Defesa de Tese-Andressa Neis

TRANSFORMAÇÕES CONTEMPORÂNEAS DO MERCADO DE TRABALHO: TRÊS ENSAIOS SOBRE POLARIZAÇÃO OCUPACIONAL, MUDANÇA ESTRUTURAL E HETEROGENEIDADE ECONÔMICA

Resumo:

As transformações contemporâneas do mercado de trabalho não admitem uma explicação única. Embora a literatura econômica tenha consolidado a polarização ocupacional e a mudança estrutural como duas das principais interpretações para a reorganização do emprego nas últimas décadas, essas abordagens evoluíram de forma relativamente independente, limitando a compreensão de economias caracterizadas por elevada heterogeneidade estrutural. Enquanto a primeira enfatiza os efeitos da mudança tecnológica sobre a demanda por ocupações e habilidades, a segunda destaca a realocação do emprego entre setores com diferentes níveis de produtividade como parte do próprio processo de desenvolvimento econômico. A ausência de uma perspectiva capaz de articular essas duas tradições constitui a principal lacuna que motiva esta pesquisa. Esta tese defende que a polarização ocupacional não representa um padrão universal de transformação do mercado de trabalho. Sua capacidade explicativa depende das características estruturais das economias analisadas, de modo que a compreensão das mudanças recentes do emprego exige integrar os mecanismos associados à mudança tecnológica aos processos de mudança estrutural. A partir desse argumento, a pesquisa investiga em que condições a polarização ocupacional constitui uma interpretação adequada das transformações do mercado de trabalho e quando a mudança estrutural passa a desempenhar papel predominante na explicação desse fenômeno. Para responder a essa questão, a tese é desenvolvida por meio de três ensaios complementares. O primeiro sistematiza a evolução da literatura internacional sobre polarização ocupacional, identificando seus principais referenciais teóricos, determinantes e lacunas de pesquisa. O segundo examina empiricamente os determinantes da polarização ocupacional em uma amostra internacional de países por meio de modelos de painel dinâmico estimados pelo método System GMM. O terceiro desloca a análise para o contexto brasileiro e investiga a dinâmica da mudança estrutural do emprego nas unidades da federação entre 2000 e 2022, combinando um Índice de Modificação Estrutural, técnicas de agrupamento e modelos de dados em painel para explicar as diferenças observadas entre os estados. Os resultados mostram que a reorganização do mercado de trabalho resulta da interação entre mudanças tecnológicas, transformações produtivas e especificidades estruturais, não podendo ser satisfatoriamente explicada por um único mecanismo. As evidências internacionais indicam que os determinantes tradicionalmente associados à polarização ocupacional apresentam efeitos heterogêneos entre as economias, enquanto a análise do Brasil demonstra que a mudança estrutural constitui elemento central para compreender a redistribuição regional do emprego. Em conjunto, os resultados evidenciam que a relevância relativa da polarização ocupacional e da mudança estrutural varia conforme as condições estruturais sob as quais ocorrem as transformações econômicas. A principal contribuição da tese consiste em propor uma interpretação integrada das transformações contemporâneas do mercado de trabalho, aproximando duas tradições da literatura econômica historicamente desenvolvidas de forma paralela. Ao demonstrar que a polarização ocupacional e a mudança estrutural devem ser compreendidas como mecanismos complementares, e não como explicações concorrentes, a pesquisa amplia o alcance analítico desse debate e oferece um referencial mais abrangente para interpretar a dinâmica do emprego em economias com diferentes níveis de desenvolvimento e heterogeneidade produtiva.
Palavras-chave: Mercado de trabalho. Polarização ocupacional. Mudança estrutural. Heterogeneidade estrutural. Emprego.

Local: Online, através deste link.

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