de suas pesquisas empíricas baseados na possibilidade de se fazer uso de bases de dados, bem como de ferramentas de extração de dados, cada vez mais disponíveis nos diferentes níveis e setores da administração pública, com importantes reflexos na criação e estruturação de quase-mercados e na própria estrutura e dinâmica dos mercados da economia. Dessa forma, a linha de pesquisa inicialmente proposta de Políticas Públicas para o Desenvolvimento sofreu uma inflexão, ao passar de uma perspectiva mais propriamente teórica acerca do desenvolvimento econômico, para uma perspectiva mais aplicada, de avaliação das políticas públicas, beneficiando-se da maior disponibilidade de dados. Dessa forma, as disciplinas da área de Desenvolvimento passaram a realizar de fato avaliação econômica das políticas públicas, em diversas dimensões, com destaque às áreas de economia do trabalho, estudo do Estado, da tributação e do gasto público, economia urbana e regional e economia da tecnologia, de caráter mais aplicado, fato que se reflete na mudança dos temas das dissertações defendidas ao longo do ano de 2019.
Além disso, ainda na área de políticas públicas, as pesquisas na área de economia cultural e criativa, desenvolvidas em parceria com o Núcleo de Economia Cultural e Criativa da UFRGS, proporcionaram conhecimento aprofundado sobre estes setores da economia brasileira, utilizando ferramentas para a gestão cultural nos âmbitos público e privado. Em particular, foram feitas parcerias com o Ministério da Cultura para desenvolver levantamentos e informações econômicas mais especializadas e aprofundadas sobre segmentos como música e artes cênicas em termos de número de empreendimentos, empregos, comércio exterior e financiamento público à cultura. Desta forma, as duas áreas propostas em 2016 passaram por um processo natural de direcionamento de disciplinas e pesquisas mais afeitas à modalidade profissional, organizando-se em torno das linhas de pesquisa `Finanças e Ciência de Dados’ e ‘Avaliação Econômica de Políticas Públicas’.
Em 2020 , foi formalizado o desmembramento do Programa de Pós-Graduação em Economia, que ficou com o mestrado e o doutorado acadêmico, tendo iniciado as atividades do Programa de Pós-Graduação Profissional em Economia, que teria sua primeira turma em 2021.
A área de “Economia” tinha duas linhas de pesquisa até 2024: “Finanças e Ciência de Dados” e “Avaliação Econômica de Políticas Públicas”. Porém, a Comissão de Pós-Graduação decidiu unificar as linhas de pesquisa em uma mais ampla “Economia”, em virtude de que as linhas não são incongruentes e mesmo na avaliação de políticas públicas, utiliza-se ferramentas de extração de dados. Além disso, a demanda dos alunos por orientação em finanças e ciências de dados não correspondia à oferta de professores dedicados a tal linha.

Em 2021 foi iniciada a área e a linha de pesquisa em Economia e Política da Cultura e das Indústrias Criativas, em parceria com a Fundação Itaú Cultural, para uma turma fora de sede. Essa proposta colocou o PPECO em destaque no cenário nacional, pois o processo seletivo permite inscrições do Brasil inteiro. Além disso, trata-se do único programa profissional do gênero no Brasil, quiçá da América Latina. As pesquisas nesta linha já eram desenvolvidas pelo Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura. Portanto, foi possível trazer as pesquisas aplicadas desenvolvidas para o âmbito do mestrado profissional. A primeira turma foi formada em 2023, com mais de 20 novos mestres e mestras profissionais, versando sobre os mais variados temas (indústria do audiovisual, museus, música, festivais, patrimônio cultural, políticas culturais, streaming, informalidade do trabalho cultural, valoração contingente etc.).
Em 2025, a área de cultura passou a se chamar “Cultura e Educação para o Desenvolvimento Econômico”. Assim, as áreas de concentração e as linhas de pesquisa foram atualizadas no final de 2024 para vigorar em 2025. Consolidaram-se duas áreas de concentração “Economia” e “”Cultura e Educação para o Desenvolvimento Econômico”, com suas respectivas linhas de pesquisas únicas.
O Programa de Pós-Graduação Profissional em Economia teve a oferta de cursos de doutorado profissional aprovada pela CAPES em 2024 e sancionada pelo Conselho Nacional de Educação em 2025. O Doutorado Profissional será específico da área de Cultura e Educação para o Desenvolvimento Econômico.