Autora: Camila Pereira Alves
Data: 27/04/2023
Horário: 09:00
Local: https://mconf.ufrgs.br/webconf/00234073
Orientador: Prof.ª Dr.ª Vanessa Soares Maurente
Banca Examinadora:
- Prof. Dr. Daniel de Queiroz Lopes (PGIE/UFRGS),
- Prof.ª Dr.ª Jaqueline Tittoni (PPGPSI/UFRGS),
- Prof.ª Dr.ª Marta Mourão Kanashiro (IFCH/UNICAMP).
Resumo: Este projeto de pesquisa pretende problematizar a capilarização de regimes algorítmicos na produção de subjetividades contemporâneas, que emergem a partir de narrativas de mundo tramadas entre ciências humanas e computacionais. Interfaces digitais de inteligência artificial podem insinuar e propor perspectivas de vida e habitação de mundos situadas, corporificadas e tensionadoras de outras figurações para espécies que habitam esse planeta e que se responsabilizam pelos efeitos demasiado humanos na superfície terrestre, chamado antropoceno (HARAWAY, 2016; LATOUR, 2014). Mas o que evidencia-se como um problema herdeiro dos modos de criação e produção moderna-colonial patriarcal da branquitude, que se quer heróica e universal, são modelos e regimes algorítmicos de exploração do laço humano-máquina e exploração terminal da natureza-cultura (HARAWAY, 2021). O empobrecimento da imaginação política e ficcional que nos assola visibiliza o quanto temos falhado em produzir narrativas com capilaridade social que antecipem futuros e desejos que valham o investimento inventivo, interventivo e pulsional com as máquinas. Através da algoritimização da vida e do colonialismo digital perpetrado pelas corporações transnacionais estamos acompanhando a produção opaca e alienada de padrões humanos, assim como, narrativas que sufocam e queimam as possibilidades de agir social na criação de uma sociedade radicalmente democrática e distante do antropoceno. Diante disso, temos como problema discutir como regimes algorítmicos, produzidos na América Latina, podem agenciar e alargar imaginários sociotécnicos de resistência de/anti/contracoloniais no ecossistema digital. Assim, pretendemos: mapear modos de programar algoritmos que produzam efeitos de/anti/contracoloniais no ecossistema digital; analisar os efeitos do coengendramento entre modelos algorítmicos e a produção de subjetividades contemporâneas situadas no contexto latinoamericano; investigar práticas de tecnodiversidade e inteligência artificial situadas como estratégias de resistência ao colonialismo digital e a colonialidade das subjetividades; discutir modos de invenção e intervenção com modelos algorítmicos que componham territórios existenciais e paisagens moduladas por princípios corporificados, democráticos e de justiça social programados na experiência dissidente e feminista de quem pode criar e experimentar modelos de IA desde os territórios latinoamericanos do ecossistema digital. A metodologia proposta se desenvolve a partir das pistas do método cartográfico, desde onde pretendemos entrevistar programadoras cis e trans, racializadas, pessoas com ou sem deficiência que trabalhem com a invenção de modelos algoritmos, tomando-os como dispositivos para a cohabitação democrática de humanos e não humanos.
Palavras-Chave: Subjetivações algorítmicas, tecnodiversidade, ética em inteligência artificial.




