Toré Atikum: movimento encantado de aldeia

Toré Atikum: movimento encantado de aldeia

  • Autor: Waleska de Araújo Aureliano (mestre em Sociologia pela UFPB, pesquisadora do NUR – Núcleo de Estudos de Modos de Subjetivação e Movimentos Contemporâneos do PPGAS da UFSC)

Ano de produção: 2004

Este ensaio fotográfico foi realizado em junho de 2004 na área indígena Atikum localizada próximo ao município de Carnaubeira da Penha, estado de Pernambuco. O movimento para reconhecimento da área data de 1940 junto ao Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Em 1949 é erguido o posto indígena Atikum na serra do Umã, mas só na década de 1990 é que suas terras são demarcadas. Para que fossem reconhecidos como indígenas junto ao SPI, os Atikum tiveram que exibir o toré, prática ritual que o órgão indigenista considerava como o atestado da indianidade dos grupos da região Nordeste. Os Atikum não conheciam essa prática quando iniciaram seu movimento pelo reconhecimento da área e foram aprendê-la com o povo indígena Tuxá da cidade de Rodelas, às margens do rio São Francisco, Bahia. Com os Tuxá os Atikum também aprenderam a preparar a Jurema, bebida sagrada que está presente nos trabalhos espirituais de vários grupos indígenas do nordeste brasileiro. É a Jurema que permitiria o contato com o mundo dos espíritos, com os encantos da mata e com os ancestrais míticos do grupo. Mesmo quando a representação do sagrado não envolve a ingestão da Jurema, ela está presente nos toantes que são cantados e socialmente ela repercute na reprodução do ser índio e na construção da religiosidade própria à etnia. A partir do registro fotográfico e fílmico do toré Atikum foi produzido o documentário “Meu Atikum” com direção do antropólogo Marcos Alexandre dos Santos Albuquerque (PPGAS/UFSC) onde as fotos deste ensaio foram utilizadas. Nossa proposta foi de registrar em documentos audiovisuais a particularidade do toré Atikum, registrando a construção e atualização deste ritual que constitui simbolicamente o maior laço que une esta comunidade. O resultado do movimento nas fotos foi proposital, buscando corresponder ao real movimento dos índios (do corpo, da espiritualidade, da luta pela terra e pela identidade). No movimento surge o “encantamento” da Jurema e dos Encantos da mata que dançam nos torés Atikum e que de certa forma ficaram sugeridos na distorção das imagens registradas. Este ensaio participou da Mostra Exposições Fotográficas da VII RAM, Porto Alegre, 2007.

7 fotografias (18x24).

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