Autor: Eduardo Meliga Pompermayer
Data: 29/05/2026
Horário: 14h
Local: CINTED/PPGIE, sala 329, Auditório Léa da Cruz Fagundes, com transmissão via https://mconf.ufrgs.br/webconf/00009591
Orientador: Prof. Dr. Marcus Vinicius de Azevedo Basso
Banca Examinadora:
- Profª. Drª. Rosane Aragón (PPGIE);
- Prof. Dr. Diego Eduardo Lieban (IFRS-Campus Bento Gonçalves);
- Prof. Dr. Vandoir Stormowski (IME/PPGEMAT).
Resumo: Esta pesquisa investiga os processos de formação inicial de professores de matemática no contexto de ambientes makers, tendo como foco principal a análise das abstrações reflexionantes desenvolvidas pelos estudantes a partir da elaboração e aplicação de uma Arquitetura Pedagógica (AP). À luz da teoria de Jean Piaget, a pesquisa buscou compreender como uma AP, estruturada em laboratório maker, pode favorecer a construção de conhecimentos matemáticos desses futuros professores. Para auxiliar nesse processo de análise, também se apoiou nos pressupostos teóricos de Seymour Papert e Paulo Freire. Do primeiro, tendo como foco o conceito de “objeto-para-pensar-com” e na ideia, inspirada nesse conceito, de “objeto-para-pensar-com-juntos”, buscando identificar os elementos presentes nos ambientes makers que se enquadram em tal concepção. Já os pressupostos de Paulo Freire serviram para analisar como a AP possibilitou a construção da autonomia por parte dos estudantes e a constituição de um ambiente investigativo ao longo do percurso da atividade. A pesquisa, de abordagem qualitativa, foi realizada em duas turmas da disciplina Tecnologias na Educação Matemática, de um curso de Licenciatura em Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Campus Canoas, por meio da implementação de uma AP organizada em etapas que envolveram o desenvolvimento de projetos, o uso de tecnologias digitais e equipamentos de fabricação, a avaliação por pares e a socialização dos resultados. Os dados foram produzidos a partir de observações, registros das produções dos estudantes, sites desenvolvidos pelos grupos, instrumentos de avaliação por pares e entrevistas. Os resultados evidenciam a ocorrência de diferentes tipos de abstrações reflexionantes ao longo do processo, associadas à construção, revisão e materialização de artefatos, bem como à interação entre os sujeitos e os recursos do ambiente. Observou-se, ainda, que o contexto maker potencializa a aprendizagem matemática ao articular dimensões conceituais e práticas, favorecendo a experimentação, a resolução de problemas e a reestruturação de conhecimentos. Como contribuição, propõe-se a compreensão desses contextos como “ambientes-para-pensar-com-juntos”, caracterizados por dimensões como enculturação, cooperação, circulação de produções, integração entre espaços físicos e digitais e materialização iterativa de artefatos. Conclui-se que a AP em ambientes makers constitui uma abordagem significativa para a aprendizagem matemática na formação inicial de professores, ao favorecer a emergência de processos cognitivos complexos, além de contribuir para o desenvolvimento da autonomia e para a construção de práticas pedagógicas mediadas por tecnologias.
Palavras-chave: laboratórios makers; aprendizagem de matemática; abstração reflexionante; arquitetura pedagógica; “objeto-para-pensar-com-juntos”.




