Defesa de Tese – Paulo Eduardo Panassol

A ONTOLOGIA DE THORSTEIN VEBLEN: FUNDAMENTOS PARA A EXPLICAÇAO DA REALIDADE SOCIOECONÔMICA

Resumo: Passados mais 125 anos do artigo seminal de Thorstein Veblen, Why is economics not an evolutionary science?, de 1898, e prestes a completar 100 anos do texto Economic theory in the calculable future, de 1925, a ciência econômica insiste, com algumas exceções, em não desenvolver análises e percepções que compreendam a realidade socioeconômica em permanente mudança cultural e técnica nos termos críticos propostos pelo institucionalista original. Como qualquer ciência, a economia tem o papel de compreender e explicar os fenômenos de uma determinada instância ou nível da realidade e, nesse sentido, precisa estabelecer os fundamentos ontológicos para fornecer orientação para a construção de uma teoria que elucide o caráter dinâmico desse domínio. Pressupostos ontológicos são necessários, nem que seja para afirmar a adequação dos métodos utilizados frente aos aspectos da realidade aos quais estão sendo aplicados. Certamente ninguém tratou tão extensivamente da ontologia da realidade socioeconômica como Veblen, no entanto, a literatura especializada centra-se nos princípios metodológicos ou epistemológicos do autor. Assim, o objetivo da presente Tese é, a partir da obra intelectual do autor, sistematizar os pressupostos ontológicos da teoria vebleniana e, em particular, do seu componente central, que denomino de Realismo Evolucionário Crítico. Como será visto, a complexa relação indivíduo-estrutura, o papel, as possibilidades, os condicionantes e a interrelação entre esses elementos constitutivos da realidade socioeconômica, permite entender tanto mudanças estruturais e comportamentais em termos de processos cumulativos quanto para projetos de transformação social mediante políticas adequadas que promovam o crescimento e, em especial, a superação do atraso. Assim, o trabalho centra seus esforços, num primeiro momento, numa aproximação filosófica para a compreensão da realidade, abordando a evolução da filosofia como área de conhecimento, o papel da ontologia como fundamento crítico do que existe no mundo, bem como a imbricação da filosofia e da economia enquanto domínios complementares. A seguir, passando pela concepção evolucionária de Charles Darwin, verificou-se a influência sobre Veblen dos sistemas filosóficos de Immanuel Kant e Charles Peirce, em especial, as concepções de realismo, respectivamente, crítico e evolucionário, e a influência que tais tradições exercem sobre as abordagens contemporâneas do realismo de Uskali Mäki, Tony Lawson e Geoffrey Hodgson. Num terceiro momento, introduziu-se a contribuição de Clarence Ayres acerca da evolução social e econômica e o papel da tecnologia e das instituições, especialmente, o que se convencionou denominar de “dicotomia vebleniana”. Por fim, a partir da obra de alguns intérpretes do Brasil (Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Raimundo Faoro, Celso Furtado e Darcy Ribeiro), identificar dimensões econômicas, sociais e culturais relevantes para a compreensão da formação socioeconômica brasileira tendo como base os elementos da ontologia vebleniana abrindo agenda de pesquisa e de debate dentro dos diversos domínios de conhecimento.

Link para assistir.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *