Deixe um comentário / Bancas de Tese e Dissertação / Por Helena Camillo
ESTRATÉGIA DO RIO GRANDE DO SUL PARA O HIDROGÊNIO RENOVÁVEL: MUDANÇAS DE PARADIGMA E JANELAS DE OPORTUNIDADE NA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Resumo:
A intensificação das mudanças climáticas e os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris reposicionaram a transição energética como um dos eixos centrais da agenda econômica e política contemporânea. Nesse contexto, o hidrogênio renovável emerge como um insumo estratégico, tanto por seu potencial de descarbonização de setores de difícil abatimento quanto por sua capacidade de induzir transformações produtivas associadas a tecnologias verdes. A consolidação de uma economia do hidrogênio, contudo, ocorre em um ambiente marcado por elevada incerteza tecnológica, econômica e regulatória, no qual trajetórias de mercado, padrões de demanda e arranjos institucionais ainda se encontram em formação. Para economias periféricas, esse cenário cria janelas de oportunidade, mas também o risco de estratégias de inserção baseadas na simples oferta de insumos de baixo valor agregado. Nesse contexto, esta tese analisa a estratégia do Rio Grande do Sul para o hidrogênio renovável enquanto agenda pública em construção, investigando em que medida ela apresenta condições institucionais e econômicas para converter vantagens comparativas em capacidades produtivas e tecnológicas. Por meio de um estudo de caso qualitativo, alicerçado em entrevistas individuais semiestruturadas com representantes do governo, da academia e do setor produtivo, verifica-se que, embora exista um reconhecimento amplo das vantagens comparativas do Estado, persistem assimetrias relevantes entre os grupos de atores quanto à avaliação da consistência da estratégia, da previsibilidade regulatória e da viabilidade econômica em curto prazo. A análise evidencia fragilidades nos mecanismos de coordenação e uma articulação ainda limitada entre políticas energética, industrial e de ciência, tecnologia e inovação. Esses elementos sugerem que a captura das oportunidades associadas ao hidrogênio renovável depende menos da dotação de recursos naturais em si e mais da capacidade estatal de construir governança, alinhar expectativas e sustentar processos de aprendizado ao longo do tempo.
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