Historiadora – E aí o senhor entrou como professor?
Rivo - Entrei como professor assistente.
Historiadora – Quando o senhor voltou o que notou de diferente? Como estava o laboratório, a própria estrutura?
Rivo – Bom, o laboratório, já na época em que eu fazia o mestrado, as instalações eram muito pequenas porque nós ocupávamos três andares do Edifício Cândido Godoy, ali na frente da Santa Casa. Pelo número de pessoas que existiam lá dentro, mais as drogas, mais toda aquela parafernália da cozinha de Drosophila para fazer meio de cultura, as câmaras de Drosophila. O pessoal dizia assim: “Trabalhando aqui, depois se acostuma a trabalhar em submarino, de certo”! Era tudo com espaço contado, mas dava para trabalhar. E depois então, na década de 90, mais especificamente no ano de 1990, nos mudamos para o Campus. Ali, cada chefe de grupo pôde escolher um espaço para fazer o seu laboratório, com todos os móveis e instalações que também foi possível conseguir, e nós ficamos bem acomodados. Claro que, no fim, o espaço acaba ficando insuficiente porque vai crescendo, vai adquirindo mais equipamentos, equipamentos que nem se imaginava surgiram nesse meio tempo e tudo o mais. Então, até o momento em que eu saí, nós nunca estivemos apertados como era ali na Genética do Cândido Godoy. Mas, já podia existir mais espaço, tanto que logo em seguida, pouco tempo depois da minha saída, eles construíram aquele outro prédio, que é transversal ao mais antigo. Não sei como está lá, mas imagino que já tenha gente reclamando de falta de espaço também. A coisa cresce, não é?
Historiadora – Ouvi falar que era famoso o intervalo de vocês, o pessoal lembra com carinho…
Rivo - O momento do café realmente era um momento… Principalmente lá no Cândido Godoy, porque ali, como estava todo mundo bem próximo, o pessoal convergia todo para uma mesma sala, mesmo porque a sala de aulas e de seminários era uma só e o café era lá mesmo. Então, muitas vezes os alunos estavam tendo aulas e já ficavam lá, todo mundo para o café. Era uma turma grande que tomava café e conversava sobre vários assuntos, geralmente não eram assuntos sérios, científicos, eram mais piadas, brincadeiras e troca de ideias. Às vezes ficava sério o assunto, mas não era o momento de falar sobre ciência, era um momento de espairecer, refrescar as ideias. Mas o Salzano estava junto, então era uma coisa cronometrada, daqui a pouco: “Terminou o café”. Terminou, todos iam embora, faziam uma cara séria e iam embora, mas era muito divertido.
Depois, lá no Campus foi interessante, porque a coisa diminuiu de intensidade. Tinha uma sala de reuniões e de café, mas o pessoal, por exemplo, do andar de cima, que era a parte mais de Genética Animal, Vegetal e das Drosophilas, o pessoal não descia. Não sei se era porque era frio no inverno e tinham de sair, para sair do prédio tinha que descer a escada ao ar livre e o pessoal não vinha mais. Então, ficou mais ou menos só o grupo do andar de baixo fazendo o seu café, o grupo do andar de cima, se tinham um horário de café, não sei onde se reuniam. Aí a coisa foi meio que se esvaziando, e também porque cresceu muito, com certeza nessa época mais recente, se fossemos colocar todos na sala do café não caberiam.
Historiadora – Eu observei quando estava lá no Campus… Chega certa hora, entre 15h e 15h30min, sempre chegam umas duas ou três pessoas na sala do professor Salzano, o convidam para tomar café e vai um grupinho lá no bar. Mudou um pouquinho o ritmo, mas continua o café.
Rivo - Para fazermos isso lá no Centro, teríamos que descer de elevador, ir até um bar na rua e voltar. Naquela época, não tinha na rua, em Porto Alegre, o movimento que tem hoje, mas ia ser muito mais trabalhoso. Então o café era feito lá mesmo, o pessoal do andar de cima era geralmente quem fazia. Depois compraram uma máquina de fazer café, essas máquinas de bar porque realmente eu acho que a quantidade de café que ia era muito grande, mas era um momento de muitas trocas de ideias, muita alegria, ficávamos muito alegres, saíamos de lá sorrindo e comentando.